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Diego López foi protagonista de um dérbi de Milão que merecia mais que um empate sem gols

Considerando os últimos jogos entre Internazionale e Milan, o futebol apresentado neste domingo no Giuseppe Meazza foi surpreendente. Não que o nível tenha aludido aos melhores duelos entre os rivais, mas houve chances boas de gol para os dois, e o placar de 0 a 0 certamente não reflete o que foi o confronto. Empurrada por sua torcida, maioria no estádio, e mais criativa no ataque, a Inter pressionou, sobretudo no segundo tempo, atrás do gol. Poderia ter se consagrado com a vitória e ganhado fôlego para brigar por vaga pelo menos na Liga Europa. Em vez disso, acabou consagrando Diego López.

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Os minutos iniciais faziam parecer que o Milan ralaria para segurar mesmo o empate. A Internazionale mantinha bastante posse, cercava a área do adversário e retomava rapidamente a bola quando os Rossoneri tentavam subir para o ataque. Esse domínio, no entanto, não se refletiu na criação de chances de gol. Tanto é que a primeira boa finalização dos Nerazzurri só veio quando Hernanes percebeu que não daria para esperar uma brecha da defesa adversária. Ajeitou de longe e mandou uma bomba, forçando Diego López a fazer defesa difícil e mandar para escanteio. Dois minutos depois, Kovacic apelou para o mesmo artifício, chutando de longa distância, mas sem perigo.

Depois do domínio da Inter no começo do jogo, o Milan passou a equilibrar o duelo a partir dos 15 minutos. Com Suso, aos 17 e aos 19, chegou com perigo, forçando Handanovic a trabalhar. No primeiro chute, defesa fácil do esloveno. No segundo, o goleiro teve de rebater, por causa da potência da finalização. Os Rossoneri aproveitaram o crescimento e conseguiram até balançar a rede, mas Alex, que pegou rebote e abriu o placar, teve seu tento invalidado pelo impedimento de De Jong no primeiro lance. Com o dérbi igual, os dois buscavam o gol, mas não conseguiram inaugurar o marcador antes do fim do primeiro tempo.

O intervalo poderia ter servido para ajuste de ambos os lados, mas parece que só Mancini teve a sorte de tirar de seus atletas o que pedira nos vestiários. Os Nerazzurri reproduziram aquele domínio da primeira metade da etapa inicial, mas desta vez com maior contundência, variedade de jogadas e, o mais importante, chances de gol criadas. O gol parecia cada vez mais maduro.

No primeiro lance de perigo da segunda etapa, Palacio quase abriu o placar para a Inter aos 12 do segundo tempo. O argentino recebeu na área e conseguiu bater e superar o espanhol, mas Mexès entrou no meio do caminho e afastou. Acionando mais os lados do campo, a Inter descia pelas pontas e rolava para a chegada de Kovacic, que em duas oportunidades seguidas bateu de média distância, levando algum perigo. Foi também dos flancos que saiu o gol anulado da Inter, aos 30 do segundo tempo. Hernanes cruzou da esquerda, Mexès desviou contra a própria meta, mas uma falta já havia sido marcada antes do fim da jogada – de Palacio sobre Antonelli. Foi a partir daí que a estrela de Diego López começou a brilhar de verdade.

Principalmente entre os 30 e os 33 minutos, a Inter exerceu pressão enorme sobre a defesa do Milan. Até Juan, improvisado como lateral, tirou uma casquinha. Um chute forte, cruzado, interceptado por bela ponte de Diego López. Na cobrança do escanteio, o espanhol evitou um gol olímpico e ainda voltou a tempo para salvar o chute de Palacio com uma defesaça. D’Ambrosio tentou, Icardi quase marcou, mas nenhum dos dois chegou a acertar a meta. O Milan, por sua vez, teve uma última grande chance, com Mèxes acertando voleio já nos acréscimos, mas Handanovic estava esperto.

Após o fim do jogo, a impressão foi de que, depois de algum tempo, Inter e Milan finalmente fizeram um clássico que empolgasse quem estivesse assistindo. Nada de encher os olhos, mas pelo menos tolerável para quem espera um bom futebol de duas equipes tão tradicionais, embora enfraquecidas. No fim das contas, os Nerazzurri, empurrados por mais de 70 mil torcedores, chegaram mais perto de conseguir os três pontos, mas tiveram pela frente um goleiro em noite inspirada, que parecia capaz de passar mais alguns bons minutos segurando a pressão adversária. A expectativa é sempre de que, em clássicos deste tamanho, os protagonistas sejam ofensivos, mas Diego López merece ser exaltado.

Torcida da Internazionale no clássico com o Milan (AP Photo/Antonio Calanni)
Torcida da Internazionale no clássico com o Milan (AP Photo/Antonio Calanni)
Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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