Serie A

[Especial Calciopédia] Guia do Campeonato Italiano 2022/23, parte 2

Confira a segunda parte do especial, que inclui as análises de times como Roma e Napoli, além do ascendente Monza

* Texto publicado originalmente na Calciopédia e gentilmente cedido à Trivela. Confira e apoie o trabalho!

Nesta quinta, publicamos a primeira parte do tradicional Guia da Serie A produzido pela Calciopédia, com pitacos sobre Inter, Juventus, Milan e mais sete equipes. Agora, na antevéspera da rodada inaugural da edição 2022/23 do campeonato, a Calciopédia traz o derradeiro segmento da análise, com todas as informações sobre times como Napoli e Roma.

Até o fechamento do guia, 25 jogadores brasileiros estão aptos para disputar esta edição do Campeonato Italiano, considerando também aqueles que têm dupla nacionalidade – 17 a menos do que três temporadas atrás. Será a Serie A menos verde e amarela do século. O número de clubes que têm atletas do nosso país em seus planteis também diminuiu: passou de 16 para 13, sendo que Cremonese, Empoli, Salernitana, Sampdoria, Spezia, Torino e Verona são aqueles que não têm nenhum em seus elencos. Por outro lado, a Juventus conta com cinco e é, disparada, a equipe com maior colônia “brasiliana”.

No Brasil, a Serie A terá a transmissão dos canais ESPN, na TV fechada. No streaming, o amante do futebol da Bota poderá acompanhar o campeonato através do Star+, do grupo Disney, e de sites de apostas, como o Bet365 – saiba todos os detalhes sobre transmissões aqui. Abaixo, confira as 10 últimas análises do nosso guia, em ordem alfabética. Boa leitura!

Pessina e Galliani

Monza

Cidade: Monza (Lombardia)
Estádio: Brianteo – U-Power Stadium (18.568 lugares)
Fundação: 1912
Apelidos: Brianzoli, Biancorossi, Bagai
Principal rival: Como
Participações na Serie A: estreante
Títulos: nenhum (estreante)
Na última temporada: 3º colocado da Serie B; promovido
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Carlos Augusto e Marlon
Técnico: Giovanni Stroppa (2ª temporada)
Destaques: Matteo Pessina, Gianluca Caprari e Christian Gytkjaer
Fique de olho: Warren Bondo
Principais chegadas: Matteo Pessina (m, Atalanta), Gianluca Caprari (a, Verona) e Alessio Cragno (g, Cagliari)
Principais saídas: Lorenzo Pirola (z, Salernitana), Leonardo Mancuso (a, Como) e Gastón Ramírez (mat, sem clube)
Time-base (3-5-2): Cragno; Marlon, A. Ranocchia, Carboni; Birindelli, Barberis (F. Ranocchia), Sensi, Pessina, Carlos Augusto; Caprari, Gytkjaer.

É o Monza envenenado do presidente Silvio Berlusconi e do diretor executivo Adriano Galliani. A dupla que comandou o futebol do Milan por três décadas aportou no tradicional clube biancorosso em 2018 e, depois de apenas quatro anos na província, atingiu o objetivo declarado desde o primeiro minuto: alcançar a Serie A. Os brianzoli somam 40 participações na segundona e haviam ficado muito perto do acesso em incríveis sete ocasiões. Na oitava, finalmente, conseguiram. E tudo indica que os bagai chegaram para ficar.

Berlusconi não tem poupado esforços para montar um time capaz de terminar o campeonato na metade superior da tabela. O magnata já investiu cerca de 20 milhões de euros em contratações – um valor relativamente alto para um caçula – e, por conta do projeto ambicioso, está atraindo atletas que ganham salários polpudos. Campeão europeu pela Itália, nascido em Monza e prata da casa, Pessina foi escolhido para ser o rosto desse momento do clube.

O proprietário do Monza, que é um político populista de longa trajetória, se valeu do seu histórico na vida pública para orientar a montagem do elenco. No intuito de mandar uma mensagem a seu eleitorado, deu prioridade à contratação de bons atletas italianos, como o já citado Pessina, e também Cragno, Carboni e Caprari – ou Andrea Ranocchia e Sensi, que visam dar a volta por cima por aquelas bandas da Lombardia. Os brasileiros, que sempre fizeram a alegria dos milanistas nos tempos de Berlusconi, também estão presentes: Carlos Augusto, que roeu o osso na Serie B, terá a companhia de Marlon entre os titulares. Ainda chegou o espanhol Pablo Marí, emprestado pelo Arsenal. O resultado é que, no fim das contas, esse grupo tem capacidade de entregar uma campanha bastante tranquila para a torcida biancorossa.

Kim Minjae em seu primeiro treinamento com o Napoli (divulgação)

Napoli

Cidade: Nápoles (Campânia)
Estádio: Diego Armando Maradona (54.726 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Azzurri, Partenopei
Principais rivais: Verona, Juventus, Inter e Milan
Participações na Serie A: 77
Títulos: 2
Na última temporada: 3ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Juan Jesus
Técnico: Luciano Spalletti (2ª temporada)
Destaques: Victor Osimhen, Piotr Zielinski e Fabián Ruiz
Fique de olho: Giuseppe Ambrosino
Principais chegadas: Khvicha Kvaratskhelia (mat, Dinamo Batumi), Kim Min-jae (z, Fenerbahçe) e Leo Ostigard (z, Genoa)
Principais saídas: Kalidou Koulibaly (z, Chelsea), Lorenzo Insigne (a, Toronto) e Dries Mertens (a, Galatasaray)
Time-base (4-2-3-1): Meret; Di Lorenzo, Rrahmani, Kim, Mário Rui (Olivera); Anguissa, Ruiz; Lozano (Politano), Zielinski, Kvaratskhelia; Osimhen.

Desde 2004-05, em apenas uma oportunidade (2008-09) Spalletti não classificou a equipe que dirigia para a Champions League. Para manter esse quadro inalterado, o técnico precisará de uma façanha histórica nesta temporada, já que o Napoli é o time grande que mais sofreu alterações significativas no elenco na janela de mercado do verão europeu. É possível falar até em redimensionamento. Os adversários, ao contrário, se fortaleceram.

Kim, Ostigard e Kvaratskhelia são grandes contratações – e Olivera, um bom nome. No entanto, todos eles terão de suar muito para poderem construir 10% da história que Koulibaly, Ghoulam, Insigne e Mertens escreveram em Nápoles. Os azzurri perderam, numa única tacada, três de seus pilares, um importante jogador no vestiário e o goleiro Ospina. Já seria difícil se reorganizar depois de tantas saídas importantes e fica ainda mais complicado diante da letargia da diretoria partenopea. O elenco não está completo e Spalletti já manifestou publicamente sua insatisfação. Inclusive, afirmou que os gestores do clube sabem que é preciso fazer novas contratações.

O enorme atraso nas movimentações do Napoli tem o potencial de comprometer o andamento de toda a temporada dos campanos. Afinal, os jogadores que ainda devem, sim, ser contratados, não terão feito a preparação com o novo técnico e precisarão se adaptar a novos métodos – e, vale lembrar, com uma Copa do Mundo no meio. Teremos um novo capolavoro de Spalletti?

Dybala é apresentado à torcida da Roma (reprodução)

Roma

Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico (70.634 lugares)
Fundação: 1927
Apelidos: Capitolinos, Giallorossi, Lupi, A Maggica
Principais rivais: Lazio e Juventus
Participações na Serie A: 90
Títulos: 3
Na última temporada: 6ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Roger Ibañez
Técnico: José Mourinho (2ª temporada)
Destaques: Lorenzo Pellegrini, Tammy Abraham e Paulo Dybala
Fique de olho: Filippo Tripi
Principais chegadas: Paulo Dybala (a, Juventus), Georginio Wijnaldum (m, Paris Saint-Germain) e Nemanja Matic (v, Manchester United)
Principais saídas: Henrikh Mkhitaryan (mat, Inter), Sérgio Oliveira (m, Galatasaray) e Jordan Veretout (m, Marseille)
Time-base (3-4-2-1): Rui Patrício; Mancini, Smalling, Ibañez; Karsdorp (Çelik), Wijnaldum, Matic (Cristante), Spinazzola (Zalewski); Dybala (Zaniolo), Pellegrini; Abraham.

A Roma está de autoestima renovada após a conquista da Conference League, sua primeira taça de competições Uefa, que encerrou um jejum de 14 anos sem qualquer caneco para a equipe. A empolgação que tomou o lado giallorosso da Cidade Eterna após a obtenção do troféu, a propósito, vem numa crescente – que, a bem da verdade, começou com a chegada de Mourinho à capital, em 2021. Agora, com as contratações de Dybala, Wijnaldum e Matic, que formam um sexteto de peso ao lado de Zaniolo, Pellegrini e Abraham, as expectativas são as melhores possíveis.

Hoje, no papel, a Roma é a quarta força do futebol italiano. Há quem ponha o time de Mourinho como candidato ao scudetto, embora o grande objetivo dos giallorossi seja voltar à Liga dos Campeões e fazer um bom papel nas copas. O resto é um bônus, que dependerá das condições físicas de Dybala e Zaniolo. Quando puderam jogar juntamente a Pellegrini e Abraham, na pré-temporada, proporcionaram espetáculo ao torcedor romanista. Obviamente, nem todo contexto será favorável à utilização simultânea do quarteto, mas a simples possibilidade de ter esta carta na manga faz a Loba atemorizar adversários.

Dessa vez, Mourinho não tem do que reclamar do elenco – que, inclusive, tem peças sobrando e ainda precisa ser enxugado para que a aquisição de Belotti seja confirmada, coroando o ambicioso mercado dos capitolinos. A irregularidade que o técnico português resolveu na última temporada, ao promover talentosos garotos da base e redesenhar o módulo tático da equipe, parece coisa do passado. A tendência é que a Roma evolua em 2022-23. Veremos até que ponto.

Botheim é novidade na Salernitana

Salernitana

Cidade: Salerno (Campânia)
Estádio: Arechi (31.300 lugares)
Fundação: 1919
Apelidos: Granata, Bersagliera, Sua Maestà
Principais rivais: Napoli, Avellino e Verona
Participações na Serie A: 4
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 15ª colocação)
Na última temporada: 17ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Davide Nicola (2ª temporada)
Destaques: Franck Ribéry, Federico Bonazzoli e Erik Botheim
Fique de olho: Lorenzo Pirola
Principais chegadas: Erik Botheim (a, Krasnodar), Matteo Lovato (z, Cagliari) e Domagoj Bradaric (le, Lille)
Principais saídas: Éderson (v, Atalanta), Milan Djuric (a, Verona) e Simone Verdi (mat, Torino)
Time-base (3-5-2): Sepe; Lovato, Gyömbér (Fazio), Pirola; Mazzocchi (Sambia), Coulibaly, Bohinen, Vilhena (Kastanos), Bradaric; Botheim (Simy), Bonazzoli (Ribéry).

A Salernitana surpreendeu o mundo ao conseguir uma histórica permanência na Serie A em 2021-22 e, dessa vez, conta com time para se salvar com maior tranquilidade. Certamente não tem, no papel, um dos três piores elencos da competição e terá condições de provar isso em campo com um trabalho de temporada cheia de Nicola, um dos treinadores mais “milagreiros” da Itália.

Os grenás perderam peças importantes, como Éderson, Djuric, Verdi e Zortea, mas responderam com uma boa atuação no mercado: asseguraram a permanência de Bonazzoli, Sepe e Kastanos, e ainda foram atrás dos promissores Lovato e Pirola, além de Bradaric, Vilhena e Botheim, que já se destacaram em competições continentais. O plantel, portanto, está mais qualificado e experiente.

Apesar dessas mudanças, 2022-23 começou com um revés para a equipe de Salerno: foi derrotada em casa pelo Parma e já está fora da Coppa Italia. Tanto o desempenho quanto o resultado foram decepcionantes, já que o adversário acabou iniciar uma nova gestão, enquanto o trabalho de Nicola já está em estágio mais avançado. A eliminação, portanto, serve de alerta para os granata: não basta ter um elenco melhor para se salvar do rebaixamento. A Salernitana provou isso ao permanecer na elite no lugar de Genoa e Cagliari, e agora espera não passar para o outro lado da moeda.

Villar, da Sampdoria

Sampdoria

Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Luigi Ferraris (36.599 lugares)
Fundação: 1946
Apelidos: Blucerchiati, Doria, Samp
Principal rival: Genoa
Participações na Serie A: 66
Títulos: 1
Na última temporada: 15ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Marco Giampaolo (2ª temporada)
Destaques: Fabio Quagliarella, Francesco Caputo e Antonio Candreva
Fique de olho: Telasco Segovia
Principais chegadas: Gonzalo Villar (m, Getafe), Maxime Leverbe (z, Pisa) e Filip Djuricic (mat, Sassuolo)
Principais saídas: Morten Thorsby (m, Union Berlin), Mikkel Damsgaard (mat, Brentford) e Albin Ekdal (m, Spezia)
Time-base (4-1-4-1): Audero; Bereszynski, Ferrari, Colley, Augello; Villar (Vieira); Candreva, Rincón, Djuricic, Sabiri; Caputo (Gabbiadini, Quagliarella).

À venda, a Sampdoria se resignou em brigar por uma posição na parte de baixo da tabela que lhe faça não correr tanto risco de rebaixamento – uma espécie de “troféu 14º lugar”. Passa por aí o fato de ter mantido Giampaolo no comando, ainda que o trabalho na última temporada não tenha sido dos melhores. O mesmo raciocínio se aplica ao fato de os blucerchiati terem se privado de peças fundamentais, como Yoshida, Ekdal, Thorsby e Damsgaard, e nomes de valor, como Sensi, Askildsen e Falcone.

Apesar de tantas saídas, contratações pouco badaladas e do fato de os goleadores Caputo e Quagliarella estarem um ano mais velhos, a Sampdoria ainda tem um elenco bem estruturado e pode se safar sem grandes problemas. Mais por demérito rival, contudo – afinal, há equipes com menos qualidade individual em circulação no futebol italiano.

A missão de salvar os dorianos da mediocridade neste ano de transição estará nos pés de Sabiri, que vem em crescimento desde que assinou com o clube, na última temporada. O alemão contará com a ajuda de Djuricic para dar fôlego a um time que tem nos veteranos Candreva, Caputo e Quagliarella, que nem sempre estarão em campo, os seus atletas mais decisivos. É pouco, mas deve ser suficiente para que o objetivo da Samp seja atingido.

Agustín Álvarez é apresentado pelo Sassuolo (divulgação)

Sassuolo

Cidade: Sassuolo (Emília-Romanha)
Estádio: Mapei Stadium – Città del Tricolore (21.525 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Neroverdi, Sasòl
Principal rival: Modena
Participações na Serie A: 10
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 6ª colocação)
Na última temporada: 11ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Ruan, Rogério e Matheus Henrique
Técnico: Alessio Dionisi (2ª temporada)
Destaques: Domenico Berardi, Davide Frattesi e Giacomo Raspadori
Fique de olho: Alessandro Russo
Principais chegadas: Agustín Álvarez (a, Peñarol), Kristian Thorstvedt (mat, Genk) e Andrea Pinamonti (a, Inter)
Principais saídas: Gianluca Scamacca (a, West Ham), Vlad Chiriches (z, Cremonese) e Filip Djuricic (mat, Sampdoria)
Time-base (4-2-3-1): Consigli; Müldür (Toljan), Erlic, Ferrari, Rogério (Kyriakopoulos); Lopez, Frattesi; Berardi, Raspadori (Thorstvedt), Traorè; Álvarez.

A eliminação precoce na Coppa Italia, por derrota no clássico com o Modena, abriu uma pequena crise no Sassuolo: Berardi, irritado com insultos de um torcedor, quis revidar na base da agressão física. O nervosismo do atacante tem um pano de fundo bem óbvio – e que se relaciona ao mercado de transferências. Enquanto os neroverdi negociam Scamacca e tentam agradar Raspadori, que pediu para ser vendido, o novo camisa 10 da companhia continua na Emília-Romanha. E, dessa vez, a contragosto. Domenico não recebeu propostas nem após a temporada mais positiva de sua carreira e vê o bonde da história passar.

Ao que tudo indica, aos 28 anos, Berardi continuará a liderar o Sassuolo. O calabrês terá, a seu lado, Frattesi e Traorè? Talvez, já que eles ainda podem ser negociados nesta janela. O fato é que, com ou sem eles, os neroverdi contarão um elenco capaz de ficar no meio da tabela sem correr qualquer risco de rebaixamento. Afinal, a observação é o grande forte do projeto dos emilianos, que foram buscar jovens interessantíssimos, como Álvarez, Pinamonti e Thorstvedt, nesta janela. Reposições à altura e, potencialmente, vendas futuras a peso de ouro.

Dito isso, vale a pena acompanhar o quanto os três citados devem render com Dionisi, que tem um dos melhores trabalhos do mundo. Tudo o que o treinador precisa fazer é comandar um time repleto de atletas de grande qualidade técnica e bolar estratégias que os façam apresentar um bom futebol. Isso sem pressão de ultras nervosos ou de uma diretoria sedenta por resultados. Muito provavelmente, será mais um ano de diversão para o Sassuolo.

Mattia Caldara em jogo-treino do Spezia (divulgação)

Spezia

Cidade: La Spezia (Ligúria)
Estádio: Alberto Picco (11.466 lugares)
Fundação: 1906
Apelidos: Aquilotti, Bianchi, Bianconeri
Principais rivais: Genoa, Pisa, Carrarese e Lucchese
Participações na Serie A: 3
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 15ª colocação)
Na última temporada: 16ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Luca Gotti (1ª temporada)
Destaques: Giulio Maggiore, Mattia Caldara e Emmanuel Gyasi
Fique de olho: Emil Holm
Principais chegadas: Albin Ekdal (m, Sampdoria), Mattia Caldara (z, Venezia) e Bartlomiej Dragowski (g, Fiorentina)
Principais saídas: Ivan Provedel (g, Lazio), Martin Erlic (z, Sassuolo) e Rey Manaj (a, Watford)
Time-base (3-5-2): Dragowski; Caldara, Nikolaou, Kiwior; Sala (Amian), Maggiore, Ekdal, Kovalenko, Ferrer (Reca); Verde (Nzola), Gyasi.

Teremos o terceiro milagre de La Spezia? Após ser salvo por Vincenzo Italiano e Thiago Motta, o time do litoral da Ligúria tentará outra permanência na elite italiana sob o comando de Gotti, que fez um trabalho razoável pela Udinese. A missão do novo comandante, contudo, será mais difícil que a dos seus antecessores.

O modestíssimo mercado do Spezia não fez o time mudar de patamar. Aliás, a rigor, o elenco é bastante parecido ao do ano anterior. O grande problema para os bianconeri é que os adversários se reforçaram e ganharam terreno na corrida pela permanência na elite. A goleada por 5 a 1 na terceira fase da Coppa Italia sobre o Como, que buscou Cesc Fàbregas para jogar a Serie B, não deve iludir a torcida dos aquilotti.

Caldara e Ekdal acrescentam experiência à equipe, que conta com Kiwior, Maggiore, Verde e Gyasi em sua espinha dorsal. No entanto, o caminho do Spezia em 2022-23 deve ser bastante longo e tortuoso. A saída de Provedel pode dar intensas dores de cabeça aos spezzini, já que Zoet não mostrou segurança desde que chegou à Itália e Dragowski, que reforçou a baliza nesta semana, passa por momento negativo. Ter um goleiro confiável pode ser fator diferencial entre o descenso e a permanência, tal qual contar, no plantel, com um goleador capaz de colocar 10 ou mais bolas na casinha com tranquilidade. Hoje, o Spezia não tem nem um nem outro.

Vlasic, do Torino

Torino

Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Olímpico Grande Torino (28.177 lugares)
Fundação: 1906
Apelidos: Toro, Granata
Principal rival: Juventus
Participações na Serie A: 79
Títulos: 7
Na última temporada: 10ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Ivan Juric (2ª temporada)
Destaques: Sasa Lukic, Wilfried Singo e Samuele Ricci
Fique de olho: Emirhan Ilkhan
Principais chegadas: Nemanja Radonjic (mat, Benfica), Valentino Lazaro (m, Benfica) e Nikola Vlasic (mat, West Ham)
Principais saídas: Andrea Belotti (a, sem clube), Bremer (z, Juventus) e Tommaso Pobega (m, Milan)
Time-base (3-4-2-1): Berisha; Izzo, Zima, Rodríguez; Singo (Lazaro), Lukic, Ricci, Vojvoda; Linetty (Vlasic), Radonjic; Sanabria.

O nível de tensão no Torino durante a pré-temporada foi tão grande que o técnico Juric chegou a trocar empurrões com o diretor esportivo Davide Vagnati no hotel em que a delegação se hospedava durante a maior parte da preparação. O croata estava descontente com a falta de reforços, em contraste com a perda de Belotti, Bremer, Pobega e Ansaldi, pilares do time, e de peças importantes, como Brekalo, Praet e Mandragora.

Após as rusgas entre Juric e Vagnati, o Toro passou a contratar, mas o elenco não tem (ao menos por enquanto) tanto talento quanto o da temporada passada. Portanto, será difícil para os grenás repetirem a positiva campanha de 2021-22, concluída na metade superior da tabela. Mais modesta, a equipe continua sem um goleiro extremamente confiável, ainda que Berisha costume entregar bons momentos de vez em quando, e está carente de um goleador. Por outro lado, o meio-campo é qualificado e conta com peças capazes de se inserirem para finalizar.

No fim das contas, Juric vive uma situação similar àquela que atravessou – e superou – no seu segundo ano de Verona. No Vêneto, viu o time se enfraquecer após uma bela campanha, mas entendeu o novo momento e foi hábil para entregar um desempenho próximo ao que já obtivera – em 2020, o Hellas foi nono colocado; em 2021, décimo. Em suma, o torcedor grená confia que o técnico possa reescrever esta história. Capacidade, tem.

Bijol, da Udinese

Udinese

Cidade: Údine (Friul-Veneza Júlia)
Estádio: Friuli – Dacia Arena (25.144 lugares)
Fundação: 1896
Apelidos: Bianconeri, Friulani e Zebrette
Principais rivais: Venezia e Triestina
Participações na Serie A: 50
Títulos: nenhum (melhor desempenho: vice-campeã)
Na última temporada: 12ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Rodrigo Becão e Walace
Técnico: Andrea Sottil (1ª temporada)
Destaques: Beto, Gerard Deulofeu e Destiny Udogie
Fique de olho: Festy Ebosele
Principais chegadas: Jaka Bijol (z, CSKA Moscou), Sandi Lovric (mat, Lugano) e Enzo Ebosse (le, Angers)
Principais saídas: Nahuel Molina (ld, Atlético de Madrid), Jens Stryger Larsen (ld, Trabzonspor) e Pablo Marí (z, Arsenal)
Time-base (3-5-2): Silvestri; Rodrigo Becão, Bijol (Nuytinck), Pérez; Soppy, Pereyra, Walace, Makengo (Lovric), Udogie; Deulofeu, Beto.

Entra ano, sai ano e a Udinese continua a encontrar motivos para surpreender. Mesmo quando a equipe pareceu ficar mais vulnerável, devido a alguma venda importante ou à aquisição de reforços menos brilhantes, entregou momentos (e atletas) valorosos. Em 2022-23, contudo, não deve deixar ninguém pasmo: os friulanos tendem a ter vida tranquila na Serie A e a explorar os seus talentos com a mesma calma.

Nos últimos campeonatos, o time bianconero recuperou Rodrigo De Paul e Deulofeu, potencializou Molina e Udogie, e ainda revelou Beto para o futebol europeu – entre outros méritos. Dessa vez, os friulanos foram buscar nomes interessantes na Rússia, na Suíça, na França e na Grã-Bretanha, formando um elenco promissor. Nesta temporada, vale ficar de olho nos eslovenos Bijol e Lovric, que chegam para jogar e têm capacidade de se firmarem rapidamente no onze inicial.

Em 2022-23, a Udinse também decidiu fazer sua maior aposta no banco de reservas. Em meados da temporada anterior, a diretoria exonerou Gotti sem motivo aparente e apostou em Cioffi, seu auxiliar, mas não deu continuidade à gestão: em junho, contratou Sottil, ex-zagueiro do clube. Apesar de ter experiência de uma década na função, Andrea viverá o seu batismo de fogo na primeira divisão. Seus melhores trabalhos resultaram em promoções à terceira e à segunda categorias, por Siracusa e Livorno, respectivamente. No ano passado, ele levou o Ascoli aos playoffs de acesso à elite.

Djuric, do Verona

Verona

Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Marcantonio Bentegodi (31.045 lugares)
Fundação: 1903
Apelidos: Mastini, Scaligeri, Butei, Gialloblù
Principais rivais: Vicenza, Napoli e Milan
Participações na Serie A: 32
Títulos: 1
Na última temporada: 9ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Gabriele Cioffi (1ª temporada)
Destaques: Antonín Barák, Giovanni Simeone e Adrien Tameze
Fique de olho: Josh Doig
Principais chegadas: Roberto Piccoli (a, Genoa) Thomas Henry (a, Venezia) e Milan Djuric (a, Salernitana)
Principais saídas: Gianluca Caprari (a, Monza), Nicolò Casale (z, Lazio) e Matteo Cancellieri (a, Lazio)
Time-base (3-4-2-1): Montipò; Ceccherini, Günter, Dawidowicz; Faraoni, Tameze, Ilic, Lazovic; Barák, Lasagna (Henry); Simeone.

Pela terceira campanha seguida, o Verona inicia um Italianão com elenco inferior ao da temporada precedente. Juric driblou esses problemas quando esteve no cargo e Igor Tudor, que substituiu Eusebio Di Francesco, também foi capaz de fazê-lo. E Cioffi, em seu segundo ano como técnico de Serie A, terá o mesmo destino? É uma dúvida genuína que os torcedores butei têm.

Essa incerteza ficou ainda maior depois que, no primeiro jogo oficial de 2022-23, pela Coppa Italia, o Verona foi atropelado. E não foi por qualquer um nem em qualquer lugar: em pleno Bentegodi, levou 4 a 1 do Bari, que disputava a terceira divisão há alguns meses. O que ocorreu acendeu o sinal de alerta no Vêneto, já que o time ainda pode perder peças importantes, como Ilic, Barák e Simeone.

Até agora, o mercado do Hellas é quase incompreensível. O time foi atrás de três centroavantes, sendo que Simeone ainda não foi negociado e Cioffi pretende utilizar apenas um no onze inicial. De quebra, o Verona também não buscou jogadores de características similares às de Caprari e Casale, que deixaram o clube. O período para agir está perto do limite. O prazo do Verona na elite também está?

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