Itália

‘Novo’ Theo Hernández de zagueiro é uma boa opção temporária, mas não pode ser fixa no Milan

Após início devagar na temporada, Theo Hernández emplacou bons jogos como zagueiro

O francês Theo Hernández sempre foi tratado com um lateral de ótimos valores ofensivos e nem tantos defensivos. Por vezes, jogou como ala ou até meia pela esquerda, devido a sua capacidade de entregar velocidade e técnica na frente. Certa vez, o técnico da Seleção Francesa, Didier Deschamps, o definiu como “nem atacante, nem defensor”. No entanto, desde dezembro do ano passado, ele mostra uma nova faceta no Milan de Stefano Pioli: jogando como zagueiro em uma linha de quatro.

Enfrentando várias lesões na posição e com nenhum canhoto como opção de zaga, Pioli testou o francês como zagueiro pela primeira vez frente ao Frosinone, posição que nunca havia exercido na carreira. Ele correspondeu bem no novo local, trazendo, de praxe, ótimos números ofensivos, como o índice de acerto de 94% dos passes (47 de 50) e acertando os sete lançamentos que tentou, mas também mostrando solidez defensiva ao vencer cinco de seis divididas, além de entregar dois desarmes e três interceptações.

A boa impressão garantiu a presença na zaga em sete das oito partidas seguintes do Milan, frente a Atalanta (duas vezes), Newcastle, Salernitana (este, começou como lateral, mas a partir dos 17 minutos do primeiro tempo virou zagueiro), Sassuolo, Cagliari e Empoli. Nesses jogos, o clube perdeu apenas duas vezes, vencendo quatro e empatando uma.

Mesmo não sendo tão alto (1,84m), Theo Hernández tem impulsão o suficiente para não fazer feio nos duelos aéreos e, nas disputas pelo chão, sempre mostrou qualidade, justificada também por sua força física. A velocidade do lateral permite que faça ótimas coberturas e bata de frente com os velozes atacantes rivais. A agilidade também garante antecipações impressionantes do defensor.

Mapa de calor quando Theo Hernández atua como lateral-esquerdo (Foto: SofaScore)
Quando atua como zagueiro (Foto: SofaScore)

Como zagueiro, o francês até ultrapassou seu número de assistências (três contra duas) nas 15 partidas anteriores da temporada, jogando como lateral. O motivo disso é um interessante movimento tático de Pioli, parecido com o que Pep Guardiola faz no Manchester City com John Stones. Às vezes, Theo dá um passo a frente da linha de defesa e se apresenta no meio-campo, com isso, o lateral-direito Alessandro Florenzi (improvisado na esquerda nas últimas partidas) faz a cobertura, alinhando uma zaga com três e Hernández subindo ao ataque. Esse movimento ficou claro nos gols contra o Cagliari e Atalanta, com o jogador subindo até a área adversária e assistindo Luka Jovic e Rafael Leão, respectivamente.

Quando está alinhado aos zagueiros, como um beque raiz, entrega muito em lançamentos e passes para quebrar as linhas adversárias. Fez isso com perfeição no duelo contra o Cagliari ao deixar (outra vez) Jovic na cara do gol.

Pareceu uma boa solução temporária de Pioli e trouxe um bom nível a um Theo Hernández, até então, tímido na temporada. Só não pode se tornar a realidade na carreira do francês de 26 anos, que se destaca, principalmente, por apoiar o ataque com muita intensidade e qualidade técnica. Quem sabe nos últimos anos da carreira, quando não tiver a mesma velocidade e o rigor de antes, ele não vire, realmente, um zagueiro.

Os números* de Theo Hernández como zagueiro no Milan

Dados defensivos

  • 2 dos 8 jogos sem sofrer gols;
  • 10 gols sofridos;
  • 22 cortes, 10 interceptações, 11 desarmes, 8 chutes bloqueados e 3 drible sofridos;

Números ofensivos

  • 3 assistências, 7 passes decisivos, 50% dos lançamentos certos (25 de 49) e índice de 87.21% de acerto no passe (416/477)

*dados retirados do SofaScore.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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