Itália

Vai tu mesmo

A janela de transferências de janeiro é conhecida na Itália como “mercato di riparazione”. Mercado de reparos. Serve para buscar reforços que atendam a necessidades evidenciadas durante a primeira parte da temporada. Por isso, é raro ver transferências milionárias. Abundam empréstimos, trocas e negociações do tipo.

No mercado de inverno de 2010, os últimos dias foram marcados por algumas tramas curiosas, como a fracassada ida de Antonio Cassano para a Fiorentina, a reviravolta na busca da Internazionale por um reforço para o meio-campo e as contratações por atacado da Lazio.

Na sexta-feira, Cassano deixou de ser relacionado pelo técnico Luigi Del Neri para o segundo jogo consecutivo da Sampdoria. No dia seguinte, surgiu a notícia de que a Fiorentina teria acertado sua contratação por empréstimo até o fim da temporada. O interesse da Viola era natural, após a suspensão preventiva a Adrian Mutu pelos dois exames antidoping positivos em janeiro.

Tudo parecia definido quando Cassano foi ao clube buscar seus pertences no domingo, mas horas depois veio a informação oficial da Samp sobre a permanência do jogador – o comunicado saiu antes mesmo de a Fiorentina ser avisada sobre a desistência. O atacante tem um histórico de convivência difícil com treinadores – a ponto de ser ignorado por Marcello Lippi quando estava no auge da forma –, e a ruptura com Del Neri parecia definitiva, até porque o time venceu os dois jogos que disputou na sua ausência.

Os reais motivos da volta atrás ainda virão à tona, mas a Fiorentina, que já havia contratado o jovem suíço Haris Seferovic, artilheiro do último Mundial Sub-17, agiu rápido e acertou com Keirrison, promessa do futebol brasileiro e negociado por € 15 milhões com o Barcelona no ano passado, mas com poucas oportunidades em sua passagem por empréstimo no Benfica. Fica até junho de 2011, com opção de compra. Trata-se de um ótimo finalizador, que se movimenta com objetividade.

Keirrison, porém, não oferece as mesmas variações táticas que Cassano ofereceria. No esquema 4-2-3-1 de Cesare Prandelli, será o reserva imediato de Alberto Gilardino. Só jogarão juntos no caso de alguma necessidade no decorrer das partidas, já que a linha de meias ficará com Vargas, Jovetic e Marchionni. Com o volante Bolatti e o zagueiro Felipe, Prandelli parece melhor equipado para conciliar Serie A e Liga dos Campeões na seqüência da temporada.

A Inter, que já havia feito a melhor contratação do mês ao garantir Goran Pandev a custo zero, entrou no último dia com a prioridade de acrescentar uma nova opção ao meio-campo. O nome favorito era o de Cristian Ledesma, que tentou se desvincular da Lazio como Pandev, mas não teve sucesso. Assim, os nerazzurri teriam de negociar com o clube da capital, o que se mostraria difícil.

No domingo, as duas partes pareciam próximas de um acordo. A Inter pagaria € 8,5 milhões e cederia um jovem em copropriedade. No entanto, os nomes oferecidos não agradaram, e a Lazio entrou na segunda-feira fechando questão em € 10 milhões, valor que Massimo Moratti não aceitava pagar.

Entrou em ação o plano B: Fábio Simplício, a cinco meses de encerrar seu contrato com o Palermo. Enviando alguma contrapartida ao clube da Sicília, a Inter poderia contar com o brasileiro, que seria útil por poder atuar como volante, mas também ser o reserva de Sneijder em caso de necessidade. O acordo verbal de Simplício com a Roma para a próxima temporada não seria problema.

No entanto, uma informação vinda da Inglaterra mudou os planos da Inter nas últimas horas do mercado. O queniano McDonald Mariga, que já havia acertado sua transferência para o Manchester City, não pôde ir para a Premier League por não conseguir o visto de trabalho. Abria-se, então, uma nova possibilidade para os nerazzurri, já que Mariga é um jogador jovem (22 anos), com boa combinação de técnica e força física.

Com dois trunfos à disposição – o meia chileno Luis Jiménez, que estava no West Ham, e o atacante Jonathan Biabiany, este último já emprestado ao Parma – a negociação não foi complicada para a Inter, que desembolsou € 3 milhões, além de emprestar Jiménez e ceder Biabiany em copropriedade.

A conclusão do mercado só não foi perfeita para a Inter porque faltou o lateral-esquerdo que a equipe procurava. Assim como por Ledesma, não houve acerto com a Lazio por Kolarov. O tcheco Jankulovski, que chegaria do Milan em troca de Mancini, recusou a transferência. Assim, a ida de Mancini para os rossoneri se concretizou com um empréstimo simples, que pode virar copropriedade por cerca de € 4 milhões no fim da temporada.

Além de segurar Ledesma (que agora terá de decidir se faz as pazes com a direção do clube ou fica parado até o fim da temporada) e Kolarov, a Lazio foi bastante ativa neste último dia. Chegaram dois zagueiros novos – André Dias, do São Paulo, e Giuseppe Biava, do Genoa, além do volante Thomas Hitzlsperger, ex-Stuttgart, do meia Eyal Golasa, do Maccabi Haifa, e do atacante Gonzalo Barreto, do Danúbio, os dois últimos jovens promessas. Éderson, do Lyon, não chegou como esperado, provavelmente porque a contratação estaria ligada à eventual saída de Ledesma.

A diretoria laziale reforça, assim, a ideia de que o técnico Davide Ballardini não é o principal culpado pelos maus resultados que deixaram a equipe à beira da zona de rebaixamento. Agora que os reforços chegaram, no entanto, a cobrança deve ser ainda maior.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo