
Mal no Campeonato Italiano, a pressão sobre a Juventus nesta temporada ainda não é tão grande. Afinal o time vai bem na Champions League, em que lidera o que foi chamado de “grupo da morte” após o sorteio. E, enquanto a Juve se preparava para receber o Borussia Mönchengladbach em sua moderna e, mais uma vez, lotada arena, outros dois gigantes da Velha Bota, Milan e Inter, faziam um duelo mais melancólico do que o Malmö e Shakhtar Donetsk disputado na Suécia.
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Em uma quarta-feira de Champions League, ver dois dos principais times do futebol europeu disputarem o maior dérbi local em um torneio amistoso de um jogo só, diante de um público mediano, é triste. São dez títulos de Liga dos Campeões combinados entre os dois, mas mesmo esse histórico não pesou mais do que a fraqueza de suas campanhas em 2014/15, quando não conseguiram vaga sequer para a Liga Europa – algo que não acontecia desde 1959.
Quase todos os últimos encontros entre Milan e Inter foram bastante melancólicos. A frustração tem começado uma hora antes do duelo, quando as escalações dos dois times são anunciadas,e, inevitavelmente, comparamos as equipes de hoje com as de épocas passadas. Além da escassez de protagonistas, em campo os jogos são fracos tecnicamente, as emoções são esparsas, e os resultados finais não passam de dois gols no total há um bom tempo. A última vez que isso aconteceu foi em 6 de maio de 2012, na vitória por 4 a 2 dos Nerazzurri.
Um clássico do tamanho do Derby della Madonnina precisaria de décadas de mediocridade para perder a relevância. Isso não vai acontecer. Eventualmente, esperamos, a dupla se reerguerá. Mas o baixíssimo nível do duelo nos últimos anos tem diminuído o interesse sobre a rivalidade, e colocá-lo justamente em um dia de Champions League não poderia ser uma decisão pior para exacerbar essa percepção.
As equipes de Milão passam por um período de transição. Particular, mas também do futebol italiano. Seus destaques envelheceram, se aposentaram, mudaram de clube. Vários novos atletas chegaram. Nenhum de grande destaque, já que a grana é curta. A Inter foi comprada por um indonésio, e o Milan ganhou em um tailandês um novo acionista importante e que, em teoria, deverá investir dinheiro no time. Um destino que talvez nenhum torcedor de qualquer uma das equipes quisesse para seu clube, mas que parece ser a saída para tirá-los do abismo financeiro, intensificado pelo momento do próprio futebol italiano. A construção de um novo estádio (Milan) e a reforma do Giuseppe Meazza (Inter) são passos essenciais na reestruturação das duas equipes.
Não dá para prever por quanto tempo Milan e Inter permanecerão no patamar em que se encontram agora. O retorno às glórias pode demorar muito, sobretudo em âmbito continental, e o que resta às torcidas e aos fãs do futebol mundial que sentem falta da dupla entre os protagonistas é resiliência. E paciência para lidar com duelos como o desta quarta. Ah, sim, caso você se importe, a Inter venceu por 1 a 0, com gol de Kondogbia ainda aos 12 minutos de jogo.



