México

A importância do técnico

Quem não tem acompanhado as Eliminatórias Sul-Americanas ficou assustado. Como o Chile, que empatou em casa com a Venezuela e cometeu erros patéticos na defesa contra o Brasil, pode estar quase classificado para a Copa? Analisando superficialmente, não faz sentido. Mas, analisando o que os chilenos e, principalmente, os paraguaios (esses já classificados) estão fazendo, não é tão difícil entender.

Em comum às duas seleções da América do Sul que fazem campanha muito acima do esperado está a presença de técnicos que realizam trabalhos de longo prazo e já conheciam muito bem o terreno em que estavam andando. Isso não impede que as limitações técnicas das equipes se manifestem, mas garante que, na média, a campanha tenha alguma consistência e se diferencie das demais.

O Paraguai é o maior sinal disso. Gerardo Martino participa de sua primeira Eliminatória como técnico. No entanto, o treinador já tinha intimidade com o futebol local pelos seus quatro anos e meio como comandante do Libertad e um no Cerro Porteño. Trabalhos que lhe deram experiência em competições sul-americanas, sobretudo a Libertadores.

O futebol da seleção paraguaia não é excepcional, mas é consistente. Mesmo quando sofreu uma baixa, há algumas rodadas, o time não perdeu seu rumo. Nas duas rodadas seguintes, venceu a Bolívia (OK, isso é obrigação) e a Argentina, assegurando a vaga na Copa do Mundo pela quarta vez seguida.

O Chile está em situação parecida. Ao contratar Marcelo Bielsa, ganhou um treinador que já havia tido sucesso no comando da Argentina nas Eliminatórias para a Copa de 2002 (a melhor campanha desde a implementação do grupo único em pontos corridos na América do Sul). El Loco sabe que o perde-ganha é grande no continente e todas as equipes oscilam demais. Um time com um mínimo de organização coletiva acaba se destacando.

As duas equipes têm características diferentes, mas com resultados semelhantes. O Paraguai pratica um jogo mais pesado, com concentração de jogadas em Cabañas e marcação forte desde a saída de bola do adversário. A defesa não é boa como a de 10 anos atrás, mas dá alguma segurança.

O Chile tem um jogo rápido e ofensivo. A defesa falha pela fragilidade física e técnica (o que custou o empate contra a Venezuela e contribuiu na derrota para o Brasil), mas o meio-campo e o ataque joga com fluidez. Mesmo diante do Brasil em Salvador, o Chile criou dificuldades à defesa brasileira, com sua movimentação rápida e troca de passes eficientes a partir do meio-campo.

São dois times com um perfil claro. E, dentro de suas características, têm alguma consistência. Por isso, um já está na Copa e outro está em situação confortável. Algo que falta ainda a Uruguai, Equador, Colômbia e… Argentina.

Vienen los xatruches!

No século 19, um grupo de norte-americanos sulistas deixou seu país e tomou o controle da Nicarágua, no que seria um ponto de partida para a criação de uma grande nação escravocrata na América Central. Os centro-americanos se uniram e expulsaram os norte-americanos. Um dos heróis foi o general hondurenho Florencio Xatruch. Ao chegarem, vitoriosos, a cidades nicaraguenses, os combatentes eram recebidos com gritos de “Vienen los xatruches”.

Com o tempo, “xatruches” se transformou em “catracho”, um sinônimo de “hondurenho”. A frase de nicaragüenses do século 19 está prestes a ser dita por sul-africanos. A duas rodadas do fim das Eliminatórias da Concacaf, Honduras está próxima de se classificar para sua segunda Copa do Mundo.

Honduras entrou na zona de classificação para o Mundial justamente com uma vitória, por 4 a 1 sobre Trinidad e Tobago. Na rodada seguinte, o time perdeu para o México, resultado naturalíssimo. Mesmo assim, com a derrota da Costa Rica para El Salvador, a seleção continuou entre as três primeiras do hexagonal final. Basta manter a vantagem sobre os Ticos, sendo que a tabela de ambos é parecida (Estados Unidos + um time praticamente eliminado).

Uma conquista justa, diga-se. Os catrachos tinham time para ir à Copa em 2002, mas uma derrota tola, em casa, para o lanterna Trinidad e Tobago sabotou suas possibilidades. Dessa vez, o time vem mais forte e, principalmente, com mais experiência. Com Maynor Figueroa (Wigan), David Suazo (Internazionale), Wilson Palacios (Tottenham) e Amado Guevara (Toronto FC), Honduras passou a Costa Rica em nomes de (alguma) projeção fora da América Central. Uma vantagem estratégica em jogos tão aguerridos e equilibrados.

Se mantiver a boa fase, Honduras deve quebrar a lógica que colocou México, Estados Unidos e Costa Rica como três representantes da Concacaf em Mundiais. E talvez reeditar a boa campanha de sua única participação, em 1982, quando ameaçou eliminar a anfitriã Espanha na primeira fase.

CURTAS

 

 

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