Serie A
Tendência

Novo presidente da Juve: “Defenderemos o clube com determinação, calma e sem nenhum sinal de arrogância”

A Juventus oficializou a passagem de bastão no comando e o ex-presidente Andrea Agnelli, depois da demissão em massa no clube por acusações de fraude, ainda defendeu a Superliga Europeia

A nova diretoria da Juventus tomou posse nesta quarta-feira, durante a assembleia do clube. E para quem esperava uma mudança de rumos, após a demissão em massa da gestão encabeçada por Andrea Agnelli, em consequência de uma série de acusações por fraudes financeiras, os primeiros discursos enfatizaram como a cartilha segue parecida. O presidente Gianluca Ferrero não deixou de agradecer Agnelli, enquanto projeta um trabalho duro diante das instabilidades. Não houve um discurso mais incisivo para distanciar os bianconeri das acusações e do prejuízo financeiro.

“Assumo como presidente da Juventus com orgulho e emoção. Quero agradecer a todos os meus predecessores, incluindo alguns com os quais compartilhei parte da minha vida. Em particular, quero agradecer a Andrea Agnelli, que me presenteou com uma camisa da Juventus no final de nossa reunião de hoje. Espero estar à altura da tarefa, honrando-a como merece”, afirmou Ferrero, que é nascido em Turim e formado em Economia. O novo presidente atuou em diferentes posições como administrador, inclusive em funções ligadas ao Tribunal de Turim.

“Minha primeira mensagem é para a torcida, que sempre foi a força do time. Recentemente falei com alguns deles e ouvi suas dúvidas e medos sobre o futuro do clube. Quero ser claro que, quando aceitei esse cargo, fiz com o objetivo de dar meu melhor pela Juventus. Junto com a direção, trabalharei para construir um futuro alinhado com o passado glorioso. É o clube mais forte do futebol italiano. Estou falando de todos que trabalham dentro e fora de campo no clube”, complementou.

Sem mencionar diretamente o caso, Ferrero também indicou as consequências das acusações atuais contra a Juve: “Como vocês sabem, enfrentaremos grandes desafios nos próximos meses. Acreditamos que temos a experiência e a competência para defender a Juventus. Faremos isso com determinação, calma e sem nenhum sinal de arrogância. Sempre respeitamos aqueles que nos julgarão e exigimos o mesmo respeito para discutir as razões de nossas ações. Muito obrigado”.

Na mesma linha, o novo CEO da Juventus, Maurizio Scanavino, também não atacou os problemas da gestão anterior. O executivo ressaltou o trabalho de muita gente que segue no comando do clube, mas pareceu dar de ombros ao escândalo, falando sobre “sustentabilidade financeira” e “planejamento comercial”. Scanavino era executivo da Exor – a companhia pertencente à família Agnelli, com investimentos amplas áreas, incluindo a própria Juventus.

“Vou garantir o máximo comprometimento para a Juventus, oferecendo minha experiência adquirida em outras empresas e setores. Encontrei pessoas motivadas, trabalhando com paixão, e projetos pensando num futuro de longo prazo. Estou falando de pessoas como Allegri, Cherubini, Braghin, Montemurro, mas também todos aqueles trabalhando em outros campos, como administração e marketing”, declarou.

“Existem muitos projetos fora da área esportiva. O principal deles é ampliar o público da Juventus, mirando uma audiência jovem e internacional. Certamente, graças à nossa comunicação, valores e história, podemos atingir essas metas empolgantes. Falando em metas, os objetivos e motivações não mudam. A Juventus conseguiu igualar vitórias em campo com sustentabilidade financeira e planejamento comercial. Pretendemos fazer o mesmo no futuro”, finalizou.

E o evento da Juventus ainda contou com uma aparição pública de Andrea Agnelli. O agora ex-presidente fez um discurso em que destacou o seu período à frente do clube. Não se defendeu das acusações e reiterou sua posição de apoiar a criação de uma Superliga Europeia. Diante do escândalo ao redor da Velha Senhora, o torneio supranacional ganhou mais contornos de uma “tábua de salvação” diante das dificuldades dos juventinos com suas finanças.

“Nossa proposta era criar um sistema para as principais ligas europeias, que visava aumentar a estabilidade, mantendo o equilíbrio entre competições nacionais e europeias. Se eu quisesse manter minha posição privilegiada como presidente da Associação de Clubes, não teria tomado certas decisões em 2021. O futebol europeu precisa de mudanças estruturais, caso contrário iremos declinar, favorecendo a Premier League, que vai dominar. Os atuais reguladores não querem ouvir sobre os problemas do futebol. Eles estão numa posição de monopólio e espero que o Tribunal Europeu reconheça a posição dominante da Uefa”, afirmou Agnelli.

“Para mim, os dirigentes não deram uma resposta adequada, não evoluíram e não veem a diferença entre o jogo e o negócio. As diferenças estão se tornando mais e mais evidentes. Como membro da Uefa e presidente da Associação de Clubes, a análise era clara. O sistema não era sustentável, e os clubes eram os únicos a correr riscos. Houve insatisfação da torcida e fomos criticados ao enfatizar isso, o que está se tornando cada vez mais claro àqueles que gerem os clubes de nível médio”, também comentou o ex-presidente. Ainda não há posição oficial da nova diretoria em relação à Superliga.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo