EspanhaLa Liga

O Açougueiro de Bilbao: Goikoetxea, o maior inimigo dos craques nos anos 1980

O futebol do passado não se limita apenas aos grandes jogadores. Por mais que alguns saudosistas tentem reverter o óbvio, muitos nomes célebres fizeram fama por motivos que não exatamente a bola nos pés. E um dos maiores exemplos é Andoni Goikoetxea. O defensor do Athletic Bilbao viveu o último período de glórias dos bascos, sendo uma das referências da equipe bicampeã espanhola na década de 1980. Também fez parte por anos da seleção espanhola, presente no vice da Euro de 1984 e na Copa do Mundo de 1986. Mas não dá para dizer que o veterano, que até possuía suas qualidades como marcador, era um primor. Afinal, o basco construiu sua fama como o “Açougueiro de Bilbao”.

Em eleição feita pelo jornal The Times em 2007, Goikoetxea foi apontado como o “jogador mais duro da história”. Dois lances clássicos contra o Barcelona, marcando craques incontestáveis na década de 1980, valeram a honraria. O jogador do Athletic foi responsável por causar fraturas em Bernd Schuster e em Diego Maradona. Com o argentino, aliás, foi pior. Depois do primeiro episódio, em que o defensor tomou 18 jogos de suspensão e o meia permaneceu meses afastado dos gramados, o reencontro aconteceu na decisão da Copa do Rei de 1984, conquistada pelos leones. O defensor voltou a pegar firme o camisa 10, que quis revidar em briga generalizada após a derrota. A deixa para que tomasse uma voadora do Açougueiro, e encaminhasse sua saída do Camp Nou.

Apesar da atitude, Goikoetxea não tomou suspensão. Inclusive, foi até expulso na primeira rodada do Campeonato Espanhol de 1984/85. Já em outro episódio célebre, o defensor prometeu machucar também Zico, na estreia da Copa de 1986 – o que, acabou nunca se cumprindo. Goiko se aposentou com 65 cartões amarelos e nove vermelhos em 312 partidas pelo Espanhol, mas também 35 gols. Um dos reis das “cenas lamentáveis”:

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo