Itália

Sacchi: “A evolução do futebol espanhol começou quando meu Milan deu uma lição no Real Madrid”

Espanha e Itália enfrentam-se, neste sábado, em uma partida decisiva por vaga na próxima Copa do Mundo, e em um duelo de filosofias, de acordo com Arrigo Sacchi. O ex-treinador afirmou que espera que um dia os estilos espanhóis e italianos possam ser agrupados e avaliou que foi a vitória do seu Milan sobre o Real Madrid – 5 a 0 em abril de 1989, nas semifinais da Copa dos Campeões – que deu início à evolução do futebol espanhol.

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“Espero que as filosofias de Espanha e Itália possam se juntar”, afirmou, em entrevista à Gazzetta dello Sport. ” Nós nunca definimos nosso futebol na Itália. Ainda treinamos como fazíamos dois mil anos atrás, os estádios são parecidos com antigas arenas romanas onde, não à toa, o público clamava por sangue. Desenvolvemos uma agressividade feroz e muita determinação para compensar nossos fracassos históricos. Em outros lugares, vencer sem méritos não é vencer”.

Sacchi afirmou que a Espanha sempre busca a perfeição e, uma vez impossível de ser alcançada, está sempre estudando e aprendendo. “A verdade é que não havia muita diferença entre o futebol italiano e o espanhol, então nosso caráter nos dava vantagem, enquanto eles buscavam talentos individuais”, afirmou. “A evolução de qualidade do futebol espanhol começou depois que o meu Milan deu uma lição para o Real Madrid: naquele dia, perceberam que o futebol não poderia ser interpretado individualmente, mas como uma equipe”.

Esse jogo citado por Sacchi também coincidiu com a chegada de Cruyff ao Barcelona e a introdução da filosofia que até hoje permeia as ações dos catalães. “Eles gradualmente trouxeram Rijkaard e Guardiola ao Barcelona, já jogando como um coletivo, com e sem a bola. Acrescentaram à técnica existente, aprenderam a pressionar e a compensar fragilidades defensivas. Os espanhóis correm mais riscos que nós. Quem na Itália colocaria o pequeno Dani Carvajal para marcar o gigante Mario Mandzukic na final da Champions League? Mas isso não é problema para quem pensa o futebol como um esporte de equipe”, explicou.

Sacchi aplaudiu treinadores como Maurizio Sarri, do Napoli, Paulo Sousa, na Fiorentina, Eusebio di Francesco, no Sassuolo, e Gian Pierro Gasperini, na Atalanta, que tentam imprimir nas suas equipes uma identidade. “Eu gosto de times que tentam forçar o seu estilo ao jogo: é por arrogância ou pela consciência de suas qualidades. Os grandes times são lembrados por controlarem o jogo, como o meu Milan. O futebol é jogado mais com a mente do que com os pés. O Napoli está indo contra a história. Foram enfrentar o Nice com vantagem de 2 a 0 no primeiro jogo e atacaram durante 90 minutos. Imagina se tivessem concedido um gol decisivo no contra-ataque, o que as pessoas diriam. Mas Sarri desafiou, ele elevou o nível cultural. Agora, os torcedores aplaudem terminar o Campeonato Italiano em terceiro lugar porque Sarri está dando estilo ao futebol italiano, que, por si só, não tem um estilo reconhecível”, avaliou.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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