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Mesmo aos trancos e barrancos, o Milan conseguiu voltar ao seu palco preferido: a Europa

Às vésperas da pré-temporada, a diretoria do Milan decidiu jogar suas fichas em Montella para assumir o comando técnico do time e tentar fazer com que os rossoneri voltassem a alcançar voos mais altos. Era o sexto treinador passando pelo clube nos últimos três anos, mas com um diferencial: seus objetivos eram muito coerentes. Desde que foi apresentado na Casa Milan, Aeroplanino, como é carinhosamente chamado o ex-atacante, sempre deixou claro que sua meta era conseguir a classificação para uma competição europeia. Sem ilusões de brigar pelo título da Serie A, estar entre os primeiros na tabela ou classificar direto para a Champions, ainda que tudo isso tenha sido possível no grande primeiro turno que o Diavolo fez. Voltar à Europa era a meta desde o início da temporada, e ela foi cumprida neste domingo. Depois de fazer 3 a 0 no Bologna na penúltima rodada do Campeonato Italiano, o Milan se garantiu na Liga Europa, mesmo aos trancos e barrancos em 2016/17.

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Foi uma campanha mais difícil do que Montella poderia imaginar. O técnico sabia que não tinha as melhores peças em mãos e reconhecia todas as restrições do Milan em termos de elenco e institucionalmente. Tudo começou bem, com o Diavolo engatando uma longa sequência de vitórias no primeiro turno e chegando a ficar entre os três primeiros na tabela. No decorrer de 2016/17, entretanto, o contexto fora de campo foi se complicando ainda mais, ainda que a perspectiva, na verdade, fosse de melhorias. As negociações da venda do clube acabaram se prolongando demais e isso certamente interviu nos resultados dentro de campo, mesmo que Montella tenha blindado ao máximo os jogadores dos imbróglios relacionados à parte administrativa e financeira da agremiação e não tenha se deixado levar em meio a um cenário bastante confuso e incerto. Quando o returno começou, o Milan entrou em queda livre na classificação, e os pontos que anteriormente tinha perdido em jogos relativamente fáceis começaram a fazer muita, mas muita falta.

Para agravar o baque, soltaram a bruxa em Milanello e muitos jogadores se contundiram. Bonaventura, a cabeça pensante do meio-campo milanista, foi um dos que se lesionaram, e talvez a principal baixa para o Milan. Isso tanto por conta do tempo da lesão (aconteceu em janeiro e ele só voltará na pré-temporada de 2017/18), quanto pelo grande problema do Milan nesta época ter sido a baixa produtividade no setor do meio em termos de criação, passe e etc, e a ausência de Bonaventura piorou isso. Ainda teve a concretização da venda do clube acontecendo na segunda metade da temporada, com os bastidores do clube se reestruturando da noite para o dia depois de três décadas da gestão de Silvio Berlusconi. Foram fatores que não chegaram a abalar completamente o time nas quatro linhas, já que Montella trabalhou muito bem isso com os atletas e, no geral, foi bem-sucedido nos improvisos que fez frente às perdas, mas que tiveram lá sua influência nesta empreitada rumo à Europa após três anos longe de competições continentais.

É válido dizer que os rossoneri também contaram com uma fase muito conturbada da Internazionale, que chegou a ultrapassá-los na tabela, mas foi caindo, caindo, e pode até mesmo terminar o campeonato em oitavo lugar, atrás da Fiorentina. Os nerazzurri projetaram uma reação bem positiva depois de resultados ruins, mas voltaram ao estado em que estavam antes, e isso é fruto de problemas de gerência. Principalmente de não permitirem trabalhos contínuos, já que a Inter teve três técnicos em um ano. Antes de enfrentar o Bologna em San Siro neste domingo, o Milan vinha em uma sucessão de performances medíocres, sendo a maioria contra equipes inferiores tecnicamente. O time que tinha feito bons jogos contra seus adversários mais difíceis ao longo da temporada foi engolido pela Roma em casa em um vexame que poderia ter sido ainda pior, se não fosse Gigio Donnarumma e suas grandes defesas para evitar uma goleada maior. Em suma, a reta final da campanha milanista era angustiante até o Bologna visitá-los em San Siro.

Quer dizer, até o segundo tempo do jogo começar. A primeira etapa teve a cara do Milan nos últimos jogos, com a equipe perdendo oportunidades cabais de gol, errando muitos passes e explorando quase nada as jogadas no meio de campo. Pela primeira vez, Montella decidiu lançar Lapadula e Bacca juntos ao ataque como titulares em um 3-5-2, repetindo o esquema que deu certo para segurar a Atalanta em Bérgamo na rodada anterior. A parceria entre o italiano e o colombiano, no entanto, não estava funcionando. Lapadula perdeu duas chances claras de abrir o placar e Bacca mal apareceu. No segundo tempo, o técnico decidiu, então, tirar Bertolacci do meio-campo e colocar Mati Fernández antes da bola voltar a rolar, e também optou por trocar Bacca por Honda já com ela rolando. A última substituição pareceu não fazer sentido algum, mas ela, assim como a primeira, ditou o jogo a favor do Milan depois que aconteceu.

O primeiro gol foi resultado de uma jogada entre Deulofeu, Pasalic e Mati. Este último deu um passe magistral para o espanhol, que saiu na cara do gol e, de primeira, fez 1 a 0 para o Milan. O segundo tento veio com Honda colocando sua canhota para trabalhar. Muito contestado e em fim de contrato (ele não irá renovar e deve ir para a MLS), o camisa 10 cobrou falta com precisão e fez 2 a 0, para encerrar sua passagem no Diavolo com chave de ouro e com a moral lá em cima. O japonês ia garantindo a classificação para os donos da casa, mas Lapadula sentiu que o placar ainda não estava bom e decidiu se redimir pelos gols perdidos no primeiro tempo. Paletta alçou a bola no último terço do campo e ela caiu nos pés de Mati, que cruzou na área para o atacante italiano fazer o dele. Com isso, o Milan atingiu 63 pontos e está matematicamente classificado para a Liga Europa, mesmo que perca para o Cagliari na última rodada.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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