Serie A

Dez detalhes que fazem o Scudetto de 2011/12, celebrado há dez anos, tão marcante para a Juventus

Renascida após a passagem pela Serie B, a Juventus retornou ao topo com um título invicto e vários grandes personagens

A Juventus passou oito anos sem conquistar o Scudetto, até finalmente soltar o grito em 2011/12. E aquele período representa um amargor maior para os juventinos, já que abarca o escândalo do Calciopoli. A Velha Senhora teve dois títulos impugnados, precisou se reconstruir na Serie B e ainda passou um tempo até que se restabelecesse como uma força competitiva na Serie A. O fim da espera finalmente se consumou há dez anos, em uma das conquistas mais marcantes do clube. A consagração veio com uma campanha invicta, e que iniciaria a partir de então a maior sequência de troféus da Juve, com um inédito eneacampeonato no país. Seria um ano especial, também, por todos os personagens envolvidos e mesmo pela inauguração do novo estádio.

Antonio Conte faturou seu primeiro título de elite, logo na primeira temporada à frente da Juventus. Andrea Pirlo transformou sua carreira após ser renegado pelo Milan e arrebentou durante todo o campeonato. Ao seu lado, Claudio Marchisio e Arturo Vidal também jogaram muito no meio-campo. Gianluigi Buffon tinha seu prêmio por toda a dedicação no renascimento da Velha Senhora, resguardado pelas primeiras versões do trio Andrea Barzagli, Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini. Por fim, aquela seria uma baita despedida a Alessandro Del Piero como lenda bianconera. Há exatos dez anos, em 13 de maio de 2012, com o título confirmado na rodada anterior, a Juve recebeu a taça e confirmou a façanha invicta. Abaixo, resgatamos essas histórias que engrandecem o momento.

(Valerio Pennicino/Getty Images/One Football)

A campanha invicta

Na história da Serie A, apenas um time havia conquistado a competição com uma campanha invicta: o Milan, em 1991/92. Outra campanha invencível, mas que rendeu apenas o vice, foi a do Perugia em 1978/79. A Juventus repetiu o feito de levar a taça sem uma derrota sequer, e com o diferencial de ter disputado uma campanha de 38 partidas, quatro a mais que os milanistas. Cabe lembrar que os juventinos abusaram dos empates em 2011/12, 15 no total. A equipe só venceu três partidas nas primeiras sete rodadas e, por isso, oscilou até realmente se colocar entre os postulantes ao título. No início do segundo turno, voltou a colecionar igualdades, chegando a ter 14 empates em 27 rodadas. Isso até que o caminho se abrisse a partir de março, com 10 vitórias nos últimos 11 jogos. Com isso, a Juve ultrapassou o Milan (que abriu até quatro pontos na dianteira antes dessa guinada dos concorrentes) e selou o feito com uma rodada de antecedência.

(Valerio Pennicino/Getty Images/One Football)

O início da história no novo estádio

Aquela seria uma temporada especial para a Juventus por também representar o início de sua história no novo estádio. O Juventus Stadium (atual Allianz Stadium) foi inaugurado em 8 de setembro de 2011, com um amistoso entre Juventus e Notts County – o clube que inspirou as cores do uniforme bianconero. Luca Toni, que logo deixaria a Velha Senhora, marcou o primeiro gol do palco. Três dias depois, a primeira partida oficial aconteceu com a goleada por 4 a 1 dos juventinos contra o Parma. Stephan Lichtsteiner teve a honra de abrir a contagem. A nova casa seria importante em termos econômicos, para alavancar as receitas, e também para garantir uma atmosfera calorosa que não existia no antigo Delle Alpi. Foi o início de uma nova era, marcada também pelo excelente aproveitamento da Juve como mandante. Naquela Serie A de 2011/12, a equipe somou 13 vitórias no local, com 40 gols marcados e só 12 sofridos.

(Valerio Pennicino/Getty Images/One Football)

O primeiro sucesso de Conte

Antonio Conte já constava entre as figuras históricas da Juventus como jogador, após 13 anos no clube e mais de uma dezena de títulos acumulados, incluindo cinco Scudetti e uma Champions. Como treinador, porém, sua carreira ainda se iniciava quando voltou ao clube em maio de 2011. O comandante tinha como seus grandes feitos até então os acessos conquistados à frente de Bari e Siena, mas também passou pela Atalanta sem deixar saudades. O retorno a Turim, porém, bastou para que o italiano provasse seu calibre e se colocasse entre os melhores técnicos da Europa. A maneira como Conte acertou os bianconeri taticamente foi um dos grandes méritos de sua primeira temporada. A defesa se tornou muito forte e o meio-campo concentrava o talento, numa equipe que não dependeu necessariamente de um grande artilheiro para garantir seus resultados. Ali iniciava-se o reconhecimento do ex-meio-campista na casamata.

(Valerio Pennicino/Getty Images/One Football)

A recompensa de Buffon

Gianluigi Buffon não abandonou a Juventus em seu momento mais amargo, com o rebaixamento à Serie B. Mesmo campeão do mundo, o goleiro manteve seu compromisso com a Velha Senhora e disputou a segundona. O acesso foi conquistado rapidamente, mas levou um tempo para que os juventinos recuperassem seu respeito. De certa maneira, isso também afetou Gigi e alguns até achavam que o arqueiro já tinha passado o seu melhor. Assim, aquela temporada de 2011/12 serviu exatamente para mostrar o contrário: Buffon permanecia entre os melhores do mundo. Foi a campanha na qual acumulou mais partidas sem sofrer gols, 21 no total. Tomou míseros 16 tentos nas 35 vezes em que esteve em campo, sua menor média pelo clube. Essa “segunda fase” da carreira em alto nível também é essencial para entender o lugar da lenda na história, e começa com o Scudetto.

(FABIO MUZZI/AFP via Getty Images/One Football)

A primeira conquista do BBC

Antonio Conte quase sempre pautou seus times no 3-5-2. Aquela Juventus usou a formação em dez partidas, mas geralmente vinha com uma linha de quatro atrás. Assim, o célebre trio BBC ganhava entrosamento em um desenho um pouco diferente do costumeiro. Por vezes na lateral esquerda, Giorgio Chiellini era o mais antigo no clube. Chegou na malfadada temporada de 2005/06, mas foi com a reconquista do Scudetto que realmente apresentou sua veia vencedora. Leonardo Bonucci estava em seu segundo ano em Turim e adentrava no ponto alto da carreira, por mais que sua campanha individual tivesse altos e baixos. Já a menção principal fica a Andrea Barzagli, que veio do Wolfsburg no meio da temporada anterior e jogou o fino na Serie A 2011/12. Redescobriu sua carreira na Itália no mais alto nível. Seriam pilares de outras glórias que estavam por vir. Vale citar ainda o grande trabalho de Stephan Lichtsteiner na lateral direita, o melhor de sua posição na liga.

(Valerio Pennicino/Getty Images/One Football)

O renascimento de Pirlo

A principal contratação da Juventus para 2011/12 foi a aposta em Andrea Pirlo, e de graça. O meio-campista chegava sob descrédito em Turim, depois que o Milan não chegou a um consenso pela renovação de seu contrato. A Velha Senhora recebia um dos melhores jogadores italianos no século, disposto a provar que sua carreira não estava acabada, depois de alguns anos abaixo de sua média. O que se viu, então, foi um dos períodos mais espetaculares do maestro – com sobras o melhor jogador daquela Serie A. A maneira como Pirlo conduziu a Velha Senhora naquela temporada foi sublime, entre seus lançamentos espetaculares e as cobranças de falta perfeitas. O craque fechou o campeonato com 14 assistências distribuídas, o melhor do time, além de três gols. Aos 32 anos, o veterano reinventava sua história para se consagrar também como um ídolo juventino a partir de então.

(GIUSEPPE CACACE/AFP/GettyImages/One Football)

A eclosão de Vidal e o auge de Marchisio

O trabalho de Pirlo na cabeça de área acabava facilitado pelo alto nível de desempenho de seus dois companheiros mais à frente. Arturo Vidal e Claudio Marchisio também jogaram muita bola. Vidal ainda viveria seu ápice no clube, mas chegou muito bem do Bayer Leverkusen naquele ano e não demorou para se encaixar como um motor na faixa central. Já Marchisio desfrutou ali da melhor temporada de sua carreira, com muita combatividade na marcação e liberdade para subir. O italiano oferecia boa chegada ao ataque e, não à toa, seria o vice-artilheiro da equipe com nove gols. Não conseguiria repetir a excelência exibida em 2011/12 na sequência de sua trajetória com a Juve, embora mantivesse o seu status como ídolo exatamente pelo que fez no Scudetto.

(Valerio Pennicino/Getty Images/One Football)

A despedida de Del Piero

Alessandro Del Piero era uma lenda viva da Juventus que resistia ao tempo. O capitão completava 19 anos com a equipe, protagonizando algumas das maiores conquistas e atravessando diferentes momentos importantes. Assim como Buffon, foi outro que não abandonou o clube depois da Serie B e teve seus brilhos na reconstrução da Velha Senhora após o Calciopoli. Já em 2011/12, o camisa 10 permanecia mais como uma liderança do que como uma referência em campo, geralmente limitado aos minutos finais das partidas – em ataque composto majoritariamente por Alessandro Matri e Mirko Vucinic. Isso não impediu a apoteose do craque na reta final da campanha. Os três gols marcados por Del Piero vieram depois de março. Balançou as redes na vitória sobre a Internazionale e também contra a Lazio com um gol de falta no final. Por fim, na última rodada, em seu último jogo pela Serie A, o veterano deixou o seu contra a Atalanta e ergueu a taça. Cenas derradeiras dignas de sua grandeza.

(Filippo Alfero/AFP/GettyImages/One Football)

A polêmica da estrela

As comemorações daquele Scudetto foram marcadas por uma controvérsia envolvendo as estrelas da Juventus. Oficialmente, o clube conquistava seu 28° título no Campeonato Italiano. Porém, os bianconeri contavam 30, ao considerarem as taças anuladas pelo Calciopoli em 2004/05 e 2005/06. As três dezenas, em teoria, dariam direito à terceira estrela na camisa e o clube incluiu o adereço em vários atos oficiais. No fim das contas, o uniforme só bordaria a nova estrela dois anos depois, mas nas arquibancadas e no discurso de vários juventinos ela estava presente desde então.

(Filippo Alfero/AFP/GettyImages/One Football)

A dinastia que viria depois

A conquista da Juventus parecia restabelecer o clube como uma potência nacional, não apenas por todas as virtudes da campanha, mas também pelo impulso com o novo estádio. O que não dava para imaginar era o eneacampeonato que os juventinos conseguiram emendar a partir de então. O sucesso da Velha Senhora se combinou com as mudanças administrativas principalmente de Internazionale e Milan. A base bianconera se preservou por um bom tempo, especialmente na defesa, o que permitiu a continuidade mesmo com trocas mais constantes no comando técnico. O renascimento da Juve se combinou tão logo com o ódio que o clube despertava em várias pessoas. Aquele Scudetto de 2011/12, ainda assim, foi visto de maneira até mais simpática pela reconstrução que ele sacramentava.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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