Serie A

Szczesny tem uma enorme responsabilidade, mas a confiança de Buffon o respalda à Juve

Quando Wojciech Szczesny deixou o Arsenal, emprestado à Roma, sua carreira parecia fadada a um nível abaixo. O jovem goleiro chegou aos Gunners ainda nas categorias de base e desfrutava de boa reputação nos corredores do clube. Teve a sua chance, titular por três temporadas completas. Mas, se nunca foi um arqueiro ruim, não parecia bom o suficiente para se firmar de maneira incontestável na meta dos Gunners. Não transmitia tanta confiança. David Ospina chegou e minou seu espaço. Depois, quando Petr Cech apareceu como um presente no Emirates, buscar um novo rumo era natural ao polonês. Poucos poderiam imaginar a reviravolta que aconteceu. Que ele seria escolhido a dedo por Gianluigi Buffon para ser o seu substituto na meta da Juventus.

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Nesta quarta, a Velha Senhora confirmou o negócio que era mencionado há semanas – embora tenha sido colocado em xeque diante da novela envolvendo Gianluigi Donnarumma no Milan. Enfim, a Juve ratificou a contratação de Szczesny, pagando €12,2 milhões ao Arsenal. O goleiro assina contrato pelos próximos quatro anos. E, embora deva ser reserva, terá muito a aprender em sua primeira temporada em Turim, com a provável aposentadoria de Buffon. Antes mesmo do acerto, o veterano afirmou que a disputa pela posição seria aberta. Contudo, o cenário aponta para um ano de experiência ao polonês, pegando ritmo em partidas de menor importância, enquanto a lenda vive os seus últimos momentos.

“Szczesny teve uma grande temporada pela Roma. Ele provavelmente foi o melhor goleiro da Serie A em termos de consistência e defesas feitas. Acho que é um casamento inteligente entre o clube mais forte e o melhor goleiro da última temporada”, declarou Buffon, em junho. “Eu acho que ele realmente fez a melhor escolha para o presente e para o futuro, estou certo que nunca se arrependerá. Quando você vem à Juventus, especialmente se não estava acostumado a vencer, logo entenderá a diferença”.

Em terra de grandes goleiros, Szczesny foi um dos melhores ao longo das duas últimas edições da Serie A. Recobrou a sua confiança com os giallorossi e cresceu de produção neste período. Dá até para dizer que a disputa com Alisson na temporada passada impulsionou o polonês, transmitindo mais solidez e realizando boas defesas. Se os romanistas fizeram ótima campanha na liga, apesar da distância aos juventinos, há méritos do arqueiro. Não à toa, abriu as portas nos atuais hexacampeões nacionais.

“É um time incrível, que sempre está em campo para vencer. Isso não significa apenas os jogos, mas cada troféu. É isso que me trouxe para cá, eu quero ganhar troféus. Eu quero ser campeão, então cheguei e estou pronto para isso”, declarou Szczesny, ao canal oficial da Juventus. “Buffon foi um fator, porque eu quero melhorar, e não há melhor oportunidade para isso que treinando com ele. É um dos melhores, senão o melhor, goleiro da história. Quero aprender com ele. Sou um goleiro que sempre quero evoluir”.

Substituir Buffon nunca será uma missão fácil. Pensando na grandeza de Gigi e no tamanho da Juventus, podia se esperar um goleiro de mais renome. De qualquer maneira, tirar um arqueiro de primeira linhagem dos outros grandes clubes da Europa demandaria uma fortuna – e nem seria tão garantido assim, como a decepção com Edwin van der Sar, entre a saída de Peruzzi e a era Buffon, ajuda a enfatizar. Nada impede um movimento mais ousado quando a aposentadoria da lenda, de fato, se consumar. Mas a tendência neste momento é a de respaldar o novo contratado, ao menos para um período de transição até que outro camisa 1 italiano se firme por um longo tempo – como tradicionalmente ocorre há décadas em Turim.

Pelo custo-benefício e até pela adaptação à Itália, Szczesny se sugere uma escolha interessante. A fase recente o referenda e não deve ter problemas de ego por ficar no banco de Buffon. Afinal, a chance de se provar como um goleiro do mais alto nível está em suas mãos. Aos 27 anos, tem experiência o suficiente para lidar com a responsabilidade, e isso pode ser importantíssimo para suportar a cobrança natural. Se a saída do Arsenal parecia uma queda, talvez o polonês tenha mesmo caído para cima.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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