Serie A

Luciano Spalletti na seleção italiana tem tudo para ser muito divertido

Após conduzir o Napoli ao Scudetto, Spalletti é escolhido para dirigir a seleção italiana com a missão de conduzir a Azzurra na Eurocopa e de volta à Copa do Mundo

A Federazione Italiana Giuoco Calcio (FIGC) anunciou a contratação de Luciano Spalletti para comandar a seleção italiana. Ele era o nome mais especulado para o cargo desde que Roberto Mancini decidiu surpreendentemente deixar o cargo. O treinador chega com contrato até a Copa do Mundo de 2026. A escolha deve travar uma batalha jurídica com o Napoli. Ao mesmo tempo, tem tudo para ser muito divertida, baseado no que temos visto no trabalho do técnico e na sua evidente personalidade forte.

Aos 64 anos, Luciano Spalletti terá o seu primeiro cargo à frente de uma seleção. O treinador começou a carreira em 1994, no Empoli, ainda como interino, e depois poassou por Sampdoria, Venezia, Udinese, Ancona, Roma, Zenit, Inter de Milão e Napoli. Com ótimos trabalhos ao longo da carreira, a joia da coroa é o título pelo Napoli na temporada passada, encerrando 33 anos de jejum. Foi também o seu primeiro Scudetto.

“A FIGC anuncia que chegou a um acordo com o técnico toscano, que irá assumir o cargo a partir do dia 1º de setembro. A apresentação oficial será realizada em Coverciano (centro de treinamento da Itália) para um período de treinamentos que precede as partidas contra Macedônia do Norte e Ucrânia”, diz nota da FIGC.

“Damos as boas-vindas a Spalletti. A seleção nacional precisava de um grande técnico e estou muito feliz que ele aceitou liderar a Azzurra. Seu entusiasmo e expertise será fundamental para os desafios que esperam a Itália nos próximos meses”, diz o presidente da FIGC, Gabriele Gravina.

Spalletti terá o mesmo papel que foi dado a Roberto Mancini de coordenar as seleções de base, os times sub-20 e sub-21 da Azzurra. Gianluigi Buffon, que tinha sido apontado como chefe de delegação, permanecerá. O ex-zagueiro Andrea Barzagli irá compor a comissão técnica, com foco na defesa, enquanto Antonio Gagliardini será auxiliar técnico mais focado na tática. Além deles, Spalletti levará para a seleção italiana sua comissão técnica, com Marco Domenichini, Francesco Sinatti e Daniele Baldini ou Alessandro Pane.

Spalletti: estilo ofensivo e personalidade forte

Ao longo da sua carreira, Luciano Spalletti se caracterizou por trabalhos com times ofensivos e personalidade forte. O técnico nunca teve medo de embates com estrelas e o caso com Francesco Totti é o mais famoso da sua carreira nesse sentido.

O craque culpa o treinador, em sua segunda passagem pela Roma, de o ter quase forçado a aposentadoria, o aproveitando muito pouco. O técnico mesmo admite que errou no caso e os dois se encontraram para uma conversa franca, quando houve o pedido de desculpas.

Os seus times tão contundentes como suas declarações. Seus trabalhos mais recentes, Roma, Inter e Napoli, têm características em comum. Em todos, seus times eram bastante agressivos quando tinham a bola, buscando atuar firmemente pelos lados do campo, trabalhando a bola e com troca de passes em velocidade.

Não se deve esperar um time paciente com Spalletti. Embora ele goste que seu time tenha a bola, seus times costumam ter velocidade alta. O Napoli campeão era assim: times que não conseguiam conter o ímpeto dos Partenopei sofriam na defesa e, por vezes, o Napoli resolvia as partidas rapidamente. Tanto a sua Inter quanto a sua Roma eram times que agrediam muito as defesas adversárias com transições rápidas, normalmente com um camisa 9 muito competente e jogadores perigosos pelos lados do campo.

Na Itália, há problemas para encontrar um centroavante confiável. Um problema que Spalletti pode tentar recuperar o veterano Ciro Immobile, que nunca conseguiu ter o mesmo nível de atuação com a camisa da Azzurra que vemos há anos pela Lazio. Pode também apostar em Giacomo Raspadori, que foi seu jogador no Napoli, ainda que reserva.

Seja como for, o time deve manter a identidade ofensiva que vimos Roberto Mancini desenvolver, talvez um pouco mais agressivo. O desafio será encontrar o equilíbrio defensivo, especialmente em jogos pesados, como o que virá contra a Inglaterra, ainda pelas Eliminatórias, fora de casa.

É de se esperar que alguns jogadores sofram mais com Spalletti, especialmente aqueles que não são conhecidos pelo seu esforço. O técnico gosta de um jogo ofensivo e criativo, mas também gosta de jogadores que se dedicam muito à equipe. Assim, pela sua personalidade, é de se esperar que alguns embates aconteçam. Alguns jogadores se adaptam, como foi com Mauro Icardi na Inter, outros acabam tendo problemas – curiosamente, como o próprio Mauro Icardi na Inter, em outro momento.

A seleção italiana de Spalletti tem tudo para ser um time muito divertido de se assistir.

Spalletti comandou o Napoli em campanha de título nacional (Foto: Icon Sport)
Spalletti comandou o Napoli em campanha de título nacional (Foto: Icon Sport)

Napoli quer receber indenização de Spalletti

Luciano Spalletti deixou o Napoli no dia 30 de junho, após um acordo com o clube. O treinador tinha um contrato vigente até junho de 2024, mas o acordo envolvia que o técnico seria liberado do vínculo, mas não poderia assumir outro trabalho até o fim do vínculo.

Ao assinar a saída do Napoli, Spalletti assinou um documento de sete páginas que incluía uma cláusula de €3 milhões para que o contrato seja rompido. Houve especulações que o fato de ser uma seleção, não um clube, não obrigaria o pagamento, uma interpretação que o presidente do Napoli, Aurelio De Laurentiis, fez questão de rechaçar.

“Depois de uma avalanche de reportagens enganosas e imprecisas em vários meios de comunicação, divulgadas por comentaristas e profissionais conceituados do mundo da comunicação, considero necessário esclarecer a situação de Luciano Spalletti em relação à sua possível nomeação como técnico da seleção da Itália”, afirma comunicado assinado por De Laurentiis.

“Sempre tive imenso respeito pela seleção e, quando era jovem, era o único time além do Napoli pelo qual era apaixonado. Apesar de ter um ano de contrato com o Napoli, depois de ganhar o Scudetto, Spalletti expressou seu desejo de ter algum tempo descansando do trabalho de técnico, dado que ele disse que estava ‘muito cansado’. Como reconhecimento pelo excelente trabalho que ele havia feito, nem pisquei, embora pudesse ter pedido a ele que respeitasse seu contrato. Portanto, dei a ele a chance de ter um longo período de descanso”, diz ainda De Laurentiis.

Os advogados da FIGC insistem que a cláusula colocada pelo Napoli conta apenas para clubes que são rivais do Napoli e não para federações nacionais ou para o cargo de técnico da seleção. Algo, claro, que Aurelio De Laurentiis deixou claro que não é o seu entendimento.

Considerando o quão bem o Napoli de De Laurentiis amarra seus contratos e o quanto a FIGC é pouco eficiente nisso, é de se imaginar que o presidente dos Partenopei tenha razão, mas tudo indica que será uma batalha jurídica entre as partes.

Há relatos da Itália que o próprio Spalletti poderia fazer o pagamento da multa. O técnico foi contratado com um salário de €3 milhões por temporada, acrescido de um bônus de €1 milhão. O técnico deixaria a FIGC fora da disputa jurídica e pagaria, parcelado, o valor de €1 milhão por ano, até o fim do seu vínculo com a FIGC, para o Napoli. Isso, porém, não foi confirmado pelo técnico.

Qual a situação da Itália nas Eliminatórias da Eurocopa?

A Itália está com jogos a menos no seu grupo das Eliminatórias da Eurocopa.A Azzurra está no Grupo C e tem apenas dois jogos disputados. A Inglaterra, líder da chave, tem 12 pontos, mas em quatro jogos. A Ucrânia tem seis pontos em três jogos. Os italianos perderam a estreia contra a Inglaterra, mas venceram Malta fora de casa.

A estreia de Spalletti será no dia 9 de setembro, diante da Macedônia do Norte, fora de casa, algoz italiano rumo à Copa do Mundo de 2022. Depois, no dia 12, a Itália recebe a Ucrânia, em San Siro. Os dois primeiros colocados do grupo se classificam para a Eurocopa 2024, que acontecerá na Alemanha.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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