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A Atalanta ofereceu para Germán Denis a melhor despedida que um ídolo pode ter

Germán Denis pode não ser o maior exemplo de qualidade técnica ou mesmo aparecer entre os melhores atacantes de sua geração. No entanto, o argentino escreveu uma belíssima história na Atalanta. Depois de passar por Cesena, Napoli e Udinese, o centroavante encontrou em Bérgamo sua melhor forma na Itália. Em quatro temporadas e meia com os nerazzurri, anotou 56 gols pela Serie A, ajudando o clube a se manter na elite. Mais do que isso, se estabeleceu como o estrangeiro com mais tentos pela equipe e o quarto da Dea na história do Italiano. Até que chegasse a hora de dizer adeus neste final de semana.

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Aos 34 anos, Denis voltará à Argentina. Embora ainda não exista oficialização do negócio, seu destino será o Independiente, clube no qual teve a sua melhor temporada no país natal. E o clima de despedida tomou o empate da Atalanta contra o Sassuolo por 1 a 1 – quando até a camisa tinha o emblema ‘Para sempre Denis’. Não poderia acontecer de melhor maneira. Justamente Denis anotou o gol dos nerazzurri, decretando a igualdade aos 32 do segundo tempo. Ato digno para ser aplaudido de pé ao final da partida, enquanto era jogado para o alto por seus companheiros. Já na última entrevista, não escondeu as lágrimas.

E tinha mais. Na saída do estádio, a torcida da Atalanta esperou Denis e sua família. Recebeu o ídolo com faixas, cânticos e fogos de artifício. Uma retribuição por toda a vontade do Tanque com a camisa nerazzurra. “Denis foi muito mais do que só um atacante para a Atalanta. Ele foi Bérgamo. Ele foi um torcedor em campo. Todas as semanas ele deu tudo de si pela causa. As celebrações evidenciaram isso. A paixão que ele demonstra faz que seja impossível não amá-lo. Todas as vezes que marcou gols, correu à curva e abraçou seus filhos. É mais que um sentimento de família do que o de um jogador por seu clube. Foi um amor mútuo e genuíno”, explica o jornalista Conor Clancy, do Forza Italian Football, ao World Soccer Talk.

Já as últimas palavras de Denis deixaram clara a gratidão. “É o momento de voltar para a casa, com minha família. Sou um agradecido à cidade, aos torcedores e a esta camisa. Foram anos dos quais nunca vou me esquecer”, afirmou. “Obrigado, amigos, por tudo. Seguramente a vida voltará a nos unir de outra maneira. Serão parte da minha vida sempre”. Sinceridade pura depois de anos de uma relação fortíssima.

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Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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