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Inzaghi faz o tradicional Venezia reencontrar a Serie B italiana após 12 anos

O início da carreira de Filippo Inzaghi treinando um time principal foi duro. Depois de comandar o Milan Primavera (equipe sub-19 rossonera) por uma temporada, Pippo foi nomeado técnico dos profissionais, o que foi uma verdadeira bucha entregue em suas mãos. Isso em 2014. O elenco era de mediano para ruim e o clube já passava por dificuldades administrativas, e por um triz o ex-atacante não foi queimado, assim como seu antecessor no cargo e também ídolo do Milan, Clarence Seedorf. Após um ano no posto de técnico do Diavolo, Inzaghi foi demitido. E, depois de um ano sabático, ele deu um passo para trás em sua carreira assumindo o Venezia, na terceira divisão italiana. Mas foi aquele passo para trás que se dá visando dar três para a frente em seguida. E o primeiro deles foi dado neste fim de semana, com Pippo levando o tradicional time de Veneza de volta à Serie B italiana.

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Líder do grupo B da Lega Pro, a terceira divisão do Campeonato Italiano, com sobras, o Venezia enfrentou seu rival Padova na semana passada em um dérbi que, dependendo do resultado, deixaria a equipe de Pippo Inzaghi muito perto do acesso. E Moreo deu a vitória aos arancioneroverdi, que ganharam por 1 a 0 como visitantes e ficaram a um ponto de subir para a Serie B depois de 12 anos longe dessa divisão. Um ponto que foi garantido no empate por 1 a 1 com o Fano, em casa. E também com gol de Moreo, vice-artilheiro do Venezia na temporada. Assim, o time de Pippo soma 78 pontos em 35 jogos disputados por enquanto, o que já é o suficiente para o acesso, ainda que a temporada da Lega Pro ainda tenha mais três rodadas regulares.

Durante essa mais de uma década sem visitar a segunda principal divisão da Itália, os torcedores arancioneroverdi viram o clube, que já marcou presença na Serie A em algumas ocasiões, falir três vezes. A primeira foi em 2005, a segunda em 2009 e a terceira recentemente, em 2015. Em outubro do ano retrasado, Joe Tacopina, advogado ítalo-americano que teve passagem pelo conselho da Roma, comprou a maioria das ações do Venezia e deixou seu então cargo de presidente do Bologna para assumir o clube arancioneroverde. Isto é, Pippo pegou o time para treinar enquanto o clube havia acabado de passar por uma enorme crise e tentava se reerguer como uma nova gestão. É por isso seu trabalho merece o reconhecimento e muitos elogios. Mesmo em uma liga em que se encontra o também recém-falido e também tradicional Parma, foi o Venezia que se destacou e já conseguiu o acesso direto, tendo somado mais pontos até o momento do que o líder do grupo A da Lega Pro, a Cremonese.

Além das passagens pela Serie A, o Venezia tem um título da Copa da Itália, em 1940/41, dois da Serie B, em 1960/61 e 1965/66, dois da Serie C, em 1935/36 e 1955/56, um da Serie C2 (quarta divisão) em 2005/06 e dois da Serie D (quinta divisão) em 1982/83 e 2011/12. Entre os notáveis jogadores que passaram pelo clube estão Álvaro Recoba, que jogou lá emprestado pela Internazionale na temporada de 1998/99 e ajudou o time a se safar do rebaixamento para a Serie B, e Christian Vieri, que atuou pelos arancioneroverdi na temporada de 1994/95, só que com o time na segunda divisão. O uruguaio teve uma média espetacular em sua curta passagem, marcando 19 gols em 11 jogos, enquanto o italiano fez 11 em 29 aparições.

Depois da façanha conquistada com o time que há dois anos estava tentando se recuperar da falência na quinta divisão, Pippo Inzaghi se mostrou ambicioso ao falar sobre vencer também a Copa da Itália da Lega Pro. O Venezia está na final com o Matera e foi derrotado no jogo de ida por 1 a 0. O da volta acontecerá no próximo dia 26, e com os arancioneroverdi já garantidos na Serie B, a equipe de Veneza poderá concentrar seus pensamentos e suas forças na busca por mais essa conquista na temporada. “Eu sou assim, nunca estou satisfeito, e talvez seja por esse motivo que eu ganhei tantas coisas na minha carreira enquanto jogador”, falou Pippo durante coletiva de imprensa após o Venezia ter conseguido o acesso.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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