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Quando o orgulho atrapalha

“Venci uma Libertadores e dois Paulistões com o Santos, não faço testes”. Essa foi a declaração de Zé Eduardo, mais conhecido como Zé Love, à Gazzetta dello Sport após recusar fazer um teste no Milan. O clube rossonero nos últimos dias demonstrou interesse na contratação do atacante brasileiro, mas quis conhecê-lo melhor antes de tirá-lo do Genoa.

Antes de qualquer coisa, o Milan já deveria conhecer muito bem um jogador que pretende contratar. Logo, deveria saber que se trata de um jogador mediano, que praticamente não jogou no Genoa na última temporada, vive de um bom momento no Santos, teve muitos problemas extra-campo e com 24 anos já passou por mais de 15 clubes na carreira. Acima de tudo, não deveria ter cogitado uma contratação que não se enquadra na história de um dos maiores clubes do planeta.

Assim, Zé Love não tem nada a ver com isso. Se o Milan o quer, ótimo! É uma oportunidade excelente para um atacante que não marca gols conseguir, certamente, um bom contrato e fazer parte de um clube como o Milan. Em Gênova, o brasileiro viveu um inferno astral, com lesões, dificuldade na adaptação e pouquíssimo tempo de jogo. Mas na prática, nunca jogou bola o suficiente para ser reforço dos rossoneri.

Em abril, enquanto estava machucado, Zé Love concedeu uma entrevista a mim e a Antero Greco no programa Futebol no Mundo, da Rádio Estadão ESPN. DESANCOU o Genoa! Entre outras coisas, acusou o clube de ter errado no tratamento de sua lesão no joelho: “A estrutura é muito, muito atrasada, em comparação com a nossa (…). Era para eu ter me recuperado em três meses e meio e levei sete, por culpa do clube. Eu disse isso para o presidente. O departamento médico é ruim, está desestruturado”. Repetiu, veementemente, que queria deixar o clube.

Agora, quatro meses depois, tem a oportunidade de trocar o Genoa pelo Milan e recusa porque foi pedido um teste. Bom, é direito dele recusar. Óbvio. Trata-se da vida dele, da carreira dele. O orgulho é todo dele.

Só que, em alguns momentos, o orgulho atrapalha demais. Sim, é um jogador profissional, bem conhecido no Brasil, com títulos no currículo (mesmo não sendo o protagonista) e que já atua no futebol italiano. Mas era uma chance sensacional de reerguer a carreira. Se ele se acha tão bom assim ou alguém tão famoso, a ponto de não realizar um teste, custava ter um pouco de humildade, perceber o atual momento de sua carreira e se esforçar ao máximo durante alguns dias para garantir a contratação pelo MILAN?

Para usar um ditado popular bem batido, mas muito válido, às vezes é melhor dar um passo para trás e depois dois para frente. A insatisfação dele no Genoa, certamente, não desapareceu. Então é melhor permanecer em um clube médio da Itália, onde segundo o próprio há muita desorganização, ao invés de fazer um teste no Milan? Sim, havia o risco de reprovação. Mas riscos existem na vida, fazem parte do cotidiano, PRINCIPALMENTE, de um esportista.

Mas, enfim, cada um sabe o que faz da própria vida. Talvez ele tenha pensado que não teria muitas chances de brigar com Pazzini, Pato, Robinho e El-Shaarawy por um lugar no time, e mesmo insatisfeito acredita que terá mais oportunidades no Genoa. Não quer arriscar, ok. Ou então foi apenas o seu orgulho mesmo.

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