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Com 73 pontos em 75, o trator da Juventus atropelou todo mundo e foi penta com folgas

Primeiro, foi o pior início de Serie A na história, com duas derrotas em duas rodadas. Em seguida, o pior em 53 anos. Na 10ª rodada, havia perdido para o Sassuolo e estava na 12ª posição, a 11 pontos da liderança. Foi a última vez que alguém conseguiu derrotar a Juventus no Campeonato Italiano. Desde então, foram 25 jogos, 24 vitórias e um quase poético empate sem gols com o Bologna, uma pequena imperfeição em uma arrancada primorosa. Conquistou 73 pontos em 75 possíveis, e o pentacampeonato foi confirmado na manhã desta segunda-feira, com o triunfo da Roma sobre o Napoli, por 1 a 0.

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Em agosto, o técnico Massimiliano Allegri, agora com três títulos nacionais em seu nome (um pelo Milan), alertava que o Campeonato Italiano não era uma corrida de 100 metros, mas uma maratona. Ele tinha a missão de reorganizar o time depois da saída de Pirlo, Vidal e Tevez, três peças importantíssimas. Precisava de tempo e sabia também que, pela superioridade de recursos, estrutura e elenco que a Juventus tem em relação a seus concorrentes domésticos, poderia partir um pouco atrás que daria tempo de alcançar os seus competidores.

Foi o que aconteceu. Aquela vantagem de 11 pontos que a líder Roma tinha para a Juventus na 10ª rodada foi completamente dizimada. A três jogos do fim, a campeã tem 12 pontos a mais que o segundo colocado Napoli e 14 em relação à Roma. Os dois principais concorrentes ao título ao longo do campeonato não conseguiram acompanhar a rival, que atropelou a todos como um trator. Elencos mais curtos e times irregulares cobraram o preço. O Napoli perdeu três dos últimos seis jogos, dois deles sem o artilheiro Higuaín, suspenso, e a Roma teve um péssimo momento entre novembro e janeiro, quando ganhou uma única partida em nove disputadas.

Ajuda também que os principais adversários históricos da Juventus, os que deveriam ter mais recursos para desafiá-la, não conseguem sair do profundo poço em que se enfiaram. A Internazionale chegou a esboçar uma briga pelo título no começo da temporada, mas deve se contentar mesmo é com vaga na Liga Europa. Com a vitória, a Roma ficou a oito pontos de distância e dificilmente será alcançada. O Milan, um pouco melhor que em anos anteriores, está ainda mais longe.

À medida em que o jogo da Juventus foi encaixando, o rendimento de alguns jogadores também cresceu. Pogba, o líder técnico do time, é o mais óbvio, mas Paulo Dybala assumiu a responsabilidade pelos gols que Tevez costumava fazer. O vice-artilheiro da Serie A marcou 12 gols nessa sequência, e 16 no total. Khedira reencontrou seu futebol, Buffon esteve impecável, a ponto de bater um importante recorde, e Mandzukic fez intervenções importantes, com quatro gols nas últimas cinco rodadas do torneio.

O 32º título italiano da Juventus foi o quinto seguido do time, igualando o pentacampeonato entre 1931 e 1935. Na próxima temporada, a Velha Senhora buscará o hexa, feito que seria inédito no futebol italiano. Se os adversários quiseram impedi-la, é bom começarem a se preparar para isso a partir de agora.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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