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Camoranesi, 40 anos: A dose cavalar de energia que tanto ajudou Itália e Juve a fazerem história

Não é preciso ser um craque para conhecer os atalhos do campo. Não se faz necessário desequilibrar em todos os jogos para se tornar fundamental a uma equipe. Não se alcança grandes conquistas sem vontade de vencer. Verdades que nem sempre são tão óbvias, mas valem demais no futebol. E partem como pressupostos para se explicar a importância de Mauro Camoranesi ao longo de sua carreira. Embora dotado de ótima qualidade técnica, o meio-campista não era a estrela de suas equipes. Ainda assim, sempre foi utilíssimo. Por isso, se consagrou em grandes times da Juventus e da seleção italiana. O argentino completa 40 anos nesta terça.

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Camoranesi teve um início de trajetória modesto. Rodou por Aldosivi, Santos Laguna, Montevideo Wanderers e Banfield. Ficou marcado em seus primeiros anos por uma falta violentíssima que abreviou a carreira de um adversário – e lhe rendeu punição mesmo depois de se aposentar. A eclosão do meio-campista só aconteceu aos 22 anos, arrebentando no Cruz Azul. Do México, pintou para duas boas temporadas no Verona. Até chegar à Juventus com certo alarde, mas longe de ser imaginado como um jogador de peso histórico em Turim.

Em oito anos com a Velha Senhora, Camoranesi se aproximou dos 300 jogos, titular na maior parte do tempo. Conquistou sete títulos, incluindo aí dois Scudetti revogados por conta do Calciopoli. E, independente disso, valeu o seu comprometimento por não abandonar o clube, ao lado de Buffon, Del Piero, Nedved e Trezeguet no acesso na Serie B em 2007. Jogando no meio ou na ponta, o argentino oferecia doses cavalares de raça aos juventinos. Tinha grande participação na construção de jogo, através de sua precisão de seus passes e de seu controle de bola, distribuindo dribles para quebrar as linhas de marcação. Além disso, também desequilibrava mais à frente, seja por suas aparições na área, por suas arrancadas ou por seu chute potente.

A regularidade de Camoranesi valeu a atenção da seleção italiana. E o meio-campista não recusou o chamado da terra de seus antepassados, embora não negasse o seu sentimento como argentino. A partir de 2003, começou a ser convocado pela Itália. Acumulou 55 aparições. Cinco delas, na Copa do Mundo de 2006. Não foi protagonista, mas se fez notar pela funcionalidade ao time de Marcello Lippi, adicionando energia pelo lado direito. Ajudou a fazer um time de operários, apesar dos muitos talentos também presentes.

A reta final da carreira começou para Camoranesi a partir de sua ida ao Stuttgart, embora seguisse desempenhando papel notável na Juventus. Não se firmou na Alemanha e viveu os seus últimos dias na Argentina, passando por Lanús e Racing. Hoje, tenta a sorte como técnico. Olhando para trás, talvez fique difícil de dissociar a imagem de Camoranesi do jogador que protagonizou alguns episódios de destempero e violência. Não é isso, entretanto, que diminui a trajetória que construiu. Para se falar da Itália campeã do mundo ou da ótima Juventus de Fabio Capello, seu nome se faz primordial. Pois assim, sendo primordial, é que o meio-campista ajudou a dar liga a dois timaços.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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