Não adianta. Para nós, Paolo Rossi sempre será o carrasco da brasileira de 1982, o vilão que matou o futebol arte com os três gols naquela vitória sobre a Itália no Sarriá. Ou um anti-herói, Tony Soprano ou Don Draper, colocando na conta o seu envolvimento em um esquema de manipulação de resultados. À história do futebol, porém, ele foi um pouco mais: o artilheiro, craque e campeão de uma Copa do Mundo que morreu, aos 64 anos, vítima de um câncer de pulmão descoberto há algum tempo.

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É um feito para poucos. O prêmio oficial de craque da Copa do Mundo, patrocinado pela Adidas, foi introduzido justamente em 1982. Em seu site, a Fifa o credita também a Mario Kempes, que se juntaria a Paolo Rossi como os dois vencedores dessa trinca de prêmios pelos seus préstimos em 1978. Nas edições anteriores, não importa, porque ninguém se credenciaria pelo título e pela artilharia.

Exceto Garrincha. Se houvesse um prêmio oficial em 1962, Garrincha provavelmente seria eleito o craque da Copa do Mundo do Chile, o que, no fundo, não importa porque ele foi e pronto. Mas, já que estamos entrando em minúcias, apesar de campeão e melhor jogador, dividiu a artilharia com outros cinco goleadores. Ronaldo teria uma chance grande de completar o hat-trick se a votação de 2002 fosse realizada depois da final em que Oliver Kahn engoliu um frangaço.

Não quer dizer que Rossi é melhor que Ronaldo, ou Pelé, ou Puskás, ou Maradona, ou Cruyff, ou que é desse nível, mas que ele não era apenas um cara que estava muito bem posicionado em um estádio de Barcelona que não existe mais. Ele era um grande atacante, mesmo que o seu auge tenha sido curto demais.

Como todo o resto da carreira, a começar por ela própria, encerrada em 1987 com apenas 30 anos (quase 31). As grandes campanhas pelo Vicenza e pelo Perugia não duraram muito tempo, nem quando ele finalmente se firmou na Juventus, pela qual havia estreado como profissional. É um caso em que os poucos momentos de brilho foram tão intensos que nos permitem imaginar como seria uma carreira completa sem tantas lesões e sem dois anos de suspensão pelo escândalo do Totonero.

Os joelhos de Rossi não tiveram nem chance. Antes de ele se tornar de fato um jogador profissional, havia passado por três cirurgias para retirar três meniscos, ainda na base da Juventus, à qual chegou, aos 16 anos, encontrado por Luciano Moggi no Cattolica Virtus, de Florença. Segundo conta, cada operação exigiu seis a sete meses de estaleiro no momento em que deveria estar desenvolvendo a técnica e o físico para a desafiadora carreira de artista da bola.

A última da sequência foi em 1974, ano em que estreou pelo time profissional da Juventus em uma vitória por 1 a 0 sobre o Cesena, pela Copa Itália. Na temporada seguinte, 1974/75, faria mais duas, pela mesma competição. Foi emprestado ao Como para ganhar experiência, e tudo correu bem, exceto que ele não ganhou experiência, não fez gol, jogou apenas seis vezes e foi rebaixado como vice-lanterna da Serie A.

A Juventus decidiu abrir mão da sua promessa, mas só mais ou menos. Ela o vendeu em regime de co-propriedade ao Vincenza. A prática foi abolida em 2015 e consistia em uma divisão do passe de um jogador por dois clubes, embora ele pudesse defender apenas um deles. Depois de um determinado período de tempo, as partes envolvidas tentariam chegar a um acordo. Se não conseguissem, participariam de um leilão com envelope fechado.

Como foi esse determinado período de tempo para Paolo Rossi? Em 1976/77, ele marcou 21 gols na segunda divisão e contribuiu para o acesso do Vicenza. Na temporada seguinte, precisava provar que era bom o suficiente para jogar na elite da Itália: fez 24 gols e carregou o clube, que vinte anos depois teria na Copa Itália o seu único título importante, a cinco pontos do , vice da Juventus.

O rendimento de Rossi não foi fruto do acaso, mas do encontro com outra figura importante do futebol italiano. Giovan Battista Fabbri, ou Gibì, como era chamado o homem que revelou Fabio Capello na Spal, era entusiasta da ideia de que os seus jogadores deveriam correr o campo todo e ser capazes de atuar em todas as posições, aquela ideia que a Holanda transformaria em arte com Rinus Michels. Isso foi particularmente importante quando GB – daí que vem o Gibì – se viu sem centroavante quando chegou ao Vicenza.

Como não podia contratar outro, a solução foi centralizar aquele garoto que havia chegado da Juventus como ponta-direita. Além de encontrar a posição em que Rossi daria o tricampeonato mundial à Itália, por si só uma contribuição danada ao futebol, Fabbri também foi como um segundo pai ao então jovem atacante.

“Fabbri foi um pai para mim. O clássico pai de família que aconselha, coloca-o sob sua proteção, era assim mesmo. Fez questão que houvesse uma grande união entre nós. Era um grande conhecedor e amante do futebol. Pregava que todos, a começar pelos zagueiros, deviam jogar futebol. Eu, em particular, devo muito a ele. Foi quem me transformou de ponta em ponta-de-lança. Viu imediatamente que eu poderia ter uma função diferente e com certeza mudou minha carreira”, disse Rossi, segundo o Tutto Juve.

O sucesso de Rossi na Serie A valeu a convocação de Enzo Bearzot à Copa do Mundo de 1978. Ele havia disputado apenas alguns amistosos antes do torneio e não fez feio. Marcou três vezes, inclusive contra a Áustria, na segunda fase, e ajudou a estabelecer a partida decisiva por vaga nas semifinais contra a Holanda, que acabou vencendo por 2 a 1.

Antes do torneio na Argentina, havia chegado a hora de resolver a co-propriedade. Essa parte é um pouco engraçada. Dependendo do ponto de vista. Lembra os envelopes fechados? Os relatos divergem sobre quanto a Juventus acabou oferecendo. A maioria cita 800 milhões de liras, mas todos apontam valores substancialmente menores do que as 2,6 bilhões de liras que um desesperado Giuseppe Farina colocou na mesa para garantir a sua principal estrela.

Ok, 2,6 bilhões de liras parecem bastante. Mas quanto, exatamente? Pela conversão da BBC, para usar uma moeda que existia naquela época e ainda existe hoje em dia, dava 1,75 milhão de libras. E isso era muito? Bom, o jovem Rossi se tornou o jogador mais caro do mundo e continuaria sendo por seis anos até o Barcelona contratar Diego Maradona do Boca Juniors. Então, sim, era muito.

E aí o destino foi bastante cretino. O Vincenza comprometeu suas finanças, não conseguiu reforçar outros setores da equipe e Rossi teve suas atuações limitadas por problemas no joelho. Ainda assim, anotou 15 gols, insuficientes para evitar o rebaixamento à segunda divisão, o que abriria um grande alçapão ao fundo do poço econômico do clube do Vêneto. Sabendo que precisava ficar na Serie A, Rossi acabou emprestado ao Perugia.

Não era uma transferência tão absurda quanto parece porque o Perugia havia assumido o cargo de time-pequeno-que-ninguém-esperava-que-fosse-vice-campeão que era do Vincenza ao ficar a apenas três pontos do título naquela mesma temporada do rebaixamento de Rossi. Trivia: foi vice-campeão invicto, com 11 vitórias e 19 (!!!!) empates em 30 rodadas.

A expectativa é que os gols de Rossi talvez convertessem algumas dessas igualdades em vitórias no ano seguinte. Ele marcou apenas 13, a maioria na primeira metade do campeonato, e o Perugia teve que se contentar com o nono lugar, o que parece uma frustração pequena perto do que viria a seguir.

Tudo começou em março de 1980 com um hortifrutigranjeiro – um cara que vende comida – chamado Massimo Cruciani. Ele conhecia alguém que conhecia jogadores da Lazio e foi induzido a apostar em partidas que seriam manipuladas. O sonho de multiplicar o dinheiro ganhado com a venda de peras e maçãs caiu por terra quando nem todos os jogos terminaram com os resultados que haviam sido previamente combinados. Triste, irritado, Cruciani apresentou uma queixa à Procuradoria da República — o que deve ter sido uma queixa brilhante: “Eu tentei roubar, mas fui enganado!”.

O escândalo levou a uma ampla investigação que prendeu 13 jogadores, intimou outro punhado, entre eles Paolo Rossi, e abalou as estruturas do futebol italiano. O país sediaria a Eurocopa naquele mesmo ano e o teve que fazer sem Rossi, em prisão temporária. O inquérito criminal terminou em dezembro, com absolvição geral. Na esfera esportiva, porém, Milan e Lazio foram rebaixados, clubes como o Perugia sofreram dedução de pontos e jogadores foram suspensos entre três meses e seis anos. Rossi pegou três anos.

Rossi sempre manteve sua inocência. Alegou que a frase usada para acusá-lo foi tirada de contexto. Ele teria dito, segundo essa matéria do Goal.com, durante um bingo com amigos, que o “empate não era um resultado de se jogar fora”. Ele disse que se referia ao empate que acaba sendo bom para os dois times. Se você acredita nele, o restante desta história é uma senhora fábula de redenção.

Primeiro vem a parte em que ele pensa em abrir mão de tudo, desistir do futebol, sair da Itália. O ponto mais baixo. A readequação da sua pena de três para dois anos era uma luz no fim do túnel porque, se você fizer a conta, significa que ele estará livre para jogar antes da Copa do Mundo de 1982. Mas faltava alguém que acreditasse nele. Esse alguém foi Giampiero Boniperti, um antigo craque que por acaso comandava um dos clubes mais poderosos da Itália. Por acaso também, o clube que revelou Paolo Rossi.

Chegou a haver uma aproximação sem sucesso com a antes de a Juventus recontratar Paolo Rossi, ainda vinculado ao Vincenza, no início da temporada 1981/82. A sua pena venceria nas últimas rodadas da Serie A. Ele treinou com o grupo, tentou manter a forma física, e reestreou no começo de maio marcando em uma goleada por 5 a 1 sobre a Udinese. Atuou nos dois jogos restantes, embora tenha passado em branco, mas de qualquer maneira, já era uma vitória: estava de volta aos gramados e havia sido campeão italiano pela primeira vez na carreira.

Agora, a missão era convencer Bearzot a convocar um atacante que estava há praticamente dois anos sem jogar bola profissionalmente para disputar uma Copa do Mundo. Não foi tão difícil. “Trazê-lo direto à Copa do Mundo foi uma aposta”, disse Bearzot, com uma péssima escolha de palavras, segundo uma matéria do New York Times, em 1982. “Mas, nos dois anos em que ele esteve fora, não consegui encontrar ninguém para substitui-lo”.

“Apenas um jogador como Pelé seria capaz de transformar um time inteiro. Eu não sou Pelé. Eu enfrentarei 1.000 dificuldades porque as pessoas esperarão sabe-se lá Deus o quê. Você não pode esperar que eu seja o salvador do futebol italiano”, afirmou. Mas não é que podiam?

O começo de Rossi foi devagar, como era de se esperar, mas quem não gostou da convocação não perdeu tempo para aumentar o volume das críticas quando ele passou os três primeiros jogos da fase de grupos sem marcar. O rendimento da Itália foi sofrível, três empates contra Polônia, Peru e Camarões. De alguma maneira, foi o suficiente para avançar à fase quartas de final, que começou com uma vitória sobre a Argentina, com Rossi novamente passando em branco. E aí, chegou o Sarriá.

Rossi furou a primeira chance que teve contra o Brasil. A segunda… bem, do bico esquerdo da grande área, completou de cabeça o cruzamento de Cabrini para fazer 1 a 0 para a Itália. Deu um passe para Graziani, que tentou aproveitar o nervosismo do adversário, mas mandou para fora. Sócrates empatou. O jogo entrou em um certo marasmo, com os dois times esperando o segundo tempo. Rossi, porém, não estava dormindo: estava à espreita, esperando para dar o bote. Quando Cerezo errou o passe na saída de bola, interceptou, avançou e fez 2 a 1.

Enquanto a transmissão dava um bonito close no rosto de Bearzot, Rossi tentava cavar um pênalti após dividida com Luizinho, no começo do segundo tempo. Não conseguiu. Como não conseguiu ampliar para 3 a 1 após uma jogada linda de Graziani pela esquerda. Pegou torto. E Falcão empatou. E o empate bastava ao Brasil. E não era interessante a Paolo Rossi. E a Itália teve um escanteio. E a sobra ficou com Tardelli. E Tardelli chutou. E Rossi desviou. E Waldir Peres não defendeu. E a bola entrou. E a Itália passou.

Paolo Rossi, da Itália, contra o Brasil na Copa do Mundo de 1982 (Imago/OneFootball)

É fácil perceber o que aquele jogo significou para Rossi. Ele fez outros dois gols contra a Polônia na semifinal e o título da sua autobiografia não é “Eu classifiquei a Itália à final da Copa do Mundo”. Ele também marcou contra a Alemanha, na grande decisão, e o título da sua autobiografia não é “Eu ganhei a Copa do Mundo”. Nem é “Eu ganhei a Bola de Ouro” ou “Fui campeão europeu pela Juventus”. O título da sua primeira autobiografia é: “Eu fiz o Brasil chorar”.

Apenas depois de conquistar um acesso, ser vice-campeão por um time pequeno, ser artilheiro da Serie A, ser suspenso do futebol por dois anos, ganhar uma Copa do Mundo e quase completar 26 anos que Paolo Rossi teve a chance de ser jogador de um clube de elite. E a grande tragédia da sua carreira — tirando aquela parte da manipulação de resultados — é que não foi uma experiência muito legal.

A relação com Boniperti azedou logo de cara quando ele pediu um aumento. Com a torcida, não ficou muito melhor quando, durante a negociação, ele soltou uma frase desajeitada na linha de “como eu vou alimentar meus filhos?”, o que não pegou muito bem. Em campo, teve dificuldades. Embora terminasse 1982 eleito o melhor jogador da Europa pela revista France Football, anotou apenas sete gols naquela temporada da Serie A, vencida pela Roma. A sua melhor, em números, foi a seguinte, com 13 tentos e o segundo scudetto.

Em 1984/85, o fim já parecia próximo. Marcou apenas três vezes pela liga italiana e, como aparentemente nada em sua vida acontece sem um pouco de drama, seu último jogo pela Juventus foi a final da Copa dos Campeões de 1985, em Heysel, onde os hooligans do Liverpool causaram a morte de 39 italianos, antes de Michel Platini marcar o gol da vitória da Velha Senhora, de pênalti.

“Eu tive momentos muito bons na Juventus, mas também alguns muito ruins. Em certa altura, eu me cansei do futebol, fui treinar porque era forçado. Pareceu que havia uma falta de confiança em torno de mim. Quando tinham que substituir um jogador, era sempre Rossi. Nunca me dei bem com a torcida da Juventus. Além disso, joguei em uma posição que não era adequada às minhas características, mas eu me adaptei, até me sacrificando. Na Juventus, aprendi muita coisa, mas me sentia como um leão na jaula. Melhor mudar de ares”, disse.

Hora de rebobinar um pouco. Depois de arrasar as contas para contratar Paolo Rossi, ser rebaixado e perder Paolo Rossi, Giussy Farina supervisionou a queda do Vicenza à terceira divisão do futebol italiano. Acabou forçado — não sem motivos, aparentemente — a deixar o cargo. Mas ainda não estava farto do futebol. Aproveitou o escândalo do Totonero para tirar o Milan das mãos de Felice Colombo, implicado no esquema e banido do esporte para todo o sempre.

Quando Farina chegou ao Milan, o clube havia acabado de subir de volta à Serie A após ser rebaixado como punição esportiva. Naquela temporada, seria novamente rebaixado, agora somente por não ser muito bom em futebol mesmo, o que foi uma baita de uma estreia para o novo presidente. Ele conseguiria dar a volta por cima, com o acesso imediato e fundamentado em bases suficientes para permanecer na elite. E em 1985, quando percebeu que Rossi estava de saída da Juventus, não perdeu a oportunidade de levá-lo ao lado vermelho e negro de San Siro.

A única temporada de Rossi pelo Milan foi uma decepção. Uma nova lesão fez com que estreasse apenas em novembro. Jogou 26 vezes e marcou três gols, apenas dois pela Serie A. Ambos no mesmo jogo. Na 12ª rodada. Contra a Internazionale. Mesmo em seu momento mais baixo, quando resolveu brilhar, brilhou para caramba. Fiel às suas habilidades, Farina havia conseguido quebrar também o Milan. Em fevereiro de 1986, colocou o clube à venda. Um ex-cantor de cruzeiros com um bom olho para investimentos imobiliários chamado Silvio Berlusconi apareceu com a grana necessária.

Sem seu principal padrinho, Rossi saiu do Milan. Não sem antes jogar mais uma Copa do Mundo. Enzo Bearzot gostava muito dele, mas a má fase pelos clubes não era uma miragem. Rossi nem saiu do banco de reservas durante uma frágil defesa do título da seleção italiana, eliminada nas oitavas de final pela França, com apenas uma vitória na fase de grupos. Faria uma última tentativa na temporada seguinte, com a camisa do Verona. Quatro gols em 20 jogos pela Serie A. Contribuiu com o quarto lugar. Mas seus joelhos estavam cansados. Antes de completar 31 anos, anunciou a sua aposentadoria.

Paolo Rossi, da Itália, no dia da final contra a Alemanha na COpa do Mundo de 1982 (Imago/OneFootball)

Nem tudo deu certo na carreira de Paolo Rossi. Ao contrário: muita coisa deu errada, por sua ou não, o que explica ela ter sido tão curta. Mesmo assim, nesse breve intervalo, ele conseguiu encontrar uma maneira de entrar para a história e fazer milhões de italianos felizes. Porque, como ele disse uma vez em entrevista à Fifa, o futebol é o único esporte em que você pode fazer quatro gols em quatro minutos e bagunçar todas as probabilidades. Ou, como sua história comprova, três gols em 90 minutos e modificar a história.

“O primeiro gol foi o mais importante porque fez com que eu recuperasse a confiança, em todos os sentidos. Daquele momento em diante, era como se alguém lá no céu estivesse cuidando de mim. De repente, tudo mudou. Nada estava dando certo e de repente tudo estava dando certo. De repente tudo era muito fácil. Como o esporte é bonito. Um gol poda mudar tudo. No meu caso, mudou minha vida inteira”, encerrou.

Paulo Roberto Falcão, o rei de Roma, contemporâneo de Paolo Rossi, disse certa vez que jogador de futebol morre duas vezes. A primeira quando encerra a carreira. A segunda, quando efetivamente morre. Paolo Rossi morreu pela primeira vez em 1987, quando pendurou as chuteiras. A segunda foi nesta quarta-feira, 10 de dezembro de 2020, quando o câncer no pulmão tirou a sua vida. Como todo jogador que fez história, estará eternamente nas lembranças de cada italiano (e cada brasileiro) comemorando os gols do Sarriá, que marcaram a sua vida, sua história e a história da Copa do Mundo. Nos corações italianos, estará para sempre com os braços levantados, correndo após colocar a bola na rede no Sarriá, com a camisa azul número 20 às costas e o sorriso no rosto. As pessoas morrem, em algum momento. O jogador, porém, é eterno.