Serie A

Presidente da Serie A culpa instabilidade política pelo estado desastroso dos estádios na Itália

Lorenzo Casini, homem-forte da Serie A italiana, falou sobre as muitas críticas que têm sido feitas aos estádios que abrigam o campeonato -- e apontou o fato político como principal culpado

Um dos problemas mais conhecidos de todo o futebol europeu é o estado dos estádios italianos. A tão falada e necessária renovação desses equipamentos no país é considerada uma prioridade há muito tempo, mas nunca acontecem. Para o presidente da Lega Serie A, Lorenzo Casini, as questões burocráticas e políticas são as culpadas para que essa modernização não aconteça.

Um dos principais problemas é porque os estádios estão nas mãos do poder público, o que impede que eles sejam efetivamente reformados ou, em alguns casos, demolidos para a construção de novos. É o caso de Milão, por exemplo, que vive um dilema burocrático e político. Milan e Internazionale queriam derrubar o atual San Siro para construir um estádio do zero.

O atual San Siro foi inaugurado em 1926 e reformado quatro outras vezes. Os clubes explicaram por que decidiram demolir San Siro e construir um estádio novo. Só que isso tudo foi barrado pelo poder público, o que faz com que tanto Inter quanto Milan busquem opções de construção de novos estádios nas imediações de Milão.

Casos similares acontecem em outros lugares, como Roma. Tanto que a Roma pensa em um novo estádio também nas imediações da cidade. E é um problema que vários clubes enfrentam. Atalanta e Juventus são exceções que construíram seus novos estádios.

A Juventus entrou em acordo com a prefeitura de Turim para comprar o antigo Delle Alpi, o demolir e construir o atual Allianz Stadium. Os benefícios em termos comerciais e de receitas são grandes. Estádios como San Siro acabam limitando as receitas que os clubes conseguem, além de questões estruturais.

Essa questão burocrática precisará ser resolvida, porque a Itália conquistou o direito de sediar a Eurocopa de 2032, junto com a Turquia. Embora o fato de dividir diminua o número de estádios necessários, ainda será preciso renovar os estádios atuais.

Foi algo que o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, deixou claro em entrevista. Desde que imaginou sediar a Euro, a ideia sempre foi usar o evento para renovar seus estádios. Isso, claro, se a política e a burocracia deixarem.

“Para a indústria você precisa de fábricas e para o futebol você precisa de estádios. Se olharmos para a situação dos estádios na Itália, ela é desastrosa. Há um problema administrativo legal com os municípios. O futebol italiano ainda é o mais competitivo, mesmo se olharmos as outras ligas ou nas partidas que não são as principais”, afirmou Lorenzo Casini.

Para o presidente da Serie A, há um problema político grave porque a instabilidade do país na área política impede que qualquer projeto de longo prazo e que precisa necessariamente envolver as autoridades prospere.

“O esporte não pede por dinheiro, mas pedimos que sejamos colocados em uma posição de produzir mais recursos. Uma exceção é representada pelo Viola Park da Fiorentina”, disse Casini. “Em 30 meses e com mais de 110 milhões de euros, Rocco Commisso criou um centro que o presidente (Aleksander) Ceferin colocou no mais alto patamar europeu. Contudo, as coisas podem ser feitas com dificuldade e a questão burocrática é fundamental”.

Venda dos direitos de TV da Serie A ainda causa polêmica

Um outro tópico que Casini respondeu foi sobre a venda de direitos da Serie A. Foi fechado um acordo de cerca de 900 milhões de euros por ano, em uma divisão entre DAZN, que ficou com o pacote principal com todos os jogos e pagará 700 milhões de euros por ano, e a Sky Sport Italia, que terá um pacote menor de jogos e pagará 200 milhões de euro por ano.

O acordo de quatro temporadas (2024 a 2029) não agradou o presidente do Napoli, Aurelio De Laurentiis, que foi até dramático ao dizer que assim o futebol italiano “irá morrer”. Casini não quis polemizar e ressaltou o fato De Laurentiis poder manifestar sua opinião livremente.

“Eu agradeço a De Laurentiis, que confirma como a nossa liga é uma associação democrática onde os times podem expressar suas diferentes posições, então neste caso foi alcançada uma decisão de uma larga maioria”, afirmou Casini.

“Além do mais, o Ministro do Esporte, Andrea Abodi, confirmou a validade do acordo em um contexto difícil onde todas as ligas, incluindo a Premier League, estão sofrendo para conseguir preços mais altos do que eles estavam acostumados a conseguir”, continuou o dirigente.

Havia a expectativa que os direitos de TV da Serie A para o ciclo 2024-2029 ultrapassasse 1 bilhão de euros, mas a proposta ficou muito próxima ao ciclo anterior. Tem sido uma tendência no mundo todo: a França também esperava mais de 1 bilhão de euros pelo contrato de quatro anos que está negociando, mas não houve nenhuma proposta nesse sentido.

Mesmo a Premier League sofreu com isso com uma redução no último contrato e a expectativa que esse acordo possa diminuir de novo em uma negociação que deve começar em breve. No Brasil, os dirigentes achavam que podiam conseguir de 3 a 4 bilhões de reais por ano pelo Campeonato Brasileiro para o ciclo 2025-2029, mas a Globo fez proposta de R$ 1,7 bilhão (com o grave problema que por aqui ainda não há liga e nem se sabe se haverá algum dia).

Com todo esse cenário, o acordo da Serie A não foi ruim. Mas a expectativa é a mãe da frustração, porque a ideia era tentar diminuir a distância da Premier League, o que não deve acontecer a curto prazo.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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