ItáliaSerie A

Bastou Zeman voltar para o Pescara ganhar (por 5 a 0) o primeiro jogo em seis meses

Apesar da fama de “treinador suicida”, pela ênfase ao ataque, Zdenek Zeman tem uma reputação respeitável no futebol italiano. Durante a década de 1990, sobretudo, o tcheco realizou grandes trabalhos. Despontou com a epopeia à frente do Foggia, da Serie C à briga pelas competições europeias em quatro anos. Depois, teve passagens relevantes na Lazio e na Roma, preparando terreno para as equipes campeãs nacionais. Desde a virada do século, entretanto, só um momento do comandante foi realmente bom: no Pescara, campeão da Serie B em 2011/12. Com um futebol ultraofensivo, como manda a cartilha, os Delfini protagonizaram uma das campanhas mais espetaculares da história da segundona, revelando Verratti, Insigne e Immobile. Sucesso que credenciou Zeman para o retorno à Roma em 2012, o que não deu muito certo. Agora, cinco anos depois, o técnico volta ao Estádio Adriático. Ao que parece, pronto para ao menos restituir a honra aos biancazzurri.

Com sobras, o Pescara foi o pior time da Serie A nas primeiras 24 rodadas da competição. Os Delfini não ganharam uma partida sequer em campo. Aliás, a única vitória aconteceu no tapetão, por causa da escalação de um jogador irregular na visita ao Sassuolo. Dirigido pelo ex-lateral Massimo Oddo, responsável pelo acesso na temporada passada, o time conta com a pior defesa do Campeonato Italiano, sofrendo em média mais de dois gols por partida. Já o ataque, quarto pior até então, costumava funcionar apenas para descontar as derrotas, com uma bela coleção de “placares bailarinos”.

Diante de sua filosofia de jogo, Zeman chegou com um objetivo claro. Não é o treinador que vai montar uma boa defesa. Contudo, seus times possuem uma sede de gols insaciável. E, justamente na reestreia do tcheco, os Delfini conseguiram derrotar um adversário em campo depois de seis meses. De maneira categórica: 5 a 0 sobre o Genoa, para delírio da torcida no Estádio Adriático. Além de ser o primeiro triunfo, de fato, foi apenas o segundo jogo na campanha em que os biancazzurri passaram os 90 minutos sem sofrer gols. Boa atuação do jovem ponta Gianluca Caprari, autor de dois tentos. E o mais impressionante foi o aproveitamento do setor ofensivo: foram apenas oito finalizações, seis delas na meta adversária, com as trocas de passe em progressão funcionando bem. Já a defesa, mesmo com 13 chutes contrários, segurou as pontas.

“Eu tenho que agradecer aos jogadores, que deram tudo o que podiam para nos livrar desta situação. Eles conseguiram isso, quebraram a maldição. Espero que possamos melhorar, embora naturalmente o 5 a 0 seja um bom resultado. Nós precisamos evoluir e nos focar, mas duas ou três coisas que testamos nos treinos deram certo. Eu tentei a movimentação do segundo gol várias vezes e não tinha conseguido. Só ofereci algumas pequenas coisas, os rapazes fizeram o resto. Foi importante ganhar, sobretudo, para o psicológico, assim como isso reduz a pressão para trabalharmos”, declarou Zeman, após a partida. “Muitos me chamaram de traidor quando saí, mas poucos podem recusar a Roma. Eu voltei porque o Pescara precisava e eu sempre disse que estaria à disposição do clube”.

Se a goleada deste domingo foi apenas um golpe de sorte ou o primeiro passo de uma evolução, só vai dar para saber com a sequência do campeonato. Por sua capacidade, Zeman possivelmente melhorará a produtividade ofensiva, embora o time permaneça propenso a sofrer contra ataques mais potentes. Ainda assim, neste momento, a salvação parece bem difícil. O Pescara está na lanterna, a dez pontos de alcançar o Empoli e sair da zona de rebaixamento. Talvez por isso, quando questionado por repórteres se pararia com o cigarro caso o milagre da permanência se consumasse, o tcheco tenha sido tão enfático: “Deixe-me fumar em paz”.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo