Serie A

Dodô é mais um talento que deixa o Shakhtar, pronto para subir de nível com a Fiorentina

Dodô vinha de boas temporadas no Shakhtar Donetsk e chega como um interessante reforço à ascensão da Fiorentina

Desde o início da guerra na Ucrânia, o Shakhtar Donetsk perdeu grande parte dos brasileiros de seu elenco. Oito jogadores deixaram o clube em definitivo e outros seis estão emprestados, com apenas dois remanescentes – o zagueiro Marlon e o lateral Ismaily. Diante da brecha concedida pela Fifa, que liberou os atletas para interromperem seus contratos unilateralmente em busca de novos destinos, os Mineiros buscam uma indenização da entidade. Porém, também vendem alguns destaques para não permanecerem no prejuízo total. Nesta sexta-feira, mais um negócio foi fechado. O Shakhtar vendeu por €14,5 milhões o lateral direito Dodô, que passará a vestir a camisa da Fiorentina.

Até o momento, o Shakhtar recebeu €43,3 milhões em vendas de jogadores na janela de transferências. O valor ainda é relativamente baixo, considerando o potencial dos atletas negociados e até o histórico do clube, que não costumava aceitar qualquer proposta por seus talentos. Entretanto, o momento explica a situação. Não adianta ao Shakhtar segurar os atletas que não se veem em condições de permanecer num país em guerra. As vendas compensam, até para o clube sustentar as suas atividades e se reconstruir. Afinal, o Campeonato Ucraniano deve recomeçar com arquibancadas vazias em agosto e o time participará da Champions League em campo neutro.

Dodô estava entre os principais ativos do Shakhtar Donetsk. O lateral formado pelo Coritiba vinha de ótimas temporadas com o clube e momentos de destaque nas competições europeias. Aos 23 anos, passou pelas seleções brasileiras de base e tinha mercado para ligas maiores. Não saiu de imediato, na permissão criada com o início da invasão da Rússia na última temporada. Entretanto, não parecia um atleta com dificuldades de encontrar um novo destino. A Fiorentina é uma excelente pedida, pela ascensão recente no Artemio Franchi e pelas ambições do clube.

Dodô deixa o Shakhtar com 97 partidas, cinco gols e 17 assistências. Ingressa no futebol italiano com boa bagagem para o novo nível de desafio, incluindo ainda 30 aparições por competições europeias. Vai preencher uma lacuna importante no time, já que Álvaro Odriozola foi um dos destaques da Fiorentina na última Serie A, mas estava apenas emprestado e retornou ao Real Madrid. A Viola consegue uma reposição tão boa ou até melhor, e com um claro potencial de valorização. Corresponde às boas movimentações que a diretoria tem realizado no mercado de transferências.

Por enquanto, Dodô é a contratação mais cara da Fiorentina para a Serie A 2022/23. A Viola também trouxe o goleiro Pierluigi Gollini por empréstimo da Atalanta, conseguiu buscar o atacante Luka Jovic sem custos do Real Madrid e pagou €8,2 milhões para pinçar o volante Rolando Mandragora da Juventus. É um mercado positivo, considerando que as perdas mais sensíveis foram de jogadores emprestados – Lucas Torreira, Álvaro Odriozola e Krzysztof Piatek. O técnico Vincenzo Italiano parece ter condições de extrair mais da equipe, embora o calendário fique mais cheio com a classificação para a Conference League.

Já o Shakhtar reinveste uma parte bem menor do dinheiro recebido, em jogadores locais. A maior parte dos reforços são ucranianos, exceção ao volante Neven Djurasek, que veio do segundo quadro do Dinamo Zagreb. Também foram promovidos alguns jogadores do time B. Já o técnico Igor Jovicevic assume o comando no lugar de Roberto de Zerbi. Por serem os líderes do Campeonato Ucraniano no momento da interrupção na temporada passada, os Mineiros entram diretamente na fase de grupos da Champions. Mas será uma campanha de superação por todo o contexto.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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