Itália

Depois de comer o filé, Inzaghi aceita o osso e recomeça carreira na terceira divisão

Filippo Inzaghi retomou sua carreira de treinador em uma realidade que não poderia ser mais diferente da que encontrou durante a temporada em que comandou o Milan. Depois de um ano parado, foi anunciado como o novo técnico do Venezia, que disputará a Lega Pro, terceira divisão do futebol italiano. Assume o cargo em julho, com contrato de dois anos.

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O Venezia teve duas passagens pela elite na virada do século, a última delas na temporada 2001/02. Antes disso, havia disputado a primeira divisão apenas em 1967, quando também subiu para a Serie A apenas para ser rebaixado em seguida. O auge do clube foi o começo dos anos quarenta, quando venceu a Copa Itália de 1941 e foi terceiro colocado no Italiano de 1942.

Não se trata de um grande ou médio clube do futebol italiano, certamente não à altura do nome de Inzaghi. Na Itália, não é incomum que treinadores comecem em times menores, por causa das licenças exigidas pela Federação Italiana, mas o ex-atacante já possui a sua (clique aqui para ler seu TCC, “Uma mentalidade para ser vencedor”), tanto que treinou o Milan. Mesmo assim, recomeça pelos níveis inferiores da pirâmide.

Muitos técnicos em começo de carreira, principalmente nomes importantes do passado que ganham chances precoces em clubes grandes ou seleções pelo que fizeram com a bola nos pés, resistem a dar um ou dois passos para trás quando a primeira oportunidade não dá muito certo. Começam pelo mais alto nível e já se consideram prontos para se manter apenas nele. Às vezes, funciona, como foi o caso de Guardiola (que teve, como Inzaghi, passagens pelas categorias de base antes de assumir o time principal).

Na maioria dos casos, porém, queimam etapas e ignoram o valor da experiência que trazem as dificuldades de trabalhar em times mais pobres, com estruturas defasadas e em ligas menos organizadas. Conhecimentos que não são encontrados em cursos e livros. Decisões que precisam tomar e nas quais nunca haviam pensado durante a carreira de jogador. Situações estranhas à elite do futebol. Não são aspectos necessariamente essenciais, mas ajudam na formação de um profissional mais completo.

Isso tudo está à disposição de Inzaghi, e cabe a ele aproveitar a oportunidade para crescer como técnico. Não teve uma boa passagem pelo Milan: foi décimo colocado no Campeonato Italiano e caiu nas quartas de final da Copa Itália. Pippo pode não se tornar um grande técnico, mas ninguém pode acusá-lo de não estar tentando. Depois de comer o filé, aceitou o osso.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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