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Parma declara falência e terá ajuda financeira para terminar a temporada

Como já era esperado pela grande maioria que acompanhava a situação do Parma, a audiência marcada para esta quinta-feira decretou a falência do clube. A bancarrota era tão inevitável que a audiência sequer durou mais que dez minutos. O clube sequer chegou a contestar as dívidas. Representando os credores da agremiação por causa da ausência do presidente Giampietro Manenti, preso nesta quarta, Osvaldo Riccobene e Enrico Siciliano pediram a bancarrota, aceita pelo promotor. Com o respaldo financeiro do futebol italiano, o time disputará o restante da temporada e agora aguarda um novo comprador, que será definido em um leilão.

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A Lega Serie A e a Federação Italiana se juntaram para apresentar um plano de financiamento dos custos do clube para as partidas restantes no campeonato. O dinheiro virá de um fundo para o qual vão todas as multas pagas por clubes afiliados à entidade, e a ideia é aprovada pela imensa maioria dos times da elite. Apenas o Cesena foi contra, enquanto Roma, Sassuolo e Napoli se abstiveram.

Em declaração antes da audiência, o meia Galloppa deu uma dimensão da incerteza que cerca o elenco da equipe. “Estamos esperando por notícias do tribunal, mas está bem claro como tudo irá acabar. À tarde jogaremos um amistoso contra o Fidenza, estamos seguindo nosso trabalho e nosso dever e depois veremos se jogaremos no domingo ou não. Dependerá de muitas coisas, mas hoje teremos este amistoso para nos distrair”, disse o atleta.

Há diversos fatores, estruturais e culturais do futebol italiano em si, que contribuíram para o Parma chegar à situação em que se encontra hoje. Mas o mais determinante foi o do peso que as atitudes dos últimos presidentes tiveram sobre a saúde financeira da agremiação. Tommaso Ghirardi, que presidiu entre 2007 e 2014, já sabia quando deixaria o clube e não se preocupou em começar a sanar alguns problemas financeiros. Responsáveis pela fiscalização, a FIGC e a Lega Serie A fizeram vista grossa para os problemas, que estouraram de uma vez, fazendo parecer que a crise financeira dos gialloblù veio “do nada”.

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A crise financeira por si só parecia mais do que o bastante para o caos no Parma, mas os problemas cercando a agremiação cresceram ainda mais com a prisão de seu presidente, Giampietro Manenti, nesta quarta-feira, por suposto uso de cartões de crédito roubados ou clonados, disfarçando o dinheiro ilegal como receita de patrocínios ou compra de equipamentos.

O Parma já sofreu com falência em 2004, quando explodiu uma dívida de € 13,2 bilhões da Parmalat, então dona do clube, o que inevitavelmente acabou refletindo na equipe. Assim como naquela época, o futuro do Parma parece incerto. Agora, no entanto, pesa também a situação financeira mais grave que assola o futebol italiano. A recuperação deverá demandar mais trabalho. Resta apenas a esperança de que algum dia possamos ver um time de tamanha tradição com uma administração inteligente e sustentável – e, sobretudo, limpa.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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