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Bielsa traz as ideias e o entusiasmo para elevar a Lazio de patamar

O Campeonato Italiano em que a Juventus passeia enquanto os dois gigantes de Milão sofrem ganhou uma nova atração. A Lazio anunciou, nesta quarta-feira, que o argentino Marcelo Bielsa será o seu novo técnico, substituindo Simone Inzaghi, que havia assumido provisoriamente depois da saída de Stefano Pioli. Estabilizada no meio da tabela da Serie A, o clube de Roma encontra no seu novo comandante o entusiasmo e as ideias que precisa para subir de patamar.

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Indispensável apresentar Marcelo Bielsa, que talvez seja o treinador da atualidade que mais influencia os seus colegas, de Guardiola a Jorge Sampaoli. Obsessivo e perfeccionista, ele tem conceitos de jogo ofensivos, comanda treinos intensos, presta atenção nos mínimos detalhes e exige muito comprometimento dos seus jogadores. Se o elenco da Lazio comprar a ideia, pode se tornar uma força em um Campeonato Italiano enfraquecido.

A Lazio foi oitava colocada na última Serie A, a sete pontos de vaga na Liga Europa e a mais de 20 de um lugarzinho na Champions League. Meio de tabela por excelência. Na temporada anterior, sob o comando de Pioli, até conseguiu um terceiro lugar e a classificação à principal competição europeia, mas o normal tem sido campanhas medianas. Entre 2008 e 2014, flutuou do quarto ao 12º lugar e levou dois títulos da Copa Itália.

O time da capital, na realidade, não consegue brigar pelo título desde que foi campeão, em 2000.  Nas 16 edições seguintes do Campeonato Italiano, não passou do terceiro lugar e, com exceção da campanha imediatamente posterior ao scudetto, sempre muito longe do primeiro colocado. Será que Bielsa consegue concretizar esse salto que a torcida da Lazio tanto espera para colocar o clube novamente no primeiro patamar da Itália?

Ele terá em mãos o sexto elenco mais valioso do país, mas não seria nada mal dar uma reforçada nele. O grande destaque é o bom Antonio Candreva, que tem a companhia do colega de seleção italiana Marco Parolo e de Lucas Biglia, da seleção argentina. A defesa tem o zagueiro holandês Stefan de Vrij e o goleiro Marchetti. Depois de uma ótima temporada, Felipe Anderson caiu de produção, e Bielsa tem o desafio de tirar o melhor do jovem brasileiro.

Com a saída de Miroslav Klose, três vezes artilheiro do time nas últimas cinco temporadas, o foco no mercado de transferências precisa ser o ataque. Até mesmo para dar um pouco mais da ofensividade que Bielsa tanto valoriza ao elenco. A média do time na liga nacional desde 2004/05 é baixa: 50 gols por ano – tirando da conta o campeonato de 2014/15, quando a Lazio marcou 71 vezes e ficou próxima do melhor ataque, o da Juventus, com 72 tentos.

Muito difícil brigar pelas primeiras posições assim. Bielsa traz as ideias para modificar esse cenário. E também uma injeção de ânimo para todos os envolvidos na Lazio, dos jogadores à torcida, que passarão por uma temporada cheia de expectativas. O tamanho do clube é perfeito para o argentino, que precisa de tempo para introduzir a sua filosofia, sem a pressão excessiva por resultados imediatos. Um ano depois de sair do Olympique Marseille, Bielsa está de volta ao futebol, e todos ganham com isso.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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