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Unindo as cores de Lazio e Roma, a 3ª força da capital italiana quer conquistar as duas torcidas

Roma e Lazio disputarão nesta segunda um dos clássicos mais importantes da história da Serie A. Bem que os rivais gostariam de ainda disputar o título italiano. Mesmo assim, o Dérbi da Capital vale o vice-campeonato e a vaga direta na fase de grupos da Liga dos Campeões, que evita o sufoco das preliminares. Donos de uma grande arrancada neste segundo turno, os laziali precisam da vitória ou ao menos do empate para ter vantagem em caso de igualdade na tabela. Enquanto isso, os romanistas terão que lidar com a pressão, de um time que só nas últimas semanas retomou os rumos de um mau início de ano.

HISTÓRIA: Depois de desprezar o futebol, o fascismo também interferiu nos rumos dos clubes

Certamente a capital italiana se dividirá entre os dois grandes clubes. A cultura futebolística na cidade gira em torno deles desde a década de 1920. Afinal, o projeto esportivo do regime fascista de Benito Mussolini previa no máximo dois clubes por cidades, fortalecendo as instituições e espalhando a Serie A por vários cantos do país. Tanto que, embora a Lazio seja mais antiga e foi preservada pelo governo, a Roma nasceu a partir da fusão de outras equipes da capital. Somente nas décadas posteriores é que surgiram novos clubes no local. E, fadados às divisões menores, o que sobrevive com mais força atualmente é a Lupa Roma. Uma equipe que divide os símbolos dos gigantes e não deverá tomar partido nesta segunda.

Após a extinção do Atlético Roma, em 2010, a Lupa Roma assumiu de vez o posto de terceira força na cidade. E os resultados têm evoluído nos últimos anos. Fundado em 1974, o clube passou as décadas de 1980 e 1990 limitado aos campeonatos regionais do Lácio. Já nos últimos 12 anos, voltou a aparecer nas competições nacionais, para a arrancada atual. Retornando à Serie D em 2011/12, o equivalente à quinta divisão italiana, a Lupa batalhou três temporadas para conquistar novo acesso em 2013/14. Campeã de um dos três grupos regionais da Serie D, ainda se beneficiou da reestruturação do futebol nacional: as antigas Series C1 e C2 (terceira e quarta divisão) se fundiram, dando origem a um novo terceiro nível, a Lega Pro.

ARQUIVO: O maior Lazio x Roma da história aconteceu em maio de 2013

A primeira temporada na nova terceira divisão não terminou com acesso, mas a Lupa Roma teve um desempenho razoável para a sua realidade. Em um campeonato dividido em três grupos regionais de 20 times, o clube da capital acabou na 13ª posição, longe da briga contra o rebaixamento. Viu clubes tradicionais brigarem pela parte de cima da tabela, como a Salernitana, o Lecce e o Foggia, enquanto Messina e Reggina correm risco de rebaixamento.

lupa

Independente do tamanho, ter uma boa gestão é o suficiente para chegar à Serie B, e muitos clubes de cidades pequenas vêm dando o exemplo nos últimos anos. Para a Lupa Roma, pode ser mais simples, conquistando a simpatia dos torcedores de Lazio e Roma que também gostam de futebol alternativo. O escudo, por exemplo, presta tributo aos gigantes da cidade, meio grená e meio celeste, com a loba romanista e a águia laziale. Já os uniformes titulares trazem uma faixa no peito que mistura o giallorosso com o biancoceleste. Uma transformação nos símbolos ocorrida em 2013 e que pretende justamente atrair os olhares do resto da cidade. O nome de “Lupa”, embora faça referência ao mito fundador romano de Rômulo e Remo, também deriva da sigla em latim de “Ludentes Vivendi Perdiscimus Artem”.

Por mais que mantenha Roma como uma das duas cidades italianas (ao lado de Verona) a manter três clubes profissionais, ainda não dá para dizer que o projeto de torcida mista da Lupa seja bem sucedido. Nesta temporada, a média de público no Estádio Quinto Ricci foi a pior de seu grupo na terceirona, chegando a 513 espectadores por partida. No entanto, o fato de jogar em um acanhado estádio na região metropolitana para 2 mil pessoas, a cerca de 30 km do centro da capital, atrapalha bastante. A popularização da Lupa Roma passa por uma casa melhor, que, não à toa, é a maior briga da diretoria atualmente e inclui até mesmo petições. O antigo Estádio Flaminio poderia ser uma alternativa, mas hoje está abandonado pelas autoridades municipais. Quem sabe mais próximo do coração de Roma, os novatos possam ter a sua ascensão recente mais percebida por aqueles torcedores que querem atrair.

A sugestão da pauta foi dada pelo leitor Alexandre Teixeira, o Megas. Valeu! =)

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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