Itália

Mudanças impactam, Arthur não será negociado e deve permanecer na Juventus

Meio-campista se despede da Fiorentina e deve ser reintegrado à Juventus com Thiago Motta

Após anos seguidos atrapalhado por lesões, Arthur reencontrou o bom futebol que já o levou à seleção brasileira com a camisa da Fiorentina em 2022/23. Além do desempenho do meio-campista em campo, outro fator pode impactar os rumos de sua carreira.

A temporada passada foi a melhor de sua carreira desde 2017, ano em que despontou para o mundo após ser um dos destaques do Grêmio na conquista da Libertadores.

Não à toa, o volante se despediu da Viola nesta quarta-feira (5) com a certeza de que viveu uma espécie de renascimento depois de tantas frustrações nos últimos anos. Com o encerramento do empréstimo, o meio-campista deve retornar à Juventus para a próxima temporada. 

— Eu quero expressar minha gratidão pelo prazer de ter vivido nessa cidade e atuado por esse time incrível. Minha família e eu agradecemos muito por todo o carinho que recebemos aqui. Essa é uma memória que eu sempre vou carregar no meu coração — disse Arthur, em um vídeo publicado em suas redes sociais.

 

Entenda por que Arthur deve receber nova chance na Juventus

Arthur volta à Juventus após duas temporadas em que atuou emprestado pelo clube primeiro ao Liverpool, onde mal jogou, e depois à Fiorentina. O desempenho pela Viola referenda o seu retorno à Velha Senhora mesmo após ter decepcionado em sua primeira passagem pelo clube de Turim. Mas ele não é o único fator que pesa na decisão da Juve de reintegrar o meio-campista.

A mudança no comando da equipe, com a saída de Massimiliano Allegri e a iminente chegada de Thiago Motta, é parte fundamental no retorno de Arthur à Juventus. Conforme apurado pela Trivela, o ex-treinador não contava com o volante em seus planos, tanto que abriu mão de tê-lo à disposição no elenco nas duas últimas temporadas.

Arthur chegou à Juventus em 2020, após uma negociação que envolveu também a ida de Pjanic ao Barcelona. O clube pagou 72 milhões de euros para fechar o negócio. À época treinador da Juve, Maurizio Sarri foi quem pediu a sua contratação. Mas ele permaneceu apenas até agosto daquele ano. A chegada de Allegri mudou os planos para o volante.

Agora, o meio-campista volta para cumprir os dois anos restantes de contrato com a Juventus. Em entrevista recente à ESPN, Arthur não escondeu a expectativa de ter oportunidades pelo clube, agora sob o comando de Thiago Motta.

— É um grande treinador, fez um trabalho brilhante no Bologna, levou o Bologna para a Champions. Não sei quantos anos eles estavam sem jogar a Champions. Então é um grande treinador e espero ter a oportunidade de trabalhar com ele. Mas vamos ver o que acontece — disse Arthur sobre Thiago Motta.

Arthur cuidou da saúde mental para dar volta por cima

A Fiorentina até encerrou a temporada com a frustração do vice-campeonato da Conference League, com derrota para o Olympiacos na final. Mas Arthur pode se orgulhar — e muito — de seus números pelo clube. O volante atuou em 48 partidas, com dois gols marcados e três assistências. É o maior número de jogos em uma temporada desde 2017.

De imediato ao chegar à Viola, o meio-campista recebeu todo o apoio do técnico Vicenzo Italiano. O técnico entendeu o momento de retomada vivido pelo jogador e deu confiança para que ele entrasse na equipe até virar titular absoluto.

— Acho que todo o estafe da Fiorentina me ajudou muito, desde o treinador me dando confiança. Sabia que eu vinha de algum tempo sem jogar, me dando minutos, que era importante, inclusive esta temporada aqui na minha carreira é a que eu fiz mais minutos. Então é importante ter essa confiança do treinador. Mas, claro, todo o trabalho por trás também. Fisioterapia, alimentação, a parte psicológica também, que até nisso eu comecei a trabalhar. Acho que aprendi bastante com as lesões também — disse Arthur à ESPN.

Arthur recuperou o bom futebol na Fiorentina e se tornou um dos pilares da equipe de Vincenzo Italiano (Foto: Icon Sport)

Outro ponto central da retomada de Arthur foi o cuidado com sua saúde mental. O volante buscou tratamento psicoterapêutico para controlar a ansiedade nos momentos de recuperação de lesão.

— Sinceramente, eu nunca fui uma pessoa que tinha me importado muito com a saúde mental. Para mim, eu tinha que estar bem fisicamente e podendo treinar e jogar. Eu nunca tinha parado para pensar o quanto era importante nossa saúde mental. E eu sou a prova viva disso. Comecei a fazer um trabalho e descobri muitas coisas que me ajudaram. Eu tinha muita ansiedade, porque nos meus momentos que eu tive lesões, eu queria voltar a jogar o mais rápido possível. Sinto a diferença hoje, quando eu entro em campo. Eu tenho que agradecer os psicólogos, a psicóloga que me que me ajudou a ter essa saúde mental para assim estar bem em campo também fisicamente para jogar legal — reconheceu.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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