Serie A

Conte: “Fui aconselhado a não dirigir a Inter, mas gosto de desafios, e esse é o mais difícil na minha carreira”

A Internazionale se mostra cada vez mais preparada para recuperar o Scudetto, depois de 11 anos em jejum. Os nerazzurri atravessaram momentos de instabilidade em campo, com a eliminação na Champions League, e também lidam com a incerteza diante da quebra do Grupo Suning, dono do clube. Em compensação, Antonio Conte tem realizado um trabalho excepcional dentro da Serie A, que ficou expresso no último dérbi contra o Milan. No confronto direto, os interistas venceram por incontestáveis 3 a 0 e abriram quatro pontos na liderança.

Durante os últimos dias, Conte deu boas entrevistas, ao Corriere della Sera e à Sky Italia. Falou não apenas sobre a transformação da Inter, como também a respeito de suas próprias ideias como treinador. Abaixo, destacamos alguns pontos interessantes:

A preparação como treinador

“Quando as pessoas falam sobre mim, há sempre um ‘mas’. ‘Ele é um bom treinador, mas…’ Isso me estimula. O futebol é minha paixão, gosto de ver treinadores com ideias. Quando encerrei minha carreira como jogador, comecei de baixo no Arezzo. Ganhei tudo como jogador, mas como treinador comecei do zero. Esses que jogam em grandes clubes acham que podem ser técnicos, mas é diferente. Sou mais preparado graças às minhas experiências. Fui aconselhado a não dirigir a Inter, mas gosto de desafios, e esse é o mais difícil na minha carreira”.

A evolução de suas ideias

“Eu me inspirei mais em treinadores não-profissionais do que naqueles que estudaram em Coverciano. No início, eu usava o 4-2-4. Então eu mudei para a defesa com três homens, porque é mais ofensivo, você pode atacar com cinco jogadores. No Chelsea, mudei porque Hazard, Willian e Pedro tiveram dificuldades para realizar o papel defensivo pelos lados. A ideia precisa ser adaptada aos jogadores. Vejo o futebol como um estudioso: reformular as ideias faz a diferença entre os treinadores”.

A instabilidade após a queda na Champions

“Um adversário pressionaria para que eu fosse demitido pela Inter. Como oponente, gostaria de derrotar o inimigo esportivamente. Mandar o treinador embora teria facilitado aos outros. É difícil mudar esse chip mental. Se você não ganha por dez anos, inconscientemente se acostuma com a situação, procura desculpas ou culpa outra pessoa, não vê suas limitações ou falhas. O ambiente está impregnado disso. É importante trabalhar não apenas os jogadores, mas todos os setores. Essa é a diferença entre vencer e viver em paz”.

A mudança da mentalidade

“Não houve qualquer pacto sobre o Scudetto. São jogadores da Inter, eles precisam ter sempre a ambição de vencer. Já se passaram muitos anos desde que a Inter ganhou algo, estivemos muito perto na temporada passada, apesar de ter sido meu primeiro ano. Acho que saímos da Champions League sem merecer isso, mas a queda nos fez olhar para dentro e perceber que precisávamos elevar o sarrafo, sermos mais competitivos. Se estivéssemos na Champions agora, acho que poderíamos deixar nossa marca no torneio”.

A ideia por continuidade

“Existem vários treinadores bons. Penso em Luciano Spalletti, por exemplo. Ele é um excelente estrategista. O problema é quebrar certos equilíbrios para guiar o barco, mesmo que alguém possa se arrepender por ter escolhido você. Dou meu máximo para o meu clube. Tenho paixão, e a paixão faz a diferença. Um treinador fica feliz quando um projeto dura muito. Se você tiver que partir depois de um tempo breve, fica um gosto amargo. Deixar sua marca e permanecer por muitos anos é o mais bonito. Gostaria que houvesse continuidade em tudo”.

O equilíbrio da Inter

“Ralf Rangnick me cumprimentou dizendo que via a Inter como um time sofisticado. As pessoas costumam falar sobre futebol simples, mas você percebe que há uma ideia. Começamos desta maneira, agressivos. Talvez tenhamos exagerado e nossos oponentes tenham encontrado as soluções. Agora temos equilíbrio, com uma boa mistura de agressividade e espera: ficamos mais compactos para, quando atacarmos, ferirmos o adversário”.

O estilo agressivo

“Sempre digo aos meus jogadores que eles precisam ser pessimistas quando atacam. O otimista pensa que não vai perder a bola e não está pronto. O pessimista planeja mais. É preciso um grande equilíbrio. Para mim, o máximo é atacar com cinco ou seis jogadores. No começo do campeonato, nós criamos muito, mas estávamos um pouco expostos e tomamos muitos gols. Agora, há um bom equilíbrio e todos participam das duas fases”.

O momento de Lukaku

“É fácil dizer que Lukaku só é imparável se houver espaço. Gostaria que Lukaku e Lautaro tivessem mais espaços dentro da área. Não acho que isso seja bom para os defensores. Lukaku é um jogador atípico, um atacante veloz, poderia jogar futebol americano”.

As dificuldades financeiras do grupo Suning

“Um clube como a Inter, por respeito à torcida e à história, tem que se concentrar em campo. Além disso, tudo o que posso fazer é focar naquilo que consigo influenciar. O mesmo acontece com os jogadores. Não adianta perder tempo e energia com coisas que não podemos influenciar”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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