Serie A

Retrospectiva da Serie A 2020/21, parte 1: as lições de Spezia e Genoa a Torino e Cagliari

Confira a retrospectiva publicada pela Calciopédia e cedida à Trivela, com as análises dos times na parte inferior da tabela da Serie A

Texto publicado originalmente na Calciopédia e cedido à Trivela. Para conhecer e apoiar a Calciopédia, clique aqui.

A Serie A 2020/21 terminou há pouco mais de uma semana e teve um desfecho diferente das nove temporadas anteriores, ao menos na ponta da tabela: a Inter destronou a Juventus e interrompeu uma sequência de nove Scudetti seguidos da Velha Senhora. Entre as novidades, também tivemos o retorno do Milan à Champions League, após sete anos de ausência.

Com futebol muito bem executado em todas as partes da tabela, a Serie A superou a edição anterior em número e média de gols por jogo: foram 1163 contra 1154, o que coloca 2020/21 como a quarta temporada mais prolífica da história. O Campeonato Italiano teve de 3,06 tentos por partida e foi o mais movimentado de toda a Europa, pouco à frente da Bundesliga (3,03).

Como é habitual, a temporada só acaba para a Calciopédia depois da nossa tradicional retrospectiva. Iniciamos a análise do desempenho de cada um dos clubes participantes da última Serie A com a primeira parte do nosso balanço, na qual tratamos dos rebaixados, das irregulares campanhas de Torino, Cagliari e Fiorentina, além de de times que foram bem na competição, como Spezia e Genoa. Confira!

O Parma lamenta a queda (Foto: Imago / One Football)

Parma

A campanha: 20ª colocação, 20 pontos. 3 vitórias, 11 empates e 24 derrotas. Rebaixado.
No primeiro turno: 19ª posição, 13 pontos.
Ataque e defesa: 39 gols marcados (o pior) e 83 sofridos (a segunda pior)
Time-base: Sepe; Busi (Iacoponi, Laurini), Bruno Alves (Bani), Osorio, Gagliolo (Pezzella); Hernani, Brugman (Grassi), Kurtic; Kucka, Cornelius (Pellè), Gervinho (Karamoh).
Artilheiros: Hernani (7 gols), Juraj Kucka (7) e Gervinho (5)
Garçons: Giuseppe Pezzella e Andreas Cornelius (4 assistências)
Técnicos: Fabio Liverani (até a 16ª rodada) e Roberto D’Aversa (entre a 24ª e a 38ª)
Os destaques: Hernani, Juraj Kucka e Valentin Mihaila
A decepção: Gervinho
A revelação: Valentin Mihaila
Quem mais jogou: Luigi Sepe (36 jogos), Jasmin Kurtic (34) e Hernani (33)
O sumido: Wylan Cyprien
Melhor contratação: Valentin Mihaila
Pior contratação: Mattia Bani

O Parma não tinha o pior elenco da Serie A e sequer o mais modesto deles, em termos econômicos (seis adversários gastavam menos), mas foi o participante que jogou o futebol mais fraco do campeonato e teve um resultado condizente com o seu desempenho. O desfecho não poderia ter sido diferente, visto que o time crociato cometeu alguns pecados originais em sua preparação para 2020/21.

Os problemas dos gialloblù começaram na curta transição entre as temporadas, quando o processo de passagem de bastão da propriedade para o norte-americano Kyle J. Krause demorou mais do que o previsto e só foi concluído nos últimos dias do mercado de transferências. Além do atraso nos reforços, os jogadores adquiridos foram, em sua maioria, muito jovens, o que contrastou com um elenco bastante envelhecido. Faltaram peças de faixa etária intermediária, que pudessem equilibrar a inexperiência de um dos grupos e a menor capacidade física do outro.

Como se essa questão já não fosse suficientemente difícil de ser solucionada, o Parma optou por iniciar a campanha com uma mudança de estilo de jogo, ao trocar o modelo reativo de D’Aversa pelo futebol propositivo de Liverani. Não deu certo: os ducali frequentaram a parte de baixo da tabela desde os primeiros momentos, entraram na zona de rebaixamento na 16ª rodada e não saíram mais de lá. Quando D’Aversa retornou, a falta de motivação e o desequilíbrio do elenco eram evidentes e pouco havia a fazer – sobretudo com Gervinho e Cornelius muito longe de seus melhores momentos. No fim das contas, os parmenses terminaram a Serie A com incríveis 29 pontos a menos do que os somados no certame anterior.

Simy, do Crotone (Foto: Imago / One Football)

Crotone

A campanha: 19ª colocação, 23 pontos. 6 vitórias, 5 empates e 27 derrotas. Rebaixado.
No primeiro turno: 20ª posição, 12 pontos.
Ataque e defesa: 45 gols marcados e 92 sofridos (a pior)
Time-base: Cordaz; Magallán, Golemic (Marrone), Luperto (Djidji); Pereira, Molina (Zanellato, Ounas), Petriccione (Cigarini), Vulic (Benali), Reca; Junior Messias, Simy.
Artilheiros: Simy (20 gols), Junior Messias (9) e Adam Ounas (4)
Garçons: Pedro Pereira e Adam Ounas (4 assistências)
Técnicos: Giovanni Stroppa (até a 24ª rodada) e Serse Cosmi (da 25ª em diante)
Os destaques: Simy, Junior Messias e Adam Ounas
A decepção: Lisandro Magallán
A revelação: Giuseppe Cuomo
Quem mais jogou: Simy (38 jogos), Alex Cordaz e Junior Messias (ambos com 36)
O sumido: Antonio Mazzotta
Melhor contratação: Adam Ounas
Pior contratação: Denis Dragus

A diferença de qualidade entre o Crotone e os outros participantes da competição era notório e mesmo os mais fanáticos torcedores dos squali sabiam que permanecer na elite seria quase um milagre. A salvação não ocorreu, como esperado, mas os pitagóricos podem olhar para o copo meio cheio: não abraçaram a lanterna do certame, lutaram bastante e ainda mostraram bons momentos de futebol, sobretudo sob as ordens de Cosmi, o segundo treinador da temporada.

A defesa foi a pior da história da primeira divisão e poucos dos muitos reforços contratados deram algum retorno ao time, é verdade. Porém, o Crotone conseguiu fazer do nigeriano Simy e do brasileiro Junior Messias duas das maiores sensações de 2020/21. O centroavante se tornou o segundo jogador africano a marcar pelo menos 20 gols numa edição da Serie A e o segundo a ser rebaixado em campo mesmo com tantas bolas nas redes, juntando-se a Eto’o e Protti, respectivamente. O grandalhão é o maior artilheiro da história rossoblù, com 66 tentos.

Enquanto Simy marcou gols, Messias fez isso e mais um pouco. Versátil, o brasileiro foi o oásis de criatividade do Crotone, atuando tanto como meia interno (pela direita ou pela esquerda) quanto na função de segundo homem de ataque. Sempre que tinha a bola, criava algo interessante. Aos 30 anos, ganhará uma transferência para um clube mais expressivo e deixará alguns milhões de euros nos cofres calabreses. Nada mal para alguém que estreava na elite e atuava na várzea italiana até 2015, se dividindo entre os gramados e o emprego de entregador numa loja de eletrodomésticos.

Pippo Inzaghi, do Benevento (Foto: Imago / One Football)

Benevento

A campanha: 18ª colocação, 33 pontos. 7 vitórias, 12 empates e 19 derrotas. Rebaixado.
No primeiro turno: 11ª posição, 21 pontos.
Ataque e defesa: 40 gols marcados (o segundo pior) e 75 sofridos (a terceira pior)
Time-base: Montipò; Tuia (Caldirola), Glik, Barba; Letizia (Depaoli), Hetemaj, Schiattarella (Viola), Ionita, Improta; Caprari (Insigne, Sau), Lapadula (Gaich).
Artilheiros: Gianluca Lapadula (8 gols), Nicolas Viola e Gianluca Caprari (ambos com 5)
Garçom: Gianluca Caprari (6 assistências)
Técnico: Filippo Inzaghi
Os destaques: Gianluca Lapadula, Gianluca Caprari e Kamil Glik
A decepção: Iago Falque
A revelação: Christian Pastina
Quem mais jogou: Lorenzo Montipò (37 jogos), Gianluca Lapadula (37), Kamil Glik e Artur Ionita (ambos com 36)
O sumido: Iago Falque
Melhor contratação: Gianluca Lapadula
Pior contratação: Iago Falque

O Benevento era o time oriundo da Serie B que mais chances tinha de escapar da degola. Os sanniti mostraram isso durante o ótimo primeiro turno, período em que fizeram valer o bom elenco montado e deixaram evidente para os adversários por quais motivos haviam dominado a última edição da segunda categoria. Porém, o campeonato é feito de duas metades e os bruxinhos se revelaram: eram Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro.

Na primeira parte da Serie A, o Benevento colecionou vitórias importantes (bateu Sampdoria, Bologna, Fiorentina, Genoa, Udinese e Cagliari) e ficou na 11ª posição. Porém, a partir do réveillon, tudo mudou: só venceu a Juventus no returno e despencou na tabela. O terceiro pior desempenho da metade final da competição acabou por condenar os giallorossi ao retorno à segundona, sem choro nem vela. O time parecia confiar que a gordura acumulada lhe seria suficiente, mas o tiro saiu pela culatra.

Apesar de pouco comum, a abrupta queda do Benevento pode ser facilmente explicada. O bom desempenho do ataque na fase inicial do certame compensava o fato de a defesa ser vulnerável, mas a fonte de gols praticamente secou no returno. Mesmo comandado por um especialista em balançar redes, como Pippo Inzaghi, o time campano marcou somente 17 vezes na parte final da Serie A, sendo 10 nas oito rodadas derradeiras, quando o desastre já era iminente. Um olhar mais atento poderia ter identificado o problema um tanto antes, visto que Lapadula, principal atacante dos sanniti, chegou a ter uma sequência de um tento anotado em 25 jogos disputados, entre a 7ª e a 31ª jornada.

Davide Nicola e Andrea Bellotti, do Torino (Foto: Imago / One Football)

Torino

A campanha: 17ª colocação, 37 pontos. 7 vitórias, 16 empates e 15 derrotas.
No primeiro turno: 18ª posição, 13 pontos.
Ataque e defesa: 50 gols marcados e 69 sofridos
Time-base: Sirigu; Izzo, Lyanco (Nkoulou), Bremer; Singo (Vojvoda), Rincón, Linetty (Mandragora), Lukic, Ansaldi (Rodríguez); Verdi (Zaza, Sanabria), Belotti.
Artilheiros: Andrea Belotti (13 gols), Simone Zaza (6), Antonio Sanabria e Bremer (ambos com 5)
Garçom: Andrea Belotti (6 assistências)
Técnicos: Marco Giampaolo (até a 18ª rodada) e Davide Nicola (entre a 19ª e a 38ª)
Os destaques: Bremer, Andrea Belotti e Rolando Mandragora
A decepção: Salvatore Sirigu
A revelação: Alessandro Buongiorno
Quem mais jogou: Tomás Rincón (36 jogos), Andrea Belotti (35), Bremer e Simone Verdi (ambos com 33)
O sumido: Daniele Baselli
Melhor contratação: Rolando Mandragora
Pior contratação: Amer Gojak

Os anos passam e o projeto de consolidação do Torino entre as dez maiores forças da Itália não engrena. Com a oitava maior folha salarial da Serie A, a equipe dirigida por Urbano Cairo novamente flertou com o rebaixamento de forma tão perigosa quanto indigna, pela qualidade do elenco que tem.

Assim como o Parma, parte desse desempenho ruim esteve ligado a uma transição malfeita de estilos. O Toro estava acostumado a estratégias reativas e se perdeu quando Giampaolo foi contratado. Em mais um trabalho bastante negativo, o treinador desmontou os conceitos de defesa anteriormente passados aos jogadores e tornou o time vulnerável em sua retaguarda, embora a produção ofensiva fosse aceitável. O Torino simplesmente tinha dificuldade de segurar vantagens ou consolidá-las, o que resultava em tropeços constantes: apenas duas vitórias foram somadas no primeiro turno, sendo somente uma nas 14 rodadas iniciais.

Nicola foi chamado para apagar o incêndio e, assim como fizera com o Genoa em 2019/20, tomou medidas básicas para conseguir a terceira salvação em sua carreira como técnico. Em ano menos brilhante de Belotti – em que pese a sua importância para a equipe, demonstrada pelos números –, o treinador fez o feijão com arroz, apostou na retomada do 3-5-2 ao qual o grupo estava acostumado e potencializou jovens jogadores, como Bremer e Singo. Ademais, contou com dois reforços importantes no inverno. Mandragora e Sanabria se integraram rapidamente ao grupo e foram preponderantes para resultados vitais para a permanência dos piemonteses, como as vitórias sobre Sassuolo e Roma e os empates com Juventus e Bologna.

João Pedro, do Cagliari (Foto: Imago / One Football)

Cagliari

A campanha: 16ª colocação, 37 pontos. 9 vitórias, 10 empates e 19 derrotas.
No primeiro turno: 17ª posição, 14 pontos.
Ataque e defesa: 43 gols marcados e 59 sofridos
Time-base: Cragno; Ceppitelli (Rugani), Godín, Walukiewicz (Carboni); Zappa, Nández, Nainggolan (Rog, Duncan), Marin, Lykogiannis (Sottil); Simeone (Pavoletti), João Pedro.
Artilheiros: João Pedro (16 gols), Giovanni Simeone (6), Leonardo Pavoletti e Charalampos Lykogiannis (ambos com 4)
Garçom: Razvan Marin (5 assistências)
Técnicos: Eusebio Di Francesco (até a 23ª rodada) e Leonardo Semplici (da 24ª em diante)
Os destaques: João Pedro, Nahitan Nández e Alessio Cragno
A decepção: Luca Ceppitelli
A revelação: Gabriele Zappa
Quem mais jogou: João Pedro (37 jogos), Razvan Marin (37), Alessio Cragno e Gabriele Zappa (ambos com 34)
O sumido: Arturo Calabresi
Melhor contratação: Razvan Marin
Pior contratação: Arturo Calabresi

Assim como o Torino, o Cagliari precisava ter um desempenho mais condizente com a sua folha salarial – a nona maior da categoria. A diretoria tentou transformar as ambições em realidade ao contratar Di Francesco, conhecido por promover um futebol ofensivo, mas a aposta no ex-técnico da Roma não foi feliz. DiFra deixou o time na zona de rebaixamento e a salvação foi viabilizada por Semplici, um treinador de preceitos mais conservadores e acostumado a lidar com equipes da parte de baixo da tabela.

Destaque dos sardos, o atacante João Pedro declarou que os jogadores não conseguiram render sob o comando de Di Francesco pela dificuldade em impor pressão continua aos adversários e que o elenco, formado majoritariamente por atletas acostumados com um futebol mais reativo, se adaptou melhor ao que o substituto pedia. A impressão que ficou condiz com o relatado pelo brasileiro: parece que os rossoblù tentaram dar um passo maior do que poderiam e, quando abraçaram um projeto mais humilde, tiveram um rendimento melhor. Aliás, bem superior. Enquanto DiFra teve apenas 21,8% de aproveitamento, Semplici levou o Cagliari a 48,9% – marca que, se repetida ao longo de 2020/21, deixaria a equipe em nono lugar.

Outra diferença importante entre os trabalhos dos treinadores diz respeito a Godín. Até a 24ª rodada, o veterano uruguaio sofreu por ter de recompor em velocidade e com a exposição constante a que o esquema de Di Francesco lhe infligia; na parte final da campanha, mais fixo no modelo fechadinho dos casteddu, voltou a render em bom nível. Constantes nas duas fases da temporada rossoblù, só mesmo João Pedro, Nández, Marin, Zappa e Cragno. É a partir desse núcleo que Semplici construirá um Cagliari todo seu.

Vincenzo Italiano, do Spezia (Foto: Imago / One Football)

Spezia

A campanha: 15ª colocação, 39 pontos. 9 vitórias, 12 empates e 17 derrotas.
No primeiro turno: 13ª posição, 18 pontos.
Ataque e defesa: 52 gols marcados e 72 sofridos
Time-base: Provedel (Zoet); Vignali (Ferrer), Erlic (Chabot), Terzi (Ismajli), Marchizza (Bastoni); Estévez (Pobega, Agoumé), Ricci (Léo Sena), Maggiore; Diego Farias (Agudelo, Verde), Nzola (Piccoli), Gyasi.
Artilheiros: M’Bala Nzola (11 gols), Daniele Verde e Tommaso Pobega (ambos com 6)
Garçom: Simone Bastoni (7 assistências)
Técnico: Vincenzo Italiano
Os destaques: Giulio Maggiore, Tommaso Pobega e M’Bala Nzola
A decepção: Jacopo Sala
A revelação: Giulio Maggiore
Quem mais jogou: Emmanuel Gyasi (37 jogos) e Giulio Maggiore (33)
O sumido: Federico Mattiello
Melhor contratação: Riccardo Saponara
Pior contratação: Federico Mattiello

Grata surpresa da temporada, o Spezia foi um dos participantes mais interessantes da última Serie A e provou que não é necessário investir em medalhões ou em jogadores caros para escapar do rebaixamento. Os bianconeri disputaram a primeira divisão com plantel modesto, recheado de peças remanescentes da campanha na segundona e com um treinador estreante na categoria superior. Além disso, teve a folha salarial mais enxuta entre os clubes do campeonato.

Em seu debute na elite, o time da Ligúria começou agindo bem no mercado. Montou um elenco equilibrado e extenso, com poucos titulares absolutos, permitindo que o técnico Italiano pudesse fazer rodízios e manter a intensidade sempre alta, sem perder em qualidade. Ao longo do ano, o treinador preferiu relegar atletas mais conhecidos e que não se adaptaram, como Mattiello e Sala, em favor de concorrentes com menos grife e maior eficácia, como Vignali e Bastoni. Funcionou.

Tendo o meio-campo como setor mais forte, baseado no ótimo volante Maggiore e nos coadjuvantes Pobega e Ricci, Italiano construiu um time consciente do que fazer em campo: fechar espaços, diminuir o ritmo dos adversários e puni-los com poucos toques na bola. Dessa forma, venceu Milan, Sassuolo, Napoli, tirou pontos de Atalanta, Inter e Roma e ainda ganhou do Torino, adversário direto na briga pela permanência, na penúltima rodada. Com muito mérito – e protagonistas valorizados –, disputará a Serie A pela segunda vez na história.

De Paul, da Udinese (Foto: Imago / One Football)

Udinese

A campanha: 14ª colocação, 40 pontos. 10 vitórias, 10 empates e 18 derrotas.
No primeiro turno: 15ª posição, 16 pontos.
Ataque e defesa: 42 gols marcados (o terceiro pior) e 58 sofridos
Time-base: Musso; Rodrigo Becão, Bonifazi, Samir (Nuytinck); Molina (Zeegelaar), De Paul, Walace, Arslan, Stryger Larsen; Pereyra; Okaka (Llorente, Nestorovski).
Artilheiros: Rodrigo De Paul (9 gols), Roberto Pereyra (5) e Stefano Okaka (4)
Garçom: Rodrigo De Paul (10 assistências)
Técnico: Luca Gotti
Os destaques: Rodrigo De Paul, Juan Musso e Roberto Pereyra
A decepção: Fernando Llorente
A revelação: Jayden Braaf
Quem mais jogou: Rodrigo De Paul (36 jogos), Juan Musso e Rodrigo Becão (ambos com 35)
O sumido: Mato Jajalo
Melhor contratação: Roberto Pereyra
Pior contratação: Thomas Ouwejan

Sem se assustar ou empolgar os seus torcedores, a Udinese teve mais uma campanha mediana na Serie A, com lapsos de genialidade encomendados por De Paul – que faz hora extra no Friuli. Líder da colônia argentina dos bianconeri, o camisa 10 carregou a equipe nas costas, participando diretamente de quase metade dos gols anotados (19 de 42) e sendo um dos melhores jogadores do campeonato. Hoje, Rodrigo é um meio-campista completo.

Se não fosse De Paul – ajudado por Pereyra, Molina e Stryger Larsen – a Udinese teria sido um time ainda mais insosso ofensivamente. O veterano Llorente entregou muito pouco em sua passagem pelo nordeste italiano e não conseguiu desbancar Okaka. O ítalo-nigeriano ganhou a posição de Lasagna no decorrer da temporada e, mesmo sem brilhantismo, foi o mais produtivo do ataque bianconero.

Outro aspecto positivo na Udinese foi a postura defensiva. O trabalho de Gotti não é dos mais inovadores, mas teve um mérito considerável em 2020/21: o de transformar a defesa do time friulano numa das mais difíceis de serem superadas na Itália, mesmo sem a presença de jogadores icônicos no setor. Nesse sentido, os brasileiros Becão e Samir, além do holandês Nuytinck, cumpriram seus papeis de forma exemplar – Bonifazi foi o elo mais vulnerável do setor. Musso teve exibições discretas na temporada, mas se manteve no grupo de goleiros mais cobiçados do país.

Vlahovic, da Fiorentina (Foto: Imago / One Football)

Fiorentina

A campanha: 13ª colocação, 40 pontos. 9 vitórias, 13 empates e 16 derrotas.
No primeiro turno: 14ª posição, 18 pontos.
Ataque e defesa: 47 gols marcados e 59 sofridos
Time-base: Dragowski; Milenkovic, Pezzella, Martínez Quarta (Igor); Cáceres (Venuti), Bonaventura, Amrabat (Pulgar), Castrovilli, Biraghi; Ribéry (Kouamé), Vlahovic.
Artilheiros: Dusan Vlahovic (21 gols), Gaetano Castrovilli (5), Giacomo Bonaventura e Nikola Milenkovic (ambos com 3)
Garçom: Franck Ribéry (6 assistências)
Técnicos: Giuseppe Iachini (até a 7ª rodada e entre a 29ª e a 38ª) e Cesare Prandelli (entre a 8ª e a 28ª)
Os destaques: Dusan Vlahovic, Franck Ribéry e Gaetano Castrovilli
A decepção: José Callejón
A revelação: nenhuma
Quem mais jogou: Dusan Vlahovic (37 jogos), Bartlomiej Dragowski (36) e Nikola Milenkovic (35)
O sumido: Antonio Barreca
Melhor contratação: Giacomo Bonaventura
Pior contratação: Kévin Malcuit

A Fiorentina não concluía a Serie A com uma pontuação tão baixa desde o seu rebaixamento mais recente, em 2002. Contudo, a frieza dos números às vezes nos conta apenas meias verdades. A campanha atual passou longe de ser dramática (como a de 2018/19, na qual a Viola escapou do descenso apenas na última rodada) e ainda terminou com bons augúrios para a gestão de Rocco Commisso, que começa a projetar um caminho ascendente.

As grandes notícias começam por Vlahovic, eleito melhor jogador sub-23 da temporada italiana. O atacante de 21 anos se tornou uma máquina de fazer gols a partir de um trabalho técnico e tático feito por Prandelli, e terminou a competição valorizado de forma proporcional à sua evolução. Além do sérvio, Dragowski, Milenkovic e Castrovilli – outras referências do time – mantiveram o bom nível, ao passo que Amrabat e Martínez Quarta se adaptaram bem a Florença. Há um núcleo com margem de crescimento que pode ser trabalhado.

Naturalmente, não dá para dizer que o desempenho da Fiorentina tenha sido compatível aos gastos com salários (os gigliati têm a sétima maior folha da Serie A), mas o fato é que quase todos os jogadores mais caros do elenco tiveram um bom rendimento individual – a exceção foi Callejón. Os 4 milhões de euros anuais pagos a Ribéry são compatíveis com o brilho intenso que o francês emana, do alto de seus 38 anos. O que faltou, nos últimos tempos, foi um treinador capaz de juntar tanto talento e formar um time competitivo. Iachini certamente não era o nome adequado e Prandelli, que tinha estatura para tal, foi tragado por problemas pessoais. Gattuso interromperá o círculo vicioso?

Mihajlovic, técnico do Bologna (Foto: Imago / One Football)

Bologna

A campanha: 12ª colocação, 41 pontos. 10 vitórias, 11 empates e 17 derrotas.
No primeiro turno: 12ª posição, 20 pontos.
Ataque e defesa: 51 gols marcados e 65 sofridos
Time-base: Skorupski; De Silvestri (Soumaoro), Tomiyasu, Danilo, Dijks (Hickey); Schouten, Svanberg (Domínguez); Orsolini (Skov Olsen, Sansone, Vignato), Soriano, Barrow; Palacio.
Artilheiros: Roberto Soriano (9 gols), Musa Barrow (8) e Riccardo Orsolini (7)
Garçom: Musa Barrow (8 assistências)
Técnico: Sinisa Mihajlovic
Os destaques: Musa Barrow, Roberto Soriano e Rodrigo Palacio
A decepção: Federico Santander
A revelação: Aaron Hickey
Quem mais jogou: Musa Barrow (38 jogos), Roberto Soriano (37) e Rodrigo Palacio (36)
O sumido: Federico Santander
Melhor contratação: Emanuel Vignato
Pior contratação: Adama Soumaoro

A temporada do Bologna terminou de forma muito parecida com a anterior, inclusive em números. Em ambas foi 12º colocado e sofreu 65 gols, enquanto na campanha recém-concluída marcou só um tento a menos. Isso mostra que a defesa continuou a falhar demais e que a evolução planejada por Mihajlovic acabou não acontecendo: brigar por vaga nas competições europeias ainda parece algo distante para o time bolonhês. Olhando o copo meio cheio, os veltri não regrediram.

Para as atuais ambições do Bologna, disputar um campeonato sem riscos está de ótimo tamanho. A missão foi cumprida mais uma vez e, assim como em 2019/20, com as mesmas referências do meio para frente: a regularidade de Soriano, a luta do interminável Palacio e a fantasia objetiva de Barrow. Dessa vez, os altos e baixos de Orsolini foram compensados pela tardia adaptação de Skov Olsen e pela personalidade do ítalo-brasileiro Vignato – cada vez mais maduro e perto de explodir.

A evolução dos jovens jogadores do elenco (há ainda Tomiyasu, Hickey, Svanberg e Schouten) é uma notícia muito boa para o futuro de uma equipe que escalou veteranos como Danilo e o já citado Palacio em pelo menos 35 das 38 rodadas – outros, como Poli e Medel, viram seu espaço reduzido. O brasileiro e o argentino não continuarão no Dall’Ara na próxima temporada, mas há quem os substitua em alto nível.

Davide Ballardini, do Genoa (Foto: Imago / One Football)

Genoa

A campanha: 11ª colocação, 42 pontos. 10 vitórias, 12 empates e 16 derrotas.
No primeiro turno: 16ª posição, 15 pontos.
Ataque e defesa: 47 gols marcados e 58 sofridos
Time-base: Perin; Masiello, Radovanovic, Goldaniga (Zapata); Zappacosta (Ghiglione), Zajc (Pjaca), Badelj, Strootman (Rovella), Criscito (Czyborra); Destro (Scamacca), Shomurodov (Pandev).
Artilheiros: Mattia Destro (11 gols), Eldor Shomurodov e Gianluca Scamacca (ambos com 8)
Garçons: Paolo Ghiglione e Milan Badelj (4 assistências)
Técnicos: Rolando Maran (até a 13ª rodada) e Davide Ballardini (da 14ª em diante)
Os destaques: Davide Zappacosta, Eldor Shomurodov e Mattia Destro
A decepção: Luca Pellegrini
A revelação: Gianluca Scamacca
Quem mais jogou: Marko Pjaca (35 jogos), Ivan Radovanovic (33) e Mattia Perin (32)
O sumido: Jérôme Onguéné
Melhor contratação: Davide Zappacosta
Pior contratação: Jérôme Onguéné

Desde que o Genoa retornou à Serie A, em 2007, só dois técnicos conseguiram ter sucesso no clube: Gian Piero Gasperini e Ballardini. Nascido para comandar os grifoni, o intrépido carequinha novamente fez um bom trabalho na Ligúria e mostrou que merece começar a próxima temporada no cargo. Nas quatro experiências que teve na agremiação rossoblù, sempre assumiu o time com uma campanha em andamento e só uma vez foi mantido – em 2018. Mesmo perto da zona de classificação à Champions League, acabou sendo exonerado.

O presidente Enrico Preziosi talvez não goste do principal atributo que Ballardini dá ao Genoa: estabilidade. Em 2020/21, o treinador aceitou o convite quando os rossoblù estavam na zona de rebaixamento e tornou a equipe estável ao ajeitar a defesa. O setor já funcionava bem com Maran, mas pareceu quase impenetrável em determinados momentos da temporada. Além disso, o comandante potencializou seus atacantes. Destro teve um dos campeonatos mais prolíficos da carreira, Scamacca ganhou a atenção de gigantes como Juventus e Milan, e Shomurodov mostrou ser uma excelente arma em contragolpes.

Ballardini também fez um trabalho eficiente no meio-campo, usando a experiência e a qualidade de Badelj e Strootman para modular o time do Genoa à feição do que cada partida pedia: propositivo e técnico em determinadas ocasiões, mais agressivo e combativo em outras. O treinador também teve méritos na recuperação de Zappacosta, que voltou a atuar bem após uma séria lesão e se revalorizou. Como ala tanto pela esquerda quanto pela direita, foi uma importantíssima válvula de escape para o jogo vertical do Vecchio Balordo.

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