Serie A

Lucas Paquetá: “Quero ter um papel decisivo e ajudar o Milan a vencer”

O Milan apresentou o seu 35º jogador brasileiro da sua história nesta terça-feira. Lucas Paquetá, 21 anos, que veio do Flamengo por € 35 milhões e mais bônus, foi apresentado ao lado do diretor esportivo Leonardo e do lendário Paolo Maldini, que se tornou dirigente do clube. Paquetá falou sobre o aspecto físico e tático da Serie A, se mostrou confiante nas suas qualidades técnicas e lembrou que costumava escolher o Milan no videogame, inclusive jogando com o técnico Gennaro Gattuso no time.

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“Estou me sentindo muito bem. Estou feliz e já me sinto muito envolvido. Quero agradecer a todos pela confiança depositada em mim e espero retribuir dentro de campo. O Milan é uma grande equipe, com uma história de muitos títulos. Já conquistou tudo. Receber a ligação do Leonardo foi importante. Ele me apresentou o projeto e, junto com a minha família, decidi que o Milan era o lugar certo”, disse Paquetá.

Estilo de jogo

“Sou um jogador técnico, que está sempre procurando entender as variações de um jogo. Sou ofensivo, tenho um bom físico e gosto de chamar o jogo, com ou sem a bola, enquanto tento criar jogadas e oportunidades para marcar. Escolhi o número 39 porque foi meu primeiro número no Flamengo. Espero que ele me traga sorte aqui no Milan. Prefiro jogar no meio de campo, mas também já joguei mais à frente. Estou à disposição do treinador e vou dar meu máximo”, disse o brasileiro sobre suas características de jogo.

Seria A muito física e tática

“Assisti a muitos jogos da Serie A. É um campeonato muito físico, com ênfase na tática. Por isso é um pouco diferente do Brasil. Preciso me adaptar rapidamente. Quando você veste a camisa dos Rossoneri, você precisa estar pronto para qualquer tipo de situação. E estou pronto para ajudar a equipe em qualquer momento. Posso sentir a responsabilidade que tenho, mas estou pronto. Quero ter um papel decisivo e ajudar o Milan a vencer os jogos. É um momento importante para mim”, explicou o jogador.

Do videogame para o campo

“Gattuso foi um grande jogador, e ser treinado por ele será uma experiência única. Sempre o escolhia nos meus times quando jogava no PlayStation. Ele me recebeu de braços abertos e me deixou à vontade para que eu pudesse trabalhar e me desenvolver. Espero poder retribuir em campo. Pisar no gramado do San Siro será um momento mágico e mal posso esperar para jogar. Vestir a camisa Rossonera é incrível e é o que mais motiva no momento: quero honrá-la e fazer o melhor que posso”, contou o meia formado no Flamengo.

Kaká, um ídolo

“Kaká foi um campeão, ele é um dos meus ídolos. Ele teve sua história, que foi única, e foi um dos melhores jogadores do mundo. Espero que meu caminho seja de vitórias e inclua muitos títulos. Kaká conversou comigo sobre o clube e a cidade: ele disse que o Milan é como uma família e que seria uma das melhores experiências da minha carreira. Fui recebido de braços abertos pelo Higuaín e por todos meus companheiros, que me ajudaram e apoiaram desde o momento em que cheguei. Espero ajudar o Higuaín a marcar, mas não apenas isso: vai ser especial jogar ao lado dele. O time tem muita qualidade”, disse ainda o novo camisa 39 do Milan.

Lucas Paquetá, do Milan (Foto: reprodução AC Milan)

Investimento para o futuro

O presidente do Milan, Paolo Scaroni, apresentou Paquetá falando sobre a responsabilidade financeira do clube, respeitando o Fair Play Financeiro. Algo importante, porque Paquetá custou € 35 milhões e mais bônus variarias e o Milan foi punido pela Uefa recentemente por descumprimento da regra financeira. O problema foi atribuído aos antigos donos e a nova gestão, da empresa de investimentos Elliot, está focada em revalorizar o clube para, futuramente, vende-lo. Por isso, interessa que a gestão seja precisa e eficiente.  Paquetá representa uma aposta para o futuro.

“É um dia importante para nós, com a apresentação de um jogador importante. Podemos enfim dizer que Lucas Paquetá faz parte da família do Milan. A contratação reforça o desejo da Elliott de levar o clube novamente ao topo, onde sempre deve estar. Ele é o 35º brasileiro na história dos Rossoneri e foi Leonardo que o indicou, assim como já havia feito com inúmeros outros brasileiros no passado. Este é um acordo que se enquadra nas regras do Fair Play Financeiro – algo que segue sendo nossa prioridade. O projeto da Elliott é de longo prazo e não estamos estabelecendo nenhum grande limite. Paquetá tem apenas 21 anos e representa um grande investimento para o futuro do Milan”, disse o dirigente.

Maldini: “Paquetá é um jogador valioso”

Paolo Maldini é diretor de estratégia e desenvolvimento esportivo do Milan e estava na coletiva de apresentação de Lucas Paquetá. Ele ressaltou que o brasileiro terá que se adaptar ao futebol italiano e que tem ótimas qualidades técnicas e físicas.

“Nós o trouxemos porque é um jogador valioso. Ele já atuou em funções diferentes, inclusive como meio-campista e mais à frente, como meia avançado, ou atrás do centroavante. Sua posição exata ainda será definida. Ele certamente tem ótimas qualidades técnicas e físicas, e sua mentalidade é muito boa também. Ele precisa se adaptar ao futebol italiano, mas tem tudo para isso”, afirmou o diretor.

Maldini foi questionado se não faltam jovens italianos ao time. “Não acho que seja vital o local de onde vem um jogador. Sabemos da importância de ter um núcleo de jogadores italianos no time, mas o mercado global nos dá mais opções de jogadores do que o italiano”, respondeu o ex-jogador.

Leonardo: “Não podemos comparar Lucas ao Kaká”

O principal responsável pela contratação de Lucas Paquetá para o Milan, o diretor esportivo, Leonardo, tratou de amenizar as comparações quase inevitáveis entre Lucas Paquetá e Kaká, melhor jogador do mundo em 2007, quando defendia justamente o Milan.

“Não podemos comparar o Lucas ao Kaká já que o contexto é diferente. Aquela época do Milan tinha um time diferente, composto por jogadores extraordinários como o Paolo Maldini – jogadores que estavam acostumados a jogar sob pressão. Agora estamos numa fase diferente com uma equipe que ainda está em construção”, avaliou Leonardo.

“O Lucas não é um jogador a ser descoberto, como foi o caso com Thiago Silva, Kaká e Pato. Ele vem de uma equipe que terminou em segundo lugar no Brasileirão, além de também ter jogado pela Seleção Brasileira. Agora temos que sincronizar suas habilidades com nosso projeto. Ele tem qualidades importantes tanto como pessoa quanto como jogador, além de ter um potencial notável de crescimento. Em geral, ele é um jogador que pode contribuir para o futebol ofensivo”, explicou o diretor.

“Sua família foi muito importante. Para montar um bom elenco você precisa conhecer bem a pessoa, aprender como um indivíduo reage tanto na vitória como na derrota. Com o Lucas, tivemos tempo para ver tudo isso”, declarou ainda outro ex-jogador que trabalha na diretoria do clube.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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