Itália

San Siro: Por que estádio de Inter e Milan será demolido e o que vai acontecer com os rivais

Estádio chegou a ser alvo de tombamento pela prefeitura de Milão, mas a pressão pela modernização foi maior

Era madrugada em Milão quando os vereadores da cidade votaram sobre o futuro de um dos maiores templos do futebol mundial, o San Siro. Com 24 votos a favor e 20 contra, foi aprovada a venda do estádio aos seus históricos inquilinos, Milan e Inter, abrindo caminho para a demolição e reconstrução.

A decisão encerra décadas de debates políticos e empresariais em torno da modernização da infraestrutura esportiva italiana e marca um adeus simbólico a um palco que testemunhou alguns dos maiores capítulos da história do futebol.

O adeus ao San Siro, templo do futebol italiano

Inaugurado em 1926 e oficialmente batizado como Giuseppe Meazza em 1980 — mas chamado popularmente de San Siro por conta da região em que está localizado — carrega memórias que atravessam gerações.

Foi o cenário do Milan de Sacchi, dos títulos de Mourinho com a Internazionale, do brilho de Maldini, Baresi, Gullit, Kaká, Ronaldo, Ibrahimovic, entre tantos outros craques. Um estádio onde se disputaram finais de Champions League e jogos que moldaram a identidade do futebol italiano.

Estádio San Siro visto do lado de fora. Foto: Imago
Estádio San Siro visto do lado de fora. Foto: Imago

Mas o estádio, com sua imponência de concreto e suas rampas espirais inconfundíveis, tornou-se também um símbolo de atraso estrutural. As críticas da Uefa foram contundentes: a arena perdeu o direito de receber a final da Champions em 2027 e, nos moldes atuais, não teria condições de sediar partidas da Euro 2032, que a Itália organizará em conjunto com a Turquia.

O estádio chegou a ser alvo de tombamento pela prefeitura de Milão, para que não fosse demolido, mas a pressão pela modernização foi maior. O próprio CEO do Milan, Giorgio Furlani, falou sobre a necessidade de reestruturar a casa da dupla.

O novo estádio e o impacto na Serie A

O projeto aprovado prevê a construção de uma nova arena com capacidade para 71.500 torcedores, no terreno adjacente ao atual San Siro. A ideia é que Milan e Inter sigam mandando seus jogos no estádio histórico até que a nova casa esteja pronta, em 2032, a tempo do Campeonato Europeu.

O projeto será liderado pelos escritórios Foster + Partners e Manica, com investimento estimado em 1,2 bilhão de euros (R$ 7,5 bilhões). Além do estádio, está prevista uma ampla reurbanização do bairro de San Siro, com espaços verdes, áreas comerciais e melhorias na mobilidade.

Para os clubes, o impacto financeiro é crucial. Hoje, o San Siro gera receitas de bilheteria muito abaixo de arenas modernas como o Santiago Bernabéu ou o Emirates Stadium.

Enquanto o Real Madrid arrecadou mais de 360 milhões de euros em um único ano com sua nova estrutura, Milan e Inter juntos não chegam perto desses números. A diferença reflete diretamente na competitividade da Serie A frente à Premier League e LaLiga.

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Nostalgia e pragmatismo para Inter e Milan

A decisão de demolir o San Siro mexe com o imaginário coletivo. Ídolos como Paolo Maldini já haviam reconhecido que, embora jogar ali fosse “maravilhoso”, o estádio havia se tornado ultrapassado para as ambições dos gigantes de Milão.

Ainda assim, torcedores e críticos questionam se o novo projeto não sacrifica tradição em nome do lucro. Autoridades e dirigentes defendem o contrário:

“Respeitamos o San Siro, mas precisamos olhar para frente. É uma estrutura antiga e deteriorada. Wembley foi demolido e reconstruído, e aqui há a mesma necessidade”, disse Beppe Marotta, presidente do Inter.

A promessa é de que partes do atual estádio sejam preservadas, como relíquias incorporadas ao projeto urbano. Um gesto simbólico para suavizar o impacto de dizer adeus ao templo que já foi chamado de maravilha do mundo do futebol.

Com a aprovação da venda por 197 milhões de euros, Milan e Inter têm agora um horizonte claro: iniciar a fase de design em 2027 e inaugurar o novo estádio em 2032. Até lá, o San Siro seguirá de pé, testemunhando os últimos capítulos de sua história gloriosa.

Para uns, trata-se de um golpe de nostalgia. Para outros, de uma necessidade pragmática. Mas há uma concordância: o futuro do futebol italiano passa, inevitavelmente, pelo novo San Siro.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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