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Nos sete minutos finais, a virada da Fiorentina: até quando o Milan continuará dando vexame?

Olhando no papel, é preciso admitir: o Milan possui um elenco mediano, no máximo. E a campanha dos rossoneri na Serie A consegue ser ainda pior do que o próprio time sugere. Décima colocação na tabela, com apenas duas vitórias em 11 partidas pelo torneio em 2015 – justamente contra os últimos colocados, Parma e Cesena. Nesta segunda, mais um vexame. Os milanistas venciam a Fiorentina dentro do Estádio Artemio Franchi até os 38 minutos do segundo tempo, mas permitiram a virada. E contra um mistão da Viola, que poupou algum de seus principais nomes pensando no jogo contra a Roma na Liga Europa, na próxima quinta.

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Honestamente, o Milan ia dando sorte ao conquistar os três pontos em Florença. A Fiorentina foi amplamente superior durante os 90 minutos e só não abriu o placar no primeiro tempo porque o travessão impediu. No início da segunda etapa, Destro deixou os rossoneri em vantagem. Contudo, Joaquín saiu do banco para resgatar o time. Em dois gols pelo alto, o espanhol serviu Gonzalo Rodríguez e decretou a virada aos 44 do segundo tempo. E isso porque Kouma Babacar e Mohamed Salah, principais referências ofensivas dos violetas, sequer precisaram sair do banco.

Só mais um episódio que se renova aos vexatórios meses do Milan. É certo que o clube não possui a mesma fortuna de outros tempos, com a crise econômica afetando em cheio Silvio Berlusconi. Mas o problema não é só esse. Os investimentos nos últimos tempos não foram dos melhores, com diversas contratações sem render o que se esperava. E o pior não é isso, mas a falta de padrão do time. Algo que deve encurtar a passagem de Filippo Inzaghi por Milão, no máximo, até o final da temporada. A sorte dele é a boa relação com os dirigentes, algo que, por exemplo, minou o caminho de seu antecessor, Clarence Seedorf.

Falta proteção defensiva e falta repertório no ataque. A bola parece queimar nos pés do Milan, que não pensa o jogo como deveria. As jogadas quase sempre são resultados de tentativas individuais, com Ménez e Keisuke Honda sendo os principais respiros da equipe – ainda que o japonês esteja muito aquém do que se apostava. O próprio gol desta segunda reflete um pouco isso, em uma bola espirrada que Destro acabou desviando dentro da área.

Nesta temporada, já não há muito o que esperar do Milan. Longe até da Liga Europa, ao menos o clube também está distante do rebaixamento. E o primeiro passo para ir além não deverá ser dentro de campo, mas nas ideias. Os rossoneri dependem de renovação sobretudo nas ideias, e em diversos setores. Na direção, no comando técnico e até mesmo em quem organiza o time com a bola nos pés – um novo Pirlo, que tanta falta faz depois da péssima avaliação feita sobre o veterano. Mas, do jeito que está, fica difícil ter alguma esperança.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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