Luca Toni pode não ser unanimidade, uma sumidade quando o assunto é qualidade técnica ou mesmo o dono de uma carreira regular. Porém, o lugar do centroavante na história do futebol italiano é incontestável. Já estaria garantido quando vestiu a camisa 9 e ajudou a Azzurra a conquistar o tetracampeonato mundial. E o goleador vai além, com seus mais de 300 tentos e a Chuteira de Ouro em 2006. Mas, aos 38 anos, as pernas de Toni cobraram o cansaço. Já sem o mesmo nível de desempenho da temporada passada, quando foi artilheiro da Serie A, o matador resolveu pendurar as chuteiras neste domingo. Glorioso adeus: o veterano se despediu marcando um dos gols do Verona na vitória por 2 a 1 sobre a Juventus.
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A Velha Senhora estava recheada de reservas na visita ao Estádio Marc’Antonio Betegodi. Ainda assim, isso não diminui o feito do lanterna e já rebaixado Verona, encerrando a invencibilidade de 26 jogos dos pentacampeões na liga. Toni deu sua contribuição aos 43 do primeiro tempo, cobrando pênalti para abrir o placar. A deixa para tornar a sua festa inesquecível. Diante do brasileiro Neto, o veterano resolveu mostrou sua maestria e cobrou com cavadinha. Pôde extravasar sua alegria comemorando junto aos torcedores. Já aos 39 do segundo tempo, foi substituído, para sair de campo ovacionado.
Luca Toni optou por fazer a sua última partida na penúltima rodada da Serie A. Queria encerrar a carreira diante da torcida que o idolatrou nos últimos três anos, contra o clube pelo qual conquistou o seu único Scudetto. Entrou em campo com seus filhos e, além dos aplausos, recebeu um troféu em homenagem. Despede-se dos gialloblù com 51 gols em 93 jogos, 47 deles apenas pelo Campeonato Italiano. Ainda que o Verona volte à segunda divisão na próxima temporada, a história que o veterano escreveu na cidade é inesquecível. Assim como a sua trajetória com tantas outras camisas.
Durante 21 anos como profissional, Toni defendeu 15 times diferentes. Estourou mesmo com o Palermo, artilheiro da Serie B em 2004. Já os melhores momentos vieram com a camisa da Fiorentina, chegando a balançar as redes 31 vezes na Serie A 2005/06. Não empolgou tanto, mas fez muitos gols e foi campeão alemão com o Bayern de Munique. Até que a redenção se consumasse nos últimos momentos, com o Verona. Ao longo da movimentada carreira, ainda defendeu a seleção italiana em 47 partidas, marcando 16 gols – dois deles na Copa de 2006.
Luca Toni certamente deixa o futebol com a sensação de dever cumprido. Poderia ser melhor? Sempre pode. Mas ele já fez o suficiente para ficar guardado na memória de milhões de pessoas e para merecer a gratidão de milhões de torcedores. Neste ponto, ninguém pode contestá-lo. E a partida derradeira foi perfeita neste sentido.



