Serie A

Giroud vai para o gol e garante triunfo do novo líder Milan em cima do Genoa

Jogo teve mais de 80 minutos fracos, mas gol no fim de Pulisic e expulsões dos dois goleiros trouxeram emoção; Milan ultrapassou rival com vitória e lidera Serie A

Por mais de 80 minutos, o jogo entre Milan e Genoa foi sem graça e de poucas oportunidades. Até que aos 43 do segundo tempo, Christian Pulisic marcou um gol polêmico, com reclamação de domínio com a mão. Os acréscimos da partida pela oitava rodada da Serie A contou com a expulsão dos dois goleiros Mike Maignan e Josep Martínez e o atacante Oliver Gioud, do time de Milão, teve que vestir as luvas para defender a meta rossonera nos minutos finais.

A vitória do Milan neste sábado (7) no Estádio Luigi Ferraris deu a liderança do Campeonato Italiano ao time de Stefano Pioli, chegando aos 21 pontos, abrindo dois de vantagem para então líder Inter de Milão, que apenas empatou com o Bologna.

Milan tem posse de bola estéril e não incomoda Genoa

Lidando com o calendário apertado, com apenas três dias de descanso do empate com o Borussia Dortmund pela Champions League, Stefano Pioli poupou todo seu trio de ataque: Noah Okafor, Luka Jovic e Samuel Chukwueze entraram nos lugares de Rafael Leão, Oliver Girou e Christian Pulisic. Yacine Adli ganhou uma (rara) oportunidade no meio-campo ao lado de Tijjani Reijnders e Yunus Musah, enquanto Alessandro Florenzi deixou David Calabria no banco de reservas para atuar na lateral direita.

Por outro lado, Alberto Gilardino retornou ao esquema com quatro defensores no 4-5-1 ao invés dos três zagueiros que tem utilizado algumas vezes na temporada. O histórico ex-jogador do Milan também teve que lidar com as ausências dos lesionados Milan Badelj, Kevin Strootman e principalmente Mateo Retegui, motivo que deixou o artilheiro Albert Guðmundsson sozinho no comando de ataque.

Muita intensidade marcaram os minutos iniciais, com boas chegadas dos dois lados. Com oito, o banco de reservas, incluindo o técnico Gilardino, ficaram loucos com um possível pênalti em Johan Vásquez, que sofreu um trança-pé do adversário dentro da área, mas o árbitro mandou o jogo seguir e puniu o treinador do Genoa com cartão amarelo pela forte reclamação.

Apesar da velocidade do jogo e a posse de bola levemente a mais com o MIlan, os goleiros pouco fizeram nos primeiros 15 minutos, apenas uma fácil defesa de Josep Martínez em chute de Florenzi de fora da área. O Rossonero voltou a fazer o goleiro espanhol trabalhar, quando aos 16 minutos Chukwueze recebeu para ponta direita e cruzou rasteiro para Reijnders finalizar em cima de Martínez. Com o término da jogada, o bandeirinha assinalou impedimento.

O Genoa utilizava bem os lados do campo com velocidade e por pouco Haps não saiu em direção ao gol com o campo livre, mas Florenzi apelou, segurou o jogador e sofreu cartão amarelo. Com quase 30 minutos, outra boa jogada rápida pelo lado resultou em grande jogada individual de Vásquez, que cortou para o meio, limpou dois adversários e finalizou na marcação. Na sobra, Morten Frendrup isolou.

Como já mostrou algumas vezes nessa temporada, o time de Pioli, quando tem mais a posse, encontra uma defesa fechada e precisa rodar a bola para encontrar espaços, tem dificuldades. Foi o que aconteceu no jogo, principalmente pela ausência de Rafael Leão, melhor jogador do time e com capacidade de quebrar linhas com o drible – coisa que Okafor e Chukwueze não conseguiam. Um exemplo do “arame liso” que foi o Milan na etapa final é Jovic, que tocou na bola apenas nove vezes em 46 minutos.

Pulisic coloca time a liderança com gol polêmico; Goleiros Maignan e Martínez são expulsos e agitam final

Para mudar o cenário do primeiro tempo, Pioli colocou os titulares Leão e Pulisic para as saídas de Okafor e Chukwueze. Entretanto, as entradas não surtiram efeito no Milan, com os principais jogadores mal recebendo a bola. Quando teve a chance, o craque português bem aberto na esquerda encontrou ótimo passe para Reijnders, que chutou em cima da marcação e viu Florenzi finalizar torto na sobra.

O Genoa de Gilardino deu aula de como se defender. A linha de cinco protegia muito bem os quatro defensores (às vezes cinco com Stefano Sabelli fechando o lado direito) e o goleiro da equipe, enquanto o Milan rodava a bola e não encontrava uma lacuna sequer.

Quando aos 20 minutos, o clube de Gênova se lançou ao ataque, o Rossonero encontrou seu espaço. Musah carregou pela direita e tocou para Florenzi, pela primeira vez na ultrapassagem para linha de fundo. O lateral cruzou na segunda trave e Rafael Leão apareceu para cabecear, obrigando Martínez a fazer bela defesa, a mais difícil do jogo.

Oliver Giroud entrou logo depois para dar mais presença aérea no ataque – ao invés de Jokic, quem saiu foi Adli, assim como Florenzi, para entrada do titular Calabria. Na sequência, o atacante Caleb Ekuban e o meia Berkan Kutlu entraram na partida no time de Gilardino.

Diferente do imaginado, as mudanças melhoram o Genoa, que agora tinha mais gente para atacar e conseguia ocupar mais o campo de ataque. Em boa trama pela direita, o zagueiro Radu Drăguşin apareceu com espaço fora da área e arriscou o chute. A bola desviou em Reijnders e obrigou Maignan a se esticar todo e defender no cantinho. O Milan conseguiu reagir logo após cruzamento de Calabria e tentativa de voleio de Jokic. A bola tinha direção, mas parou na defesa.

Aos poucos, o time de Milão foi empurrando o adversário e ocupando totalmente o ataque. Cada vez mais próximo da área, o gol parecia questão de tempo – e aconteceu. Com 43 minutos, um novo cruzamento de Musah pela direita chegou em Pulisic a marca do pênalti. O norte-americano dominou com um belo giro e finalizou de canhota, superando finalmente Martínez. O VAR teve que analisar o lance porque no domínio a bola teria supostamente pego no braço do jogador, mas o gol foi validado, apesar da incerteza com as imagens da jogada.

O Genoa teve sete minutos de acréscimos para tentar igualar o placar, pressionou e em um lançamento para o campo de ataque, Maignan subiu com o joelho na altura do pescoço de Ekuban. Naquele momento, o árbitro não viu o lance, mas o VAR recomendou a revisão e o goleiro rubro-negro foi expulso e a falta marcada na entrada da área. Sem mais substituições, Giroud teve que vestir as luvas e ocupar o gol. Guðmundsson cobrou falta rasteira, a bola desviou e explodiu no travessão; Tomori afastou para escanteio. Na cobrança, a bola não encontrou ninguém e o goleiro Martínez, dentro da área, deu um carrinho e tomou o segundo cartão amarelo, sendo também expulso. Nicola Leali entrou para ocupar a meta do Genoa.

O final maluco ainda teve tempo de uma defesa de Giroud, que deu um soco na bola ao dividir com George Pușcaș e garantiu a vitória.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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