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Quem é Giampiero Ventura, novo técnico da seleção italiana

O novo técnico da seleção italiana tem um perfil calmo, é experiente e se acostumou a fazer muito com pouco. Giampiero Ventura, de 68 anos, passou os últimos cinco anos no comando do Torino, levando o time de Turim a ter bons momentos, ainda que distante dos times do topo da tabela, mas com boas participações na Serie A e até na Liga Europa.

Ele será o comandante da Azzurra com o objetivo, claro, de chegar à Copa do Mundo da Rússia em 2018 e fazer um bom papel. Analisamos a contratação do treinador a partir das opções existentes, o seu histórico em clubes e também a sua forma de trabalhar jogadores e abordagem tática.

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Falta de boas opções

Na Europa, treinar seleções não costuma ter o mesmo prestígio que estar nos grandes clubes, mesmo nos países com tradição de futebol como a Itália. É muito comum que os treinadores das seleções sejam técnicos experientes. Treinar seleções é um trabalho completamente diferente. Alex Ferguson chegou a dizer certa vez que as seleções deveriam sempre ser treinadas por técnicos de mais de 60 anos, porque treinar uma seleção exige experiência. Aparentemente, não é só ele que pensa assim.

Roy Hodgson, 68 anos, é o técnico da Inglaterra; Vicente del Bosque, 65 anos, é o técnico da Espanha; Fernando Santos, 61 anos, é o técnico de Portugal. As exceções estão justamente em dois dos países favoritos ao título. Didier Deschamps, 47 anos, técnico da França; e Joachim Löw, da Alemanha, que tem 56 anos.

Ventura chega à seleção italiana de forma similar a Cesare Prandelli, que dirigia a Fiorentina quando assumiu a Azzurra. Era um técnico ainda com trabalhos em times menores e teve o seu maior destaque justamente no time viola.

Além disso, as seleções pagam menos que os grandes clubes europeus e trazem também menos prestígio. O salário é de cerca de € 1,3 milhão por ano e o contrato até 2018 tem opção de renovação por mais dois anos. As competições que mais chamam a atenção são as de clubes, como a Champions League.

Considerando que as opções especuladas haviam sido Marcelo Lippi e Fabio Capello, dois grandes técnicos, veteranos, mas que há anos não conseguem emplacar bons trabalhos, a escolha de Ventura faz mais sentido pensando que a Itália precisa se modernizar em estilo de jogo.

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História de Ventura

O treinador, natural de Gênova, começou a carreira em 1976 como técnico dos times de base da Sampdoria. Passou por diversos times pequenos nos anos 1980 e já rodou muito pelo futebol italiano. Nos últimos cinco anos, ele treinou o Torino, mas antes disso, ele curiosamente já tinha substituído Antonio Conte. Foi em 2009, quando assumiu o Bari, time comandado por Conte desde 2007, e que aceitou ir trabalhar na Atalanta.

Como treinador do Bari, Ventura levou o pequeno time os Galletti ao 10º lugar na Serie A na temporada 2009/10, com um estilo de jogo atrativo e ofensivo. Na temporada seguinte, com um mercado de transferências ruim, o time não conseguiu sair da zona do rebaixamento ao longo da campanha. Em fevereiro, com o Bari em último lugar, Ventura entrou em um acordo para deixar o clube.

Não demorou muito para voltar ao trabalho. Em junho de 2011, foi anunciado como técnico do Torino, que estava na Serie B. o seu contrato era de apenas uma temporada e ele mostrou trabalho. Mudou a forma do time jogar com a contratação de diversos jogadores, como Angelo Ogbonna, Kamil Glik e Matteo Darmian, todos jogadores que se tornaram base do time ao longo do seu trabalho. Com isso, o Torino garantiu o acesso à primeira divisão com uma rodada de antecedência.

Em 2012/13, Ventura, com contrato renovado, conseguiu manter o time na primeira divisão, a duras penas. O Torino foi o 16º colocado. O clube trouxe alguns reforços para a temporada seguinte, como Jean-François Gillet, Alessandro Gazzi e Alessio Cerci, todos jogadores que trabalharam com Ventura no Pari ou no Pisa.

A sua melhor temporada foi em 2013/14, quando levou o Torino ao sétimo lugar e à classificação à Liga Europa. Foi a sua melhor colocação com um time na Serie A e a sua melhor pontuação como técnico na primeira divisão (57 pontos).

Em 2014/15, o Torino fez uma ótima campanha na competição europeia, levando o clube às quartas de final. Acabaria eliminado pelo Zenit. Ainda naquela temporada, o time venceu a Juventus por 2 a 1, primeira vitória do Toro no dérbi em 20 anos. Terminou a Serie A em nono colocado. Na temporada que acabou este ano, 2015/16, o time foi 12º colocado, novamente fazendo uma campanha tranquila.

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Abordagem tática

O jeito de jogar de Ventura se adaptou ao longo do tempo, com diversas formações utilizadas. Tomando como base o trabalho no Torino, Ventura adotou um estilo de jogo baseado nos meio-campistas pelo lado do campo. Não por acaso, o lateral Bruno Peres, ex-Santos, se tornou um meio-campista pela direita no esquema do treinador, sendo destaque.

Entre as características dos times de Ventura está a qualidade do jogo, na medida do possível dentro dos elencos que tinha, e movimentação pelos lados do campo. Ele não se prendeu a um só esquema tático. No Cagliari, em 1998/99, usou um pouco utilizado esquema com três zagueiros. Também usou três zagueiros no Bari, quando assumiu o time que era dirigido por Conte – que usou o esquema na Juventus e usa também na seleção italiana.

Ele adotou o 4-4-2 na Serie B com o Torino, em um time muito ofensivo. Na Serie A, mudou para um 3-5-1. No Pisa, ele chegou a montar um esquema 4-2-4, com muita ofensividade, na temporada 2007/08. O treinador sabe se adaptar aos jogadores que tem, ainda que não tenha treinado nenhum dos grandes clubes da Itália – chegou a passar pelo Napoli, mas quando o time não estava entre os melhores do país, como é o caso agora.

Vale lembrar que ele recuperou Alessio Cerci, tornando o jogador um destaque da Serie A. Não foi o primeiro caso de jogador que se desenvolveu sob o comando dele. No Bari, os zagueiro Leonardo Bonucci e Andrea Ranocchia, ambos que chegaram à seleção italiana, formaram a defesa e foram para times maiores. Ciro Immobile também cresceu sob o comando do técnico e se tornou atacante da seleção que irá à Eurocopa comandado por Antonio Conte.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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