Kalinic recusou os milhões da China em fevereiro para, agora, ser o camisa 7 do novo Milan

Pelo nível de algumas contratações, Nikola Kalinic nem é o nome mais bombástico a acertar sua transferência ao Milan nesta janela. Ainda assim, a contratação do centroavante de 29 anos era um dos negócios mais aguardados, até pelas longas tratativas com a Fiorentina. A oficialização, enfim, aconteceu nesta terça-feira. O croata chega por empréstimo, com uma cláusula obrigatória de contratação avaliada em €20 milhões – e vínculo firmado para depois disso até 2021. O reforço pode não causar tantos suspiros, mas tende a ser importante na rotação do técnico Vincenzo Montella.
Apresentado com o número 7, Kalinic prometeu muito empenho nesta nova etapa da carreira: “Estou muito feliz de chegar aqui. Há um novo ciclo no clube e espero que tudo se saia bem. Tudo o que posso dizer é que eu farei o meu melhor para vencer. Estou definitivamente pronto para me sacrificar. Preciso continuar o que eu fiz pela Fiorentina na última temporada. Não sinto pressão, estou apenas focado em como devo jogar”.
Formado pelo Hajduk Split, Kalinic rodou por outros clubes menores de seu país até estourar no futebol croata. Teve uma passagem apagada pelo Blackburn, antes de se reerguer com a camisa do Dnipro. Um dos protagonistas no vice-campeonato da Liga Europa em 2015, seguiu à Fiorentina logo na temporada seguinte. E viveu os melhores momentos da carreira no Estádio Artemio Franchi. O centroavante anotou 27 gols nas duas últimas edições da Serie A, primando também por seu trabalho coletivo, para abrir espaços aos companheiros. A consciência tática e a presença física certamente foram diferenciais para o Milan acertar sua contratação.
Curiosamente, os rumos de Kalinic deram uma guinada repentina em poucos meses. Durante o início do ano, o croata era um dos jogadores mais cortejados pelo futebol chinês. O Tianjin Quanjian, de Fabio Cannavaro, estava disposto a pagar €50 milhões para cobrir sua cláusula rescisória, além de oferecer €10 milhões por ano em salários. O centroavante, contudo, preferiu recusar. “Eu preciso dizer que não sabia precisamente de quanto era a oferta, mas dinheiro não é tudo na vida. Eu cheguei na equipe há um ano e meio, não queria ir embora agora. Penso que ainda tenho muito a dar ao futebol europeu. Minha ideia é enfrentar grandes campeões e disputar jogos importantes”, declarou em fevereiro, ao Corriere della Sera.
Principal responsável pela chegada de Kalinic à Fiorentina, o técnico Paulo Sousa não permaneceu na Viola. Assim, Kalinic teve uma motivação a mais para aceitar a oferta do Milan. Por mais que os rossoneri tenham sido vinculados a nomes de peso para o seu ataque, o mais provável é que nenhuma nova contratação estelar chegue ao setor. O croata dividirá o espaço com André Silva e também com o jovem Patrick Cutrone, grata surpresa nas últimas semanas. O camisa 7, de qualquer forma, deve ser a principal opção. Será cobrado por isso, até pelos astros sonhados para a posição. Mas certamente tem a consciência do tamanho da oportunidade que ganha neste momento.



