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A cada rodada um novo show, e a pergunta se renova: qual o limite para a evolução de Pogba?

Mais uma partida, uma nova atuação espetacular. O ano ainda nem terminou o seu primeiro mês, é precipitado demais para fazer qualquer aposta, mas não custa nada palpitar: neste momento, Paul Pogba poderia muito bem aparecer no Top 3 da Bola de Ouro de 2015. O que o meio-campista (ou todo-campista, como diria Mauro Beting) da Juventus vem jogando nas últimas semanas beira o inacreditável. Neste domingo, mais uma partidaça na Serie A, construindo a vitória por 2 a 0 sobre o Chievo, em Turim. Para manter os bianconeri no topo da tabela e se candidatar, cada vez mais, para ser o craque do time na temporada.

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Logicamente, falar em Bola de Ouro neste momento é apenas um exercício de imaginação, que depende de muitos outros fatores – como o desempenho na Liga dos Campeões, por exemplo. De qualquer forma, por tudo o que Pogba vai fazendo, não seria surpreendente se a Juve superasse os seus traumas recentes no torneio. A evolução do francês impressiona pela velocidade. Do garoto que, há um ano e meio, parecia pronto para dividir a meia-cancha com Pirlo e Vidal, o camisa 6 se tornou um monstro que vai carregando a Juventus a cada partida.

E não custa lembrar: Pogba ainda nem completou 22 anos. Em 2012, ele era visto apenas como um garoto promissor que mal jogava no Manchester United. Em 2013, ele chegou ganhando espaço na Juve e conquistou o Mundial Sub-20 com a França, eleito também o melhor jogador do torneio. Em 2014, passou a ser um dos principais jogadores da Vecchia Signora e também dos Bleus na Copa do Mundo, premiado como o melhor jovem do Mundial. Em 2015, não deve nada para alguns dos melhores meio-campistas do mundo. Como um segundo volante de pegada e de chegada ao ataque, pode ser colocado ao lado de Yaya Touré e Schweinsteiger, os dois maiores especialistas na função. Só que o francês está em fase ainda melhor que os dois veteranos, e com um futuro muito maior pela frente.

Contra o Chievo, os dois lances de gol deixaram o quão completo Pogba é. No primeiro tento, o meio-campista cortou com a perna direita (a boa) e deu um chute certeiro com a canhota, que seria a ruim – mas só em teoria. Já no segundo gol, combinou capacidade atlética e qualidade técnica em um domínio impressionante dentro da área. Sem deixar a bola cair, emendou para o gol, com Lichtsteiner completando pelas redes. Às vezes falta em Pogba um pouco mais de calma na finalização, precisão em lances que precisam de um pouco mais de frieza. Algo a se corrigir, e que ele terá muito tempo pela frente. E, de qualquer forma, quando ele acerta, produz verdadeiros golaços, como o recente diante do Napoli. E isso sem falar no drible acima.

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Certa vez, nos comentários aqui da Trivela, um leitor (desculpa, cara, não vou me lembrar do seu nome) disse que Pogba seria uma “dádiva dos deuses do futebol” à França. O garoto mesclaria as virtudes de Zidane e Vieira, os dois maiores talentos do meio-campo azul que conquistou a Copa de 1998 e a Euro de 2000. Tudo bem que Pogba não possui a potência física do volante ou a genialidade do meia. Mas, sem querer ser herético, tem mesmo lampejos dos dois craques. Como Zizou, arma com maestria e executa dribles à perfeição. Como Vieira, domina uma área enorme do campo e possui muito vigor na marcação. E podendo evoluir mais.

A França, para o seu deleite, poderá continuar desfrutando de Pogba por muito tempo, e já cria esperanças para reconquistar a Eurocopa em 2016 – uma taça levantada justamente por dois mitos da Juve, Platini e Zidane. A permanência do craque em Turim, contudo, cada vez fica mais em xeque. Por mais que a diretoria bianconera se comprometa a segurá-lo, não será surpreendente se verdadeiras fortunas aparecerem para levar Pogba na próxima temporada, como se especula. Por enquanto, os juventinos podem confiar no talento do meia para buscar o tetra. Mas, nessa evolução constante, o limite do camisa 6 parece cada vez mais imprevisível.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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