Serie A

Juventus deu voltas com Sarri e Pirlo para reatar com Allegri dois anos mais tarde

Horas após anunciar a demissão de Pirlo, Velha Senhora confirmou o retorno de seu treinador pentacampeão italiano

Poucas horas após anunciar a saída de Andrea Pirlo, a Juventus já confirmou seu novo treinador. Massimiliano Allegri retorna ao clube que treinou entre 2014 e 2019 e em que teve grande sucesso, empilhando taças nacionais. Dois anos atrás, os insucessos na Champions League e um desgaste interno levaram à sua saída de Turim. A Velha Senhora queria dar um salto no torneio continental, mas não só não conseguiu como se distanciou ainda mais de seu objetivo.

Allegri chegou à Juventus em 2014 sob muitas críticas da torcida. Meses antes, havia sido demitido do Milan, e a impressão da opinião pública era de que seus times seriam muito defensivos. Ainda que essa crítica tenha uma base, o treinador encontrou um enorme sucesso na Velha Senhora, conquistando cinco Scudettos, quatro Copas da Itália e duas Supercopas nacionais.

Allegri ajudou também a Juventus a subir de patamar no continente. Buscando uma nova conquista da Champions League, que não vinha desde 1996, o treinador conseguiu levar a equipe duas vezes à decisão da competição, em 2014/15 e em 2016/17 – enquanto a última campanha finalista havia acontecido em 2002/03. No entanto, não referendou este crescimento com a conquista, e a queda nas quartas de final em 2019 para o Ajax pesou para sua saída, em um momento em que a torcida havia elevado o tom das críticas ao estilo defensivo de jogo, especialmente contando com um talento como Cristiano Ronaldo no comando de ataque. Tão importante quanto o fracasso continental e a insatisfação com o estilo de jogo foi a divergência com a diretoria nos rumos do time: o treinador queria reformular o elenco, enquanto a diretoria acreditava que o grupo ainda poderia render no topo da Europa.

À época, por mais que tivesse um histórico recente vencedor, o divórcio fez sentido dado o ambiente de fim de ciclo, com rumores mesmo de desgaste na relação do técnico com os jogadores. Buscando algo diferente do que Allegri havia apresentado, a Juve apostou em Maurizio Sarri, mas não entregou ao comandante as peças de que ele precisava para implementar seu estilo de jogo. O título da Serie A em 2019/20 não foi suficiente para mantê-lo no cargo, e Pirlo o sucedeu – em uma decisão surpreendente, visto que o treinador não tinha nenhum trabalho prévio em seu currículo.

Se a contratação de Sarri sem o devido apoio para montar o elenco desejado parecia indicar que a Juventus não sabia muito o que queria, a aposta arriscadíssima em Pirlo seguida de toda uma temporada de rumores de descontentamento e pressão por resultados imediatos de um novato veio apenas para reforçar isso. Por fim, tendo dada a volta completa, a Velha Senhora se reencontra com aquele que mais próximo chegou da sonhada Champions League, após dois anos de eliminações precoces para oponentes mais fracos, Lyon e Porto, ainda nas oitavas de final.

Sem ter assumido nenhum trabalho desde que deixou o clube em 2019, é difícil dizer se Allegri utilizou o período sabático para transformar sua ideia de jogo. Na hipótese mais provável, sua visão do futebol se manteve a mesma, e o que mudou foram as expectativas da Juventus, contente em voltar ao que é conhecido e seguro – e comprovadamente eficaz, ainda que nem sempre espetacular. Não seria maluco também imaginar que o compromisso do clube com a reconstrução do time agora esteja presente e que Allegri tenha recebido garantias de que terá o apoio que achou faltar lá atrás.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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