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Tormento do Milan continua e está na hora de olhar para o trabalho do técnico

A má fase do Milan parece ter feito com que nós tenhamos que repetir, semana após semana, que o time jogou mal e mais uma vez não conseguiu o resultado. Neste domingo, contra o Empoli, o time mais uma vez mostrou muito pouco e não conseguiu se impor nem contra um dos piores times da Serie A e ficou em um melancólico empate por 1 a 1. E não é suficiente dizer que faltam jogadores e um elenco melhor. Com o que tem, o Milan deveria estar em uma situação melhor na liga. Por mais que doa aos rubro-negros, é preciso olhar para o banco. Falta ao time um plano de jogo e este é o trabalho do técnico. O fato de ser um ídolo, Filippo Inzaghi, torna tudo mais doloroso para os torcedores.

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O time que entrou em campo pode não ser um esquadrão como era até a última vez que levantou a taça da Europa, em 2007, com Nesta, Pirlo, Seedorf, Kaká e o próprio Inzaghi. Mas para os padrões do Campeonato Italiano, é um time para brigar mais em cima na tabela. Tem Diego López no gol, um goleiro que mostrou no Real Madrid sua capacidade. A zaga é formada por Paletta, que esteve na Copa pela Itália, e Alex, que foi bem no PSG antes de se transferir ao Milan por perder espaço no clube francês. Rami foi o lateral direito, embora seja zagueiro, e Antonelli foi o lateral esquerdo, contratado em janeiro para voltar ao clube que o revelou pelos bons momentos no Genoa. É limitado, mas não compromete.

No meio, Nigel De Jong dá sinais de não ser o mesmo jogador dos tempos de Manchester City, mas ainda é importante. Poli é um jogador que compõe bem o setor. Foram os dois volantes no 4-2-3-1 de Inzaghi, que teve Honda, Menez e Bonaventura na linha ofensiva de meias. À frente deles, Mattia Destro, outro que chegou nesta janela de janeiro para reforçar o elenco. Foi dele, aliás, o gol do Milan. Mas é Ménez o melhor jogador do time. Os jogadores têm rendido menos do que o esperado e isso cai na conta deles. Cerci, que entrou durante o jogo, tentou, mas foi apenas razoável. Não foi melhor do que Honda, que em campo também não fez muito.

Os nomes não são estelares, mas era preciso render mais. O time tem potencial para jogar melhor do que tem jogado. Ao menos para ser competitivo internamente na Itália, o Milan tem capacidade. Não pode acontecer como neste domingo em San Siro, quando o time deu só sete chutes a gol contra 16 dos visitantes. Não pode ficar com menos posse de bola que o adversário que no primeiro tempo só se preocupava em defender e só teve a bola porque o Milan abdicou dela no segundo tempo para defender um magro 1 a 0. Não pode ser apático quando o time está claramente rendendo pouco.

Tudo isso tem a ver com o trabalho do técnico também, que não consegue fazer com que o time renda mais. Brigar pelo título com a Juventus pode ser demais para esse elenco, mas brigar por uma vaga de Champions League é uma obrigação perto do que tem a concorrência. Lazio, Sampdoria e Fiorentina, que estão nesta briga, não têm elencos melhores. Mas jogam melhor. E por isso estão à frente. Todos eles têm trabalhos melhores dos seus técnicos.

O gol de Maccarone, que empatou o jogo, foi um castigo, mas foi merecido. O Milan não jogou o suficiente para vencer. Criou pouco, atacou pouco, quase não deu alegrias ao seu torcedor que foi ao estádio. Torcedor, aliás, que não tem ido tanto quanto nos acostumamos a ver. Eram muitos lugares vazios no estádio, o que se tornou comum na Itália mesmo com times de massa como o Milan.

Com 30 pontos, o Milan é só o 10º colocado e está neste momento a 12 do Napoli, terceiro colocado, última posição que dá vaga na Champions League da próxima temporada. Não só pela distância em pontos, mas pelo futebol apresentado, chegar à principal competição europeia na próxima temporada é só um sonho distante. Chegar ao quinto lugar, onde está a Sampdoria com 35 pontos, parece mais possível. Isso daria uma vaga na Liga Europa. Parece o sonho possível para os rubro-negros.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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