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Noi siamo con te, MagicAntonio

Foi um susto. No desembarque do Milan em Milão, após o jogo contra a Roma no sábado, Antonio Cassano sentiu-se mal, com tonturas, cansaço, mal conseguia falar. Foi levado a um hospital, onde foi internado. A agência de notícias italiana Ansa foi a primeira a trazer a informação que teria sido um acidente vascular cerebral isquêmico, o que acabou sendo confirmado pelo Milan e pelo hospital. Cassano passará por uma cirurgia no coração que o afastará do futebol por diversos meses, mas não deixará sequelas. Isso significa que o jogador poderá voltar a jogar.

Segundo foi informado pelos dirigentes do Milan, Cassano tem um forame oval no septo cardíaco, que só foi identificado “graças a sofisticados exames médicos” – o que nos leva a crer que esse é um problema que pode estar presente em diversos outros jogadores pelo mundo e, por isso, é preciso que esse exame seja incorporado pelos clubes de futebol.

O mais importante neste momento é que Cassano não corre risco de morte e, mais do que isso, não terá qualquer sequela e poderá voltar a jogar. Segundo o vice-presidente Adriano Galliani, homem forte do futebol do Milan, Cassano deve ficar afastado do futebol por um período de quatro a seis meses, o que, na verdade, pouco importa. O mais importante não é o tempo de recuperação, mas sim que ele volte quando estiver 100% recuperado, sem qualquer risco de um novo problema.

Siamo com te, MagicAntonio!

Squadra di scudetto

 

Voltando a falar de futebol, o Milan e a Juventus deram demonstrações de força no fim de semana. Venceram dois clássicos difíceis fora de casa e consolidaram suas posições entre os primeiros colocados na tabela. E foram demonstrações que são times que podem brigar pelo scudetto ao final da temporada.

Jogando no estádio Olimpico, em Roma, o Milan foi bem no jogo contra a Roma. Teve, mais uma vez, Ibrahimovic como jogador decisivo. Ele marcou duas vezes na partida, ambas de cabeça. Esse é um ponto comum com o time da temporada passada: o sueco é decisivo para os rossoneri. Tem sido assim e deve continuar sendo. Só que o time mudou em relação à temporada passada. E mudou em um setor fundamental.

O meio-campo do Milan se renovou. Andrea Pirlo foi para a Juventus, Gattuso foi para o banco (e passa por um problema de saúde no olho, mas retornará aos gramados em meados de 2012). Massimo Ambrosini, um líder do time, também foi para o banco de reservas. Aos poucos e sem alarde, dois contratados para o setor ganharam seu espaço.

Antonio Nocerino chegou do Palermo quase de graça – veio por cerca de € 500 mil – e, sendo jogador de seleção italiana, entrou no time aos poucos e acabou ganhando um lugar. Até já chegou a marcar três gols no jogo contra o Parma, quando foi chamado pela imprensa italiana de “Nocerinho” – em referência aos jogadores brasileiros que costumam ter essa terminação como apelido.

Outro contratado foi Alberto Aquilani, que veio por empréstimo do Liverpool depois de uma passagem boa pela Juventus na temporada passada. Apesar do acordo ser um empréstimo, o Milan tem o compromisso de compra do meio-campista ao final da temporada. O jogador também entrou devagar no time, mas tornou-se titular.

O terceiro ponto do meio-campo é o que menos aparece, mas que faz um trabalho fundamental. É Mark van Bommel, o guardião da zaga, que atua como o primeiro volante que faz o trabalho mais intenso de marcação. Ele segura as pontas para que Aquilani, pela direita, e Nocerino, pela esquerda, tenham mais liberdade para eventualmente avançar. O trabalho de Van Bommel é muitas vezes diminuído pela sua agressividade, que às vezes é exagerada. Sendo justo, o volante não tem sido desleal e sua força na marcação virou um pilar nesse meio do Milan. Completa esse setor o ótimo ganense (pode chamar de ganês também que o dicionário deixa) Kevin-Prince Boateng, que como trequartista, tem feito um trabalho excelente.

A perda de Cassano, possivelmente para o resto da temporada, é uma baixa considerável porque o atacante tornou-se o titular do time, à frente de Robinho e Pato. Suas atuações pela seleção italiana, onde vinha sendo fundamental, fizeram Massimiliano Allegri dar oportunidade para o camisa 99 ser titular do time, e ele vinha correspondendo. Sendo fundamental, como foi no jogo da rodada passada contra a Roma. Robinho deve herdar a vaga no time e, se repetir a temporada passada, quando ajudou o Milan a conquistar o título com assistências e com 14 gols, pode ajudar o time a levar o scudetto novamente.

E o adversário pode ser a Juventus. Ainda é cedo para cravar, mas o time de Antonio Conte reviveu. E se Pirlo já não era toa fundamental ao Milan, na Juventus ele tem um papel fundamental. Desfila o bom futebol e ajuda um talento como Claudio Marchisio a jogar melhor. Tanto que Marchisio virou peça-chave não só no clube de Turim, mas na Azzurra. E em ambas, ao lado de Pirlo.

Alessandro Matri mostra que foi a melhor contratação da Juventus entre as muitas feitas. Vucinic oscila mais, mas é um jogador que tem ajudado e pode ser importante ao time. Assim como Arturo Vidal, o multi-homem, que melhora o meio-campo com marcação e saída para o jogo com qualidade.

A Juventus pode ser a grande concorrente para o Milan. A volta de uma gigante como a Juventus à disputa do título será importante para o futebol italiano, que precisa de times fortes para melhorar também sua posição no cenário europeu. Uma camisa como a da Vecchia Signora precisa desfilar também em cenário continental. E com a tradição que merece – como aquela mítica final da Liga dos Campeões de 2003.

 

Tabellino

– A Inter continua sua caminhada trôpega. O time melhorou e teve um desempenho até razoavelmente bom contra a Juventus no Derby d’Italia, mas ainda é pouco. Precisa de resultados e que seus melhores jogadores decidam mais.

– A Roma pode ter perdido, mas o trabalho de Luis Enrique ainda parece promissor. O time já tem um estilo de jogo presente e, com os devidos ajustes, será equipe para brigar entre os primeiros. Resta saber se haverá paciência para que ele permaneça.

– Se a Roma ainda se acerta, a rival Lazio parece cada vez mais uma equipe para brigar por vaga europeia. E com o tridente Hernanes-Cissé-Klose, tem um dos ataques mais letais da Serie A.

– A Udinese é um bom time, bem armado e pode incomodar muito, especialmente porque Di Natale mostra, a cada semana, que é um jogador especial. O que faz pensar que até mesmo o técnico Cesare Prandelli deve começar a considerar levar o jogador para a Eurocopa. Pode ser útil.

– O Torino segue muito bem na Serie B, liderando com 32 pontos, à frente do Pescara, que tem 28. Só que os Delfini engataram nada menos do que cinco vitórias consecutivas e contam com o artilheiro do campeonato – Marco Sansovini, com nove gols, empatado com Francesco Tavano, do Empoli – e o vice-artilheiro, Ciro Immobile, com oito. É bom ficar de olho no time comandado por Zdenek Zeman.

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Equipe Trivela

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