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Mancini aos poucos acerta a Inter, mas talvez seja tarde demais

Roberto Mancini chegou à Internazionale sem o crédito que teve. Mesmo assim, boa parte da torcida comemorou. Talvez mais pensando na saída de Walter Mazzarri, que foi teimoso em insistir em erros que pareciam evidentes. Mas Mancini merece crédito. O seu trabalho no Manchester City teve muitos problemas, é verdade, especialmente ao lidar com a Champions League, mas é preciso ressaltar que foi com Mancini que o clube voltou a gritar campeão. E pelos seus primeiros jogos pela Inter, já conseguiu melhorar o desempenho em campo – embora os resultados ainda não sejam tão bons assim. Contra a Juventus foi uma demonstração que o time de fato melhorou em relação ao começo da temporada.

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Parece que finalmente a Inter deixou para trás a formação com três zagueiros que o ex-treinador Walter Mazzarri tanto insistiu. Com quatro atrás, Mancini tenta usar o que o elenco tem de melhor: o meio-campo. Contra o adversário mais forte da liga e jogando fora de casa, Mancini optou por escalar uma linha de quatro defensores com Campagnaro, um zagueiro de origem, como lateral direito. O time jogou em um 4-4-1-1, com Kuzmanovic e Medel como marcadores, Guarían e Kovacic saindo mais para o jogo. À frente deles, Hernanes, encostando mais em Icardi, o único atacante. Saber como aproveitar o talento de jogadores como Guarín, Hernanes e especialmente Kovacic, que tem sido o melhor deles, pode ser chave para a temporada.

O primeiro tempo foi muito ruim para a Inter, a pressão da Juventus tornou atarefa do time bem complicada. O placar poderia ter sido definido ali e a boa atuação de Handanovic impediu isso. O segundo tempo foi um alento, com boas atuações dos meios campistas, como Guarín, e Icardi perdendo muitos gols. A entrada de Lukas Podolski também mostrou uma boa alternativa, tanto que o time atacou muito mais pelo lado esquerdo na segunda etapa – embora o gol tenha sido criado na direita.

Foi uma boa demonstração e Mancini deve reforçar a sua ideia de usar jogadores de lado de campo, uma carência do elenco. É por isso que a Inter está fazendo tanta força para contratar Xherdan Shaqiri, do Bayern de Munique, e pensa em Ezequiel Lavezzi como alternativa. São jogadores para dar ao time a força que precisa para esse tipo de jogo.

Além da parte tática e técnica, a Inter mostrou um preparo psicológico muito melhor do que antes. O time parece mais confiante do que está fazendo em campo, algo que faltava sob o comando de Mazzarri. Isso não é graças a um trabalho de psicologia forte, ao menos não conhecido. A questão é que o time parece ter mais consciência sobre a sua estratégia, sua postura, seu posicionamento. Isso deixa o time mais tranquilo em campo e isso ficou mais claro na partida contra a Juventus.

O time poderia ter até saído com a vitória, com uma postura agressiva no segundo tempo, pressionando a Juventus e deixando o time de Turim sem alternativa. No fim, a Inter chutou mais vezes a gol que a Juventus, 13 a 11, e acertou mais vezes o gol também, oito a três.

O bom desempenho em campo, porém, talvez tenha chegado tarde demais. A pontuação do time é muito baixa para quem sonha com Champions League. Em 12º lugar com 22 pontos, o time está a oito pontos da Lazio, atual terceira colocada. É muita coisa, especialmente para quem vem tendo um desempenho errático em termos de resultados. Nos últimos seis jogos, foram três empates, duas derrotas e uma vitória. Pelo que o time faz em campo, a tendência é que melhore, mas precisará mais do que uma melhora. Precisará de um desempenho muito acima do que fez até aqui para voltar a ter chance. É possível, mas terá que ser algo pensado jogo a jogo.

De qualquer forma, a temporada que era tão ruim no começo da temporada mudou de perspectiva. Se a Inter não alcançar a vaga na Champions League, ao menos o time parece ter um caminho muito melhor para a próxima temporada. Voltar à Champions League é absolutamente fundamental para a ideia que o clube tem de futuro e pelo seu tamanho. Talvez o caminho mais possível na temporada seja disputar de forma intensa a Liga Europa, que é tão desprezada pelos italianos. Além, claro, de ser uma taça – algo que a Inter não ganha desde a temporada 2010/11, quando faturou a Copa da Itália.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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