Serie A

A ameaça da Superliga Europeia não acabou, segundo CEO do Milan

Ivan Gazidis, CEO do Milan, afirmou que Uefa e Fifa precisam focar em governança, porque os problemas continuam existindo

O CEO do Milan, Ivan Gazidis, deu entrevista alertando que a ameaça da Superliga não acabou. O Milan foi um dos clubes que desistiu do projeto, que colapsou 48 horas depois do seu anúncio, assim como a Internazionale e todos os ingleses. Para o dirigente rossonero, a ameaça não acabou, porque Uefa e Fifa ainda precisam melhorar a sua governança. Um dos pontos que ele citou sobre isso foi a falta de critério na hora de fazer valer o Fair Play Financeiro.

“Quando você está com problema, pode perder a claridade. Os problemas continuam e devem ser encarados juntos, Uefa e Fifa, porque a crise não acabou e não é hora de ninguém declarar vitória”, afirmou Gazidis em entrevista à revista Sette, segundo citado pelo Football Italia.

“A questão da governança é fundamental, temos que lembrar que tudo é baseado nos clubes. O Milan terá que respondeu uma série de questionamentos sobre a nossa saúde financeira. Então o Fair Play Financeiro ainda existe”.

“Em 2019, queríamos um projeto sustentável de futebol e fomos punidos com uma suspensão de um ano de competições internacionais”, afirmou ainda o dirigente, citando a punição dada ao Milan. “Eu aceito isso, mas as regras devem ser as mesmas para todo mundo. Ela são? Você tem que perguntar à Uefa, sua credibilidade que está em risco”.

A questão da governança é algo que os clubes que ainda defendem a Superliga, Juventus, Real Madrid e Barcelona, batem firme na tecla. Querem que haja mais transparência no processo e a questão do Fair Play Financeiro é, de fato, um ponto muito discutível. O Milan foi punido com a suspensão de participar de competições europeias, mas clubes como o Manchester City e PSG, que cometeram infrações até mais graves, não sofreram.

Gazidis tem toda razão quando fala sobre essa falta de critério da Uefa para aplicar as punições do Fair Play Financeiro. O problema é que o Milan tinha decidido se unir justamente com clubes como o Manchester City, que comprovadamente violou o Fair Play Financeiro, para formar a Superliga, como se isso fosse resolver o problema.

Embora ele tenha razão ao culpar a Uefa por não agir apropriadamente com clubes como Manchester City, PSG e mesmo Barcelona, Real Madrid e Juventus – todos com algum tipo de problema que merecia ser investigado dentro das regras do Fair Play Financeiro -, é preciso também cobrar que os clubes tenham uma postura nesse sentido. Inclusive se o Milan quiser, tem dezenas de clubes da Europa prontos a brigar por isso. Mas os rossoneri se uniram com o clube dos ricos para detonar os demais.

 É algo que precisa estar em perspectiva, porque o que soou foi uma ameaça velada que, se for em condições melhores, o Milan voltaria aderir à uma Superliga. O que impede isso, ao menos em parte, é que o documento de volta à ECA, a Associação Europeia de Clubes, tem mecanismos para ao menos dificultar uma nova tentativa de Superliga.

Milan de olho no futuro – e em um estádio novo

O dirigente do Milan ainda comentou sobre o trabalho de reconstrução do Milan. O clube voltou à Champions League depois de sete anos de ausência, o que traz um grande alívio financeiro. Mas esse é só o começo. Um dos pontos que o clube trabalha em conjunto com a rival de cidade e parceira de estádio, Internazionale, é a construção justamente de um novo estádio. Os clubes decidiram pela construção de um novo estádio depois de avaliarem que a reforma de San Siro não seria suficiente.

“Nós no Milan não queremos dizer não à ambição, mas dar ao clube a força e construir um futuro bem-sucedido e independente. As pessoas falam sobre € 10 milhões como se não fosse dinheiro real, mas no fim, você tem que pagar as contas: eu quero o Milan sendo sólido o bastante para fazer isso”.

“Este clube não precisa ser salvo, precisa ser reconstruído. E se for construído certo, ficará de pé sozinho e olha para frente. Eu disse desde o primeiro dia que seria difícil, às vezes precisamos tomar decisões impopulares, mas os torcedores começam a entender o nosso modelo”, comentou Gazidis. “Dois anos e meio atrás, havia muito ceticismo, dentro e fora do time, agora não, as pessoas nos apoiam”.

Um dos pontos que se fala sobre o futuro do Milan é a construção de um novo estádio. “Nós estamos prontos. Quanto antes pudermos fazer isso, antes Milão terá não só um estádio do mais alto nível, mas dois clubes de nível mundial. Será importante também para a cidade: as pessoas virão a Milão e será um dos lugares a serem visitados, como o Duomo”.

Segundo o presidente do Milan, Paolo Scaroni, o novo estádio de Milão pode estar pronto em 2025, caso a aprovação aconteça até o fim do ano.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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