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Brilhando no Venezia, Inzaghi diz: “Tive dificuldades no Milan, mas nunca perdi a força ou a fé”

Pippo Inzaghi vive uma temporada redentora. Após a malfadada passagem como técnico principal do Milan, quando durou apenas um ano e não passou do 10° lugar na Serie A, o ex-centroavante ganhou a chance de recomeçar no Venezia. E, com meses de trabalho, o seu impacto sobre o tradicional clube de Veneza tem sido enorme. Primeiro, conquistou o acesso à segunda divisão do Campeonato Italiano, assegurando com boa antecedência a liderança de sua chave na terceirona. Já nesta semana, o treinador pôde levantar mais uma taça. Os Leoni Alati derrotaram o Matera e faturaram a Coppa Italia Lega Pro, dedicada aos 54 clubes do terceiro nível do país.

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Em entrevista à Gazzetta dello Sport, Inzaghi ressaltou o seu orgulho pelo feito, especialmente diante da importância para a sequência da nova carreira: “Eu sinto uma enorme felicidade pelo momento. Eu vivo para isso. A carreira de técnico é mais difícil do que a carreira de jogador, mas você degusta mais os sucessos. E a última vitória sempre é a mais bonita. Eu aproveito o campo, o trabalho e meu relacionamento com os jogadores. Sem pensar sobre o passado. Eu tive muitas dificuldades no Milan, mas nunca perdi a força ou a fé”.

Além disso, Inzaghi demonstrou certa mágoa com o Milan, pela falta de paciência com seu trabalho, diante do momento incerto vivido pelo clube, em enorme instabilidade interna: “Nós sabemos os motivos que existiram em minha passagem pelo Milan. Ninguém fez melhor do que eu nos últimos anos, mesmo gastando €100 milhões ou com um elenco melhor do que o meu. Mas este título não tem gosto de revanche. Sou um jovem técnico feliz. Nada vai tirar o meu sorriso. Sou uma pessoa de sorte e agradeço aos céus todas as manhãs. Futebol é minha vida, mas isso é apenas um jogo e eu nunca me esqueço disso”.

De qualquer maneira, Inzaghi olha para frente. E fala do prazer em contribuir para a conquista de seu elenco: “Eu sabia que, se me dessem a oportunidade de trabalhar bem, eu poderia causar impacto. Não me importava com a divisão na qual o time estava. Preciso agradecer o apoio da minha comissão técnica. Minha maior satisfação neste momento vem da alegria dos meus jogadores e da sensação de ter mostrado a eles como é bom ganhar. Depois do acesso, eu disse no vestiário que, se alguém se sentisse cansado para buscar a Coppa Italia Lega Pro, eu perdoaria. Mas ninguém se entregou. Eles entenderam que disputar e ganhar uma final não é algo que acontece todos os anos. Em 20 anos, meus jogadores lembrarão o que eles fizeram, porque ganhar nunca é fácil, independentemente da competição, e nós registramos alguns recordes”.

Questionado sobre as mensagens que recebeu após os feitos, Pippo falou com carinho dos ex-patrões e, principalmente, dos ex-companheiros: “Se recebi mensagens me parabenizando? Eu ainda não terminei de ler nem as sobre o nosso acesso! Meu whatsapp está lotado. Preciso agradecer a todos, Adriano Galliani, Andrea Agnelli… Não posso me esquecer de Carlo Ancelotti e das outras 22 mensagens especiais. Cannavaro criou um grupo para os campeões do mundo em 2006 e todos eles me escreveram”.

E não é só por Filippo que a família Inzaghi está em festa. Simone também vai muito bem à frente da Lazio, próximo de conquistar a vaga na Liga Europa e sonhando com o título da Copa da Itália – o que pode promover um amistoso especial entre os irmãos: “Nossos pais estão felizes, mas eles sabem que uma carreira de técnico tem bons e maus momentos. Agora nós veremos como Simone terminará a temporada com a Lazio. Ontem, conversei com ele e disse que, se ele ganhar a Copa da Itália, nós podemos organizar um amistoso. Traremos nossas taças para o gramado e faremos uma grande partida”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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