Serie A

Retrospectiva da Série A 2020/21, parte 2: soberana a Inter destronou uma Juventus irregular

Também abordamos o retorno do Milan à Champions League e as boas campanhas de Atalanta e Sassuolo

Texto publicado originalmente na Calciopédia e cedido à Trivela. Para conhecer e apoiar a Calciopédia, clique aqui.

Na última segunda, publicamos a primeira parte da retrospectiva da Serie A 2019-20, na qual destacamos as campanhas dos rebaixados, de algumas decepções e de equipes que mostraram bom futebol, como Spezia e Genoa. Após analisarmos a parte de baixo da tabela, chegou a hora de nos dedicarmos às análises dos 10 primeiros colocados do campeonato.

No nosso balanço, falamos sobre como a Inter destronou a Juventus e interrompeu uma sequência de nove scudetti seguidos da Velha Senhora, além de abordar o retorno do Milan à Champions League, após sete anos de ausência. Também há espaço para as boas campanhas de Atalanta e Sassuolo e os decepcionantes desfechos para Napoli, Lazio e Roma. Separe alguns minutos e confira.

Verona

Silvestri, goleiro do Verona (Foto: Jonathan Moscrop/Sportimage/Imago/One Football)

A campanha: 10ª colocação, 45 pontos, 11 vitórias, 12 empates e 15 derrotas.
No primeiro turno: 8ª posição, 30 pontos.
Ataque e defesa: 46 gols marcados e 48 sofridos
Time-base: Silvestri; Dawidowicz (Magnani), Günter (Ceccherini, Lovato), Dimarco; Faraoni, Tameze, Ilic (Miguel Veloso), Lazovic; Barák, Zaccagni; Lasagna (Kalinic, Salcedo).
Artilheiros: Antonín Barák (7 gols), Mattia Zaccagni e Federico Dimarco (ambos com 5)
Garçom: Darko Lazovic (6 assistências)
Técnico: Ivan Juric
Os destaques: Mattia Zaccagni, Antonín Barák e Marco Silvestri
A decepção: Marco Benassi
A revelação: Matteo Lovato
Quem mais jogou: Mattia Zaccagni (36 jogos) e Federico Dimarco (35)
O sumido: Marco Benassi
Melhor contratação: Antonín Barák
Pior contratação: Marco Benassi

A temporada 2020/21 do Verona foi uma fotocópia de 2019/20. O Hellas superou as expectativas por ter conseguido, com seu modesto elenco, mais uma permanência sem sustos. Ao mesmo tempo, caiu assustadoramente de produção no returno e estagnou no meio da tabela. O torcedor comemorou a virada de ano pensando em correr por fora na briga por Conference League ou Liga Europa, mas as três vitórias e os 15 pontos somados no segundo turno fizeram os butei se resignarem com a décima colocação. Ainda assim, um desfecho bastante aceitável para o terceiro time mais barato do campeonato.

Tal qual na campanha anterior, a intensidade do trabalho físico exigido por Juric deu retorno na parte inicial do torneio, na qual os mastini conseguiram alguns resultados notáveis – como os empates fora de casa contra Juventus e Milan, os triunfos como visitante sobre Atalanta e Lazio e a vitória doméstica ante o Napoli, seu rival. O esforço dos jogadores também gerou um acentuado desgaste como consequência e, no segundo turno, o rendimento foi bem inferior ao que o Verona já havia entregado.

Ao longo da Serie A, o Hellas teve vários destaques individuais. O experiente goleiro Silvestri confirmou o nível mostrado em 2019/20 e teve a melhor temporada da carreira, enquanto Dimarco apareceu bem na função de zagueiro que saía para o jogo ou lateral, geralmente construindo por dentro – na outra ala, o capitão Faraoni também foi muito útil. Juric ainda recuperou o futebol de Tameze e Barák, além de ter potencializado o jovem volante Ilic e o versátil Zaccagni, que chegou a ser convocado para a seleção italiana e está pronto para um salto na carreira.

pronto para um salto na carreira.

Sampdoria

Quagliarella finaliza passe de Candreva (Foto: Claudio Benedetto/Imago/One Football)

A campanha: 9ª colocação, 52 pontos, 15 vitórias, 7 empates e 16 derrotas.
No primeiro turno: 10ª posição, 26 pontos.
Ataque e defesa: 52 gols marcados e 54 sofridos
Time-base: Audero; Bereszynski, Yoshida (Tonelli), Colley, Augello; Candreva, Thorsby, Ekdal (Adrien Silva, Verre), Jankto; Damsgaard (Keita, Ramírez), Quagliarella.
Artilheiros: Fabio Quagliarella (13 gols), Keita Baldé (7) e Jakub Jankto (6)
Garçom: Antonio Candreva (7 assistências)
Técnico: Claudio Ranieri
Os destaques: Fabio Quagliarella, Mikkel Damsgaard e Antonio Candreva
A decepção: Gastón Ramírez
A revelação: Mikkel Damsgaard
Quem mais jogou: Emil Audero e Tommaso Augello (ambos com 37 jogos)
O sumido: Vasco Regini
Melhor contratação: Mikkel Damsgaard
Pior contratação: Ernesto Torregrossa

A Sampdoria foi uma das equipes mais regulares da última Serie A e entregou o prometido: uma posição de meio de tabela. Sem grandes destaques positivos ou negativos, a formação comandada por Ranieri fez um eficiente feijão com arroz e terminou o campeonato com um futebol nota 6,5.

Em alguns momentos, principalmente no returno, o time genovês chegou a mostrar qualidades que, com um pouco mais de tempo ou brilhantismo, poderiam lhe fazer almejar um lugar mais alto na tabela. Sinal de que o trabalho de Don Claudio estava evoluindo – e o fato de os blucerchiati terem conquistado 10 pontos a mais do que em 2019/20 comprova tal movimento. Não à toa, gerou espanto o fato de a diretoria ter optado por não renovar com o treinador.

Durante a campanha, Ranieri conseguiu melhorar o desempenho defensivo da equipe em relação ao ano anterior, mesmo tendo as mesmas peças à disposição – e nenhum grande craque no setor. O técnico romano também foi capaz de extrair um bom futebol de Candreva, que rendeu bem na meia direita, com mais protagonismo na armação das jogadas do que tinha na Inter. Quagliarella e Keita tiveram aproveitamento razoável na frente e Damsgaard teve minutos importantes em sua primeira temporada na Itália. É um atleta que ainda pode dar muitas alegrias aos dorianos.

Sassuolo

Berardi comemora gol do Sassuolo (Chris Ricco/Getty Images/One Football)

A campanha: 8ª colocação, 62 pontos, 17 vitórias, 11 empates e 10 derrotas.
No primeiro turno: 9ª posição, 30 pontos.
Ataque e defesa: 64 gols marcados e 56 sofridos
Time-base: Consigli; Müldür (Toljan), Chiriches (Marlon), Ferrari, Rogério (Kyriakopoulos); López (Obiang), Locatelli; Berardi, Djuricic, Boga (Traorè); Caputo (Raspadori, Defrel).
Artilheiros: Domenico Berardi (17 gols), Francesco Caputo (11) e Giacomo Raspadori (6)
Garçom: Domenico Berardi (7 assistências)
Técnico: Roberto De Zerbi
Os destaques: Domenico Berardi, Manuel Locatelli e Andrea Consigli
A decepção: Kaan Ayhan
A revelação: Brian Oddei
Quem mais jogou: Andrea Consigli (37 jogos), Hamed Traorè (35), Manuel Locatelli e Gian Marco Ferrari (ambos com 34)
O sumido: Federico Peluso
Melhor contratação: Francesco Caputo
Pior contratação: Kaan Ayhan

O Sassuolo lutou muito, mas por muito pouco não conseguiu uma vaga na Liga da Conferência: conquistou 11 pontos a mais que 2019/20 e empatou com a Roma na classificação, mas ficou atrás da Loba no saldo de gols. Isso, contudo, não apaga a ótima campanha do time treinado por De Zerbi, que mostrou um futebol agradável e objetivo. Não à toa, o técnico ganhou um vantajoso contrato no Shakhtar Donetsk.

Ao longo de 2020/21, De Zerbi conseguiu evoluir na fase defensiva – ainda há margem para melhorar, mas o passo adiante ficou notório. Com isso, o time neroverde foi mais eficiente em momentos decisivos e não cedeu tantos empates ou derrotas para os adversários quanto na temporada anterior. Ofensivamente, a produção foi similar, mesmo que Caputo tenha perdido parte considerável do returno por conta de uma lesão e Boga não tenha confirmado o bom momento que viveu antes de ter contraído o vírus da covid-19.

Com modéstia orçamentária e bons resultados em campo, o Sassuolo teve alguns dos melhores jogadores da competição em determinados setores. Na retaguarda, por exemplo, Consigli foi um dos goleiros mais regulares da Serie A e Ferrari deu continuidade a seu processo de evolução no centro da zaga. Pouco badalado, o camisa 10 Djuricic também realizou uma temporada de alto nível. Por fim, os neroverdi ainda tiveram três atletas merecidamente convocados para a disputa da Euro com a seleção italiana: Locatelli e Berardi estão em seus ápices, enquanto o garoto Raspadori, com a maturidade de quem já decidiu partida contra o Milan em San Siro, cultiva a esperança por um futuro brilhante.

Roma

No Dzeko, no party (Foto: Imago/One Football)

A campanha: 7ª colocação, 62 pontos, 18 vitórias, 8 empates e 12 derrotas. Classificada para a Liga da Conferência.
No primeiro turno: 3ª posição, 37 pontos.
Ataque e defesa: 68 gols marcados e 58 sofridos
Time-base: Pau López (Mirante); Mancini, Smalling (Kumbulla), Ibañez; Karsdorp, Cristante, Veretout (Villar), Spinazzola (Bruno Peres); Pellegrini, Mkhitaryan; Mayoral (Dzeko, Pedro).
Artilheiros: Henrikh Mkhitaryan (13 gols), Jordan Veretout e Borja Mayoral (ambos com 10)
Garçom: Henrikh Mkhitaryan (10 assistências)
Técnico: Paulo Fonseca
Os destaques: Henrikh Mkhitaryan, Lorenzo Pellegrini e Leonardo Spinazzola
A decepção: Marash Kumbulla
A revelação: Ebrima Darboe
Quem mais jogou: Henrikh Mkhitaryan, Bryan Cristante e Lorenzo Pellegrini (todos com 34 jogos)
O sumido: Juan Jesus
Melhor contratação: Borja Mayoral
Pior contratação: Bryan Reynolds

Os oito pontos a menos em relação aos obtidos na Serie A 2019/20 indicam que a Roma regrediu de uma temporada para a outra. Porém, a pontuação seria um elemento sutil demais para avaliar o quão brutal foi o retrocesso dos giallorossi e quão ruins foram a reta final de trabalho do já dispensado Paulo Fonseca e os primeiros meses de gestão da família Friedkin. Pouco se salvou: especificamente, os alas Karsdorp e Spinazzola, os meias Pellegrini e Veretout, um Mkhitaryan em vestes de goleador e a base, que revelou Darbo, Calafiori e Zalewski.

No primeiro turno, a Roma não somou pontos contra qualquer time do G6, mas entrou no returno com a terceira colocação porque se impunha contra adversários mais fracos. Depois, nem isso: colecionou tropeços e chegou a perder para o Parma, lanterna da competição. A queda livre na segunda metade do campeonato foi amenizada pela vitória no dérbi contra a Lazio (a única contra equipes classificadas a torneios da Uefa) e pela vaga na Conference League.

Durante toda a temporada, a desorganização na defesa deu o tom. Pau López e Mirante revezaram a insegurança debaixo das traves, enquanto Smalling passou muito tempo no estaleiro e, quando esteve em campo, não foi nem a sombra do zagueiro sólido da campanha anterior. Muito exposto defensivamente, o time viu Ibañez oscilar demais, Kumbulla não se firmar e Mancini perder rendimento – o que acabou fazendo com que perdesse a Euro. A bagunça também aconteceu nos bastidores: os atritos entre Fonseca e Dzeko resultaram na perda da braçadeira pelo bósnio e em sua transformação em reserva. E os últimos anos provaram que, para a Roma, no Dzeko, no party. José Mourinho terá trabalho.

Lazio

Foi a última temporada de Simone Inzaghi no comando da Lazio (Foto: Imago/One Football)

A campanha: 6ª colocação, 68 pontos, 21 vitórias, 5 empates e 12 derrotas. Classificada para a Liga Europa.
No primeiro turno: 7ª posição, 34 pontos.
Ataque e defesa: 61 gols marcados e 55 sofridos
Time-base: Reina; Patric (Hoedt, Luiz Felipe), Acerbi, Radu; Lazzari, Milinkovic-Savic, Lucas Leiva (Akpa Akpro), Luis Alberto, Marusic (Fares); Correa (Caicedo); Immobile.
Artilheiros: Ciro Immobile (20 gols) e Luis Alberto (9)
Garçom: Ciro Immobile (6 assistências)
Técnico: Simone Inzaghi
Os destaques: Ciro Immobile, Sergej Milinkovic-Savic e Luis Alberto
A decepção: Vedat Muriqi
A revelação: nenhuma
Quem mais jogou: Adam Marusic (36 jogos), Ciro Immobile (35) e Luis Alberto (34)
O sumido: Mateo Musacchio
Melhor contratação: Pepe Reina
Pior contratação: Mateo Musacchio

Em seu último ano no comando da Lazio, Inzaghi não conseguiu repetir o brilho de 2019/20. Com 10 pontos a menos, o time celeste teve um desempenho equivalente ao das duas primeiras temporadas completas realizadas pelo treinador (2016/17 e 2017/18) e, assim como ocorreu em ambas, se classificou à Liga Europa. Um desfecho aceitável, mas não era segredo para ninguém que o presidente Lotito esperava vaga na Champions League.

Só faltou avisar ao mandatário que um raio raramente cai duas vezes no mesmo lugar. A verdade é que faltou elenco para que os aquilotti pudessem lidar com um calendário atribulado. A diretoria fechou com reforços que não entregaram o esperado, como Muriqi e Andreas Pereira, ou que, como Escalante e Musacchio, simplesmente não tinham capacidade para atuarem no nível exigido. O plantel deixou de ser curto, mas não foi tão bem montado assim.

Com esse vício de origem, a Lazio precisaria que o rendimento de suas estrelas fosse o maior possível para que o sonho de se classificar novamente à Liga dos Campeões fosse concretizado. O desempenho até continuou a ser bom, mas foi inferior ao da campanha anterior – pelo menos para Acerbi, Lazzari, Luis Alberto e Immobile. O meia espanhol, por exemplo, passou de 15 assistências para nenhuma (segundo estatísticas colhidas pela própria liga) e o atacante italiano anotou 16 gols a menos. Decisivos em determinadas situações, Milinkovic-Savic, Correa e Caicedo compensaram parte dessa queda, mas os seus esforços não foram suficientes para que o time da Cidade Eterna ficasse entre os quatro primeiros.

Napoli

Insigne, do Napoli (Foto: Giuseppe/Maffia)

A campanha: 5ª colocação, 77 pontos, 24 vitórias, 5 empates e 9 derrotas. Classificado para a Liga Europa.
No primeiro turno: 6ª posição, 34 pontos.
Ataque e defesa: 86 gols marcados (o terceiro melhor) e 41 sofridos (a terceira melhor)
Time-base: Meret (Ospina); Di Lorenzo, Koulibaly (Rrahmani), Manolas (Maksimovic), Mário Rui (Hysaj); Ruiz, Bakayoko (Demme); Lozano (Politano), Zielinski, Insigne; Osimhen (Mertens, Petagna).
Artilheiros: Lorenzo Insigne (19 gols), Hirving Lozano (11) e Victor Osimhen (10)
Garçom: Piotr Zielinski (10 assistências)
Técnico: Gennaro Gattuso
Os destaques: Lorenzo Insigne, Piotr Zielinski e Kalidou Koulibaly
A decepção: Tiemoué Bakayoko
A revelação: nenhuma
Quem mais jogou: Matteo Politano (37 jogos), Piotr Zielinski e Giovanni Di Lorenzo (ambos com 36)
O sumido: Stanislav Lobotka
Melhor contratação: Victor Osimhen
Pior contratação: Tiemoué Bakayoko

O vacilo do Napoli na última rodada foi suficiente para que a avaliação da temporada do clube mudasse radicalmente – para este escriba, torcedores, jogadores e diretoria. Mesmo tendo conquistado 17 pontos a mais que em 2019/20, os azzurri terminaram a Serie A com um amaríssimo gosto de fracasso em suas bocas. Afinal, a vaga na Champions League ficou a um passo. Um pontinho.

Quando o campeonato começou, o Napoli não era um dos favoritos pelos quatro postos aos quais a Itália tem direito na Liga dos Campeões, mas se tornou um sério candidato ao Olimpo devido à irregularidade de Juventus e Roma. Mesmo sem identidade definida, o time de Gattuso superou atuações ruins no primeiro turno e, comandado por Zielinski e Insigne, chegou à antepenúltima rodada com o cenário mais confortável entre os postulantes ao mais importante torneio da Uefa. Fracassou, contudo.

Naturalmente, o desempenho individual de Zielinski e Insigne, acrescido a lampejos de Mertens e Politano e à adaptação de Lozano e Osimhen à Serie A, devem ser comemorados. O Napoli se mostrou uma máquina de fazer gols e, em dias positivos de pelo menos duas de suas peças de ataque, era praticamente imparável. Os números da defesa, contudo, não são tão fieis à realidade: quando pressionado, o time partenopeo costumava sucumbir a falhas de Maksimovic, Manolas, Mário Rui, Hysaj ou Bakayoko. O melhor antídoto foi deixar a bola bem longe de sua grande área e o sucesso dessa estratégia foi parcial.

Juventus

A primeira experiência de Pirlo como treinador foi curta (Foto: Michele Nucci/La Presse/Imago/One Football)

A campanha: 4ª colocação, 78 pontos, 23 vitórias, 9 empates e 6 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 4ª posição, 36 pontos.
Ataque e defesa: 77 gols marcados e 38 sofridos (a segunda melhor)
Time-base: Szczesny; Cuadrado, De Ligt, Bonucci (Chiellini), Danilo (Alex Sandro); Kulusevski (McKennie), Bentancur (Arthur), Rabiot (Ramsey), Chiesa (Bernardeschi); Morata (Dybala), Ronaldo.
Artilheiros: Cristiano Ronaldo (29 gols), Álvaro Morata (11) e Federico Chiesa (8)
Garçom: Juan Cuadrado (9 assistências)
Técnico: Andrea Pirlo
Os destaques: Federico Chiesa, Cristiano Ronaldo e Juan Cuadrado
A decepção: Arthur
A revelação: Gianluca Frabotta
Quem mais jogou: Dejan Kulusevski (35 jogos), Danilo, Adrien Rabiot e Weston McKennie (todos com 34)
O sumido: Paulo Dybala
Melhor contratação: Federico Chiesa
Pior contratação: Arthur

A Juventus começou a temporada como incógnita e só não a concluiu como fracasso retumbante por uma combinação de resultados: o triunfo sobre o Bologna, aliado ao empate do Napoli com o Verona, na última rodada, garantiu aos bianconeri a classificação para a Champions League, objetivo mínimo pretendido pela diretoria. Evidentemente, o fraco desempenho mostrado pelo estreante Pirlo na Serie A e na Liga dos Campeões – os títulos da Coppa Italia e da Supercopa nacional valem pouco para a Velha Senhora – foi o bastante para que Andrea Agnelli acertasse o retorno de Max Allegri.

Flutuando entre o 3-5-2 e o 4-4-2, a Juventus de Pirlo foi uma bagunça. A defesa até se acertou na metade final do campeonato, mas o time padeceu de criatividade e sucumbiu a um meio-campo apático e, frequentemente, relapso – neste sentido, foram sintomáticas a involução de Bentancur e a pouca contribuição dada por Arthur. Quando Chiesa estava muito marcado ou não rendia bem, a equipe de Turim enfrentava problemas.

Em 2020/21, a Juve colecionou derrotas pesadas, como contra Fiorentina, Inter, Napoli, Milan e Atalanta. Quando venceu, muitas vezes se impôs à força, quase sempre por lampejos de um Ronaldo cada vez menos participativo na economia dos jogos – Chiesa, Morata, Cuadrado e Dybala, quando saudável, também deram suas contribuições. Com Allegri, revolução à vista. É improvável que a Velha Senhora passe a próxima campanha distante da liderança, tal qual ocorreu em 2020/21, quando não ocupou a primeira colocação sequer por uma rodada.

Atalanta

Muriel, da Atalanta (Foto: Imago / One Football)

A campanha: 3ª colocação, 78 pontos, 23 vitórias, 9 empates e 6 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 5ª posição, 36 pontos.
Ataque e defesa: 90 gols marcados (o melhor) e 47 sofridos
Time-base: Gollini (Sportiello); Rafael Toloi, Romero (Palomino), Djimsiti; Hateboer (Maehle), De Roon, Freuler, Gosens; Malinovskyi (Pessina, Pasalic); Zapata, Ilicic (Muriel).
Artilheiros: Luis Muriel (22 gols), Duván Zapata (15 gols) e Robin Gosens (11)
Garçom: Ruslan Malinovskyi (11 assistências)
Técnico: Gian Piero Gasperini
Os destaques: Luis Muriel, Ruslan Malinovskyi e Cristian Romero
A decepção: Viktor Kovalenko
A revelação: Matteo Ruggeri
Quem mais jogou: Duván Zapata (37 jogos), Luis Muriel, Ruslan Malinovskyi e José Palomino (todos com 36)
O sumido: Viktor Kovalenko
Melhor contratação: Cristian Romero
Pior contratação: Viktor Kovalenko

Pela terceira vez seguida, a Atalanta ficou com a terceira posição na Serie A e se classificou para a Champions League. A Dea repetiu a campanha de 2019/20 em número de vitórias, empates, derrotas e pontos obtidos (igualou o seu recorde) e, novamente, teve o ataque mais prolífico da competição. A filosofia de Gasperini foi mantida, mas a grande história dos nerazzurri residiu na passagem de bastão de Papu Gómez (negociado com o Sevilla) e Ilicic (menos participativo) para Muriel, Zapata e Malinovskyi.

O trio foi responsável por metade dos gols (45) e ainda contribuiu com assistências para um terço dos tentos anotados pela equipe nerazzurra (30). Muriel, aliás, conseguiu a proeza de ter balançado as redes mais vezes do que começou jogando como titular: esteve no onze inicial em 16 oportunidades, mas deixou sua marca em 22 ocasiões. Na reta final do certame, Malinovskyi chegou a participar diretamente de gols por 10 jornadas seguidas.

Ao longo da temporada, Gasperini ainda tentou encontrar soluções criativas para fazer o plantel se adequar à mudança de paradigma. Defensivamente, contou com o excelente reforço de Romero, que deu solidez ao setor e ainda acrescentou na saída de bola e nas jogadas aéreas. Em alguns momentos, o treinador também chegou a deixar de lado o habitual 3-4-1-2 e experimentar um 4-2-3-1, soltando Rafael Toloi como lateral e segurando um pouco Gosens – embora o alemão também tenha passado a maior parte da campanha com liberdade total para castigar os adversários. A marca registrada desta Atalanta é a habilidade do treinador de adaptar as peças à sua disposição para estruturar um time coeso e intenso, capaz de dar espetáculo e conseguir resultados expressivos.

Milan

O Milan caiu de rendimento quando ficou sem Ibrahimovic (Foto: Alberto Gandolfo/Imago/One Football)

A campanha: 2ª colocação, 79 pontos, 24 vitórias, 7 empates e 7 derrotas. Classificado para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 1ª posição, 43 pontos.
Ataque e defesa: 74 gols marcados e 41 sofridos (a terceira melhor)
Time-base: Donnarumma; Calabria (Dalot), Kjaer, Romagnoli (Tomori), Hernández; Tonali (Bennacer), Kessié; Saelemaekers (Castillejo), Çalhanoglu, Rafael Leão (Díaz); Rebic (Ibrahimovic).
Artilheiros: Zlatan Ibrahimovic (15 gols), Franck Kessié (13) e Ante Rebic (11)
Garçom: Hakan Çalhanoglu (9 assistências)
Técnico: Stefano Pioli
Os destaques: Franck Kessié, Gianluigi Donnarumma e Theo Hernandez
A decepção: Mario Mandzukic
A revelação: Jens Petter Hauge
Quem mais jogou: Gianluigi Donnarumma, Franck Kessié (ambos com 37 jogos), Theo Hernandez e Hakan Çalhanoglu (ambos com 33)
O sumido: Mario Mandzukic
Melhor contratação: Fikayo Tomori
Pior contratação: Mario Mandzukic

Finalmente, Champions League. O Milan de Pioli entrou em 2020/21 com o objetivo de ratificar as expectativas criadas pelo excelente segundo turno da temporada anterior, quando teve a melhor campanha do período. O treinador entregou o prometido, ainda que o time tenha passado por uma queda de rendimento entre fevereiro e abril, quando raramente teve Ibrahimovic à disposição.

O Milan chegou a liderar o campeonato de forma isolada entre a 4ª e a 21ª rodada, mas não era razoável crer que os rossoneri teriam elenco e fôlego suficiente para brigarem até o fim com a Inter. O Diavolo teve um fraco desempenho em San Siro (foi apenas o sétimo melhor mandante do torneio), o que praticamente anulou a belíssima campanha como visitante: com 16 triunfos fora de casa, bateu o recorde da Serie A. E o fez com triunfos em jogos-chave contra Napoli, Roma, Juventus e Atalanta.

A regularidade de algumas peças foi fundamental para que o Milan se sagrasse vice-campeão. Donnarumma atuou com profissionalismo em seu último ano de contrato (embora a saída tenha sido nebulosa), Kjaer e Tomori fizeram uma sólida dupla de defesa no segundo turno e Hernández se manteve como uma locomotiva pelo flanco esquerdo. Por fim, Kessié e Çalhanoglu foram a alma da equipe: tudo passou pelos pés dos dois, que praticamente controlaram o destino do time da Lombardia.

Inter

Lukaku foi o craque do campeonato (Foto: Francesco Scaccianoce/Insidefoto/Imago/One Football)

A campanha: campeã, 91 pontos, 28 vitórias, 7 empates e 3 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 2ª posição, 41 pontos.
Ataque e defesa: 89 gols marcados (o segundo melhor) e 35 sofridos (a melhor)
Time-base: Handanovic; Skriniar, De Vrij, Bastoni; Hakimi, Barella, Brozovic, Eriksen (Gagliardini, Vidal), Perisic (Young, Darmian); Lukaku, Martínez.
Artilheiros: Romelu Lukaku (24 gols), Lautaro Martínez (17), Alexis Sánchez e Achraf Hakimi (ambos com 7)
Garçons: Romelu Lukaku (9 assistências)
Técnico: Antonio Conte
Os destaques: Romelu Lukaku, Nicolò Barella e Milan Skriniar
A decepção: Stefano Sensi
A revelação: nenhuma
Quem mais jogou: Lautaro Martínez (38 jogos), Samir Handanovic e Achraf Hakimi (ambos com 37 jogos)
O sumido: Andrea Pinamonti
Melhor contratação: Achraf Hakimi
Pior contratação: Aleksandar Kolarov

No último verão europeu, a Inter decidiu ir para o tudo ou nada. Para conquistar o scudetto, Conte exigiu um elenco experiente, casca grossa e formado por jogadores vencedores, visando garantir triunfos em jogos grandes. O técnico recebeu os reforços que desejou e se nem todos foram muito utilizados (Kolarov e Vidal, especificamente), a presença dessa turma nos bastidores se justificou. O grupo deu liga e, após a eliminação na fase de grupos da Champions League, se fechou de vez em torno das ideias do treinador. Foi o caminho para o título.

Em seu habitual 3-5-2, Conte formou uma máquina de vencer. A Beneamata cresceu de produção no segundo turno, quando uma queda física é regra para a imensa maioria das equipes, e chegou a passar 20 rodadas invicta, com 11 vitórias seguidas. A defesa, liderada por um Skriniar reinventado como zagueiro pela direita, chegava a fazer com que Handanovic passasse diversas partidas sem sujar o uniforme. Mais à frente, Barella era o “todocampista” que trabalhava em alta rotação, dialogando com um fulgurante Hakimi, para que Brozovic e um renascido Eriksen articulassem as jogadas. No comando do ataque, com a ajuda de Lautaro, Lukaku inventava e resolvia: 33 dos 89 gols dos nerazzurri tiveram participação direta do gigante belga, o craque do campeonato.

A Inter venceu as 19 adversárias pelo menos uma vez na competição e, pela segunda vez em sua história, superou os 90 pontos. Terminou a Serie A com 12 de vantagem sobre o Milan, além de ter tido o segundo melhor ataque e a defesa menos vazada. Encerrou a sequência de nove títulos da Juventus, sua arquirrival. Foi campeã com sobras e, ainda assim, chegará a 2021/22 como uma incógnita: a Suning, dona do clube, está cortando gastos e, além de ter expelido um treinador coberto pela glória, pode acabar vendendo pelo menos um dos astros. A vida do interista não é fácil.

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