O tributo do Milan a Kobe foi ainda mais bonito por valorizar o lado humano da lenda

Dentre as maneiras de se enfrentar o luto, não existe nenhuma outra mais alentadora do que falar. É na hora de se exprimir sentimentos e recobrar histórias que, de fato, se mantém a memória viva. A consciência de saber o que foi, tantas vezes, se choca com a dor daquilo que se perdeu. A vida de uma pessoa, porém, também prevalece a partir das lembranças que pôde gerar. E, neste sentido, a vida de Kobe Bryant perdurará por muitíssimo tempo, dada a capacidade de tanta gente em exprimir seus sentimentos e recobrar as histórias do craque desde o último domingo trágico.
E a imagem transcendental da lenda do basquete, que não se limitou à bola laranja para transmitir sensações e impressões, se perpetua um pouco mais no campo de futebol. O tributo realizado pelo Milan nesta terça-feira, antes da emocionante vitória sobre o Torino na Copa da Itália, não exalta apenas o semideus pintado em dourado e roxo, que inúmeras vezes negou impossível – e, assim, pareceu intocável – na tela da TV. Também relembra o torcedor rossonero, aquele que se apaixonou pela essência do esporte, e que se valeu disso para desafiar os próprios limites humanos dentro de uma quadra.
“Lendas nunca morrem”, dizia o mote do vídeo transmitido no telão do San Siro. Enquanto as luzes se apagavam, o público respeitava o silêncio e tantas camisas do Lakers se erguiam nas arquibancadas. A lenda de Kobe Bryant é ainda maior por também se aproximar humanamente de quem apreciava o seu basquete, mesmo que isso não significasse necessariamente ignorar suas próprias quedas. Durante o 24° minuto do jogo, aplausos ao camisa 24.
O tributo do Milan a Kobe Bryant, além do mais, trouxe diversas imagens da filha Gianna. A história de um pai dedicado, que se voltava ao futuro promissor da grande herdeira de seu talento, apresenta o lado da tragédia ainda repleto de amor, apesar da dor incontornável. E as fotografias que despedaçam o coração permitem enfrentar o luto por Gigi em silêncio. Se recontar Bryant é aquilo que mantém sua memória viva acima da própria morte, imaginar o que Gianna ainda poderia fazer nas quadras honra sua paixão. Machuca. Mas preserva, de alguma maneira, o seu sonho e os dos outros sete passageiros do helicóptero.
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“É graças às lendas que vivemos a história, através de sua glória. As paixões nos aproximam e, quando uma lenda é um grande homem que declama, canta e grita para o mundo nossas cores, terá nossos corações para sempre”, narrou Germano Lanzoni, nos alto-falantes do San Siro. A carta também anunciava a reunião do clube ao redor da família Bryant, para recordar com profunda comoção Kobe e Gianna Maria, além de se aproximar das famílias de Ara, John, Keri, Alyssa, Christina, Payton e Sarah.
“O Milan recorda um grandíssimo campeão, um torcedor rossonero, um esportista exemplar, um profissional de ética inabalável, um marido, um pai, um homem. A tua memória sempre permanecerá viva em nossos corações, os seus ensinamentos inspirarão outras gerações. Para sempre. Lendas nunca morrem. Sempre Kobe”, complementou Lanzoni.
E uma faixa levada pela torcida do Milan dizia ainda: “Descansem em paz, Kobe e Gianna, para sempre juntos”. Tão singela e tão verdadeira.
Your memory will never fade, your legacy will last forever
Ciao, Kobe! ❤#SempreKobe pic.twitter.com/ojj1Ky1s5Y— AC Milan (@acmilan) January 28, 2020
In loving memory of a true legend: Kobe Bryant ❤ pic.twitter.com/4Ysb6FhZeQ
— AC Milan (@acmilan) January 27, 2020



