Itália

O despertar da Loba

Não foi a primeira vez e não será a última: em um clássico, venceu o time que atravessava o momento mais difícil. Assim, a Roma derrotou a Lazio por 1 a 0, escapou de terminar a rodada da Série A na zona de rebaixamento e ainda alimentou esperanças de que uma temporada que se desenhava desastrosa tenha alguma salvação.

Caso os ‘giallorossi’ arranquem de fato e consigam pelo menos disputar posição na zona européia, o gol de Júlio Baptista aos 5 minutos do segundo tempo será lembrado como um ponto de virada. No entanto, a reviravolta na sorte da Roma começou quando Luciano Spalletti enfim se convenceu de que estava preso a um esquema tático que não lhe servia mais.

O 4-2-3-1 era praticamente dogmático, por causa dos bons resultados que deu ao time nas últimas temporadas. Mas ele funcionava porque tinha as peças ideais para isso: Mancini e Taddei voando, Totti em boas condições para jogar como homem mais avançado. Pois Mancini saiu, Taddei não vive boa fase e Totti ainda tenta reencontrar ritmo de jogo após a cirurgia.

Para esta temporada, os nomes à disposição de Spalletti claramente não eram os ideais para manter o sistema de jogo. Em diversos momentos sacrificou-se Vucinic, perdido na meia-esquerda, incapaz de render seu melhor. Baptista foi ala e centroavante, sem sucesso em ambas as funções.

Foi antes da partida contra o Chelsea, pela Liga dos Campeões, que veio a mudança na formação do time, que passou a jogar no 4-3-1-2, com um meia de ligação (Pizarro) e dois atacantes (Totti e Vucinic). Mais equilibrada, a Roma resistiu à pressão inicial dos ingleses, saiu na frente e se tornou dona do jogo, chegando a uma enfática vitória por 3 a 1.

No jogo seguinte, contra o Bologna, pela Série A, a vitória só escapou por causa do infeliz gol contra de Cicinho nos acréscimos. Com o sucesso no dérbi, ficou claro que o novo esquema será mantido e o 4-2-3-1 arquivado como um módulo que funcionou muito bem em determinado período.

Contra a Lazio, a Roma atuou de forma inteligente, sabendo que conceder espaço aos rápidos jogadores ‘biancocelesti’ poderia ser fatal. No primeiro tempo, o que se viu foi uma disputa muito tática dos dois lados. O trio de volantes formado por De Rossi, Perrotta e Brighi jogava quase colado à linha de defensores, procurando dificultar as ações de Zárate, Pandev e Rocchi.

O gol que abriu a partida, no início da segunda parte, saiu com uma cabeçada de Baptista, escalado na ausência de Pizarro, após cobrança rápida de escanteio (jogada bastante repetida e que deveria ter sido melhor marcada pela Lazio) e cruzamento preciso de Totti. Não por acaso, ‘La Bestia’ se destacou atuando como homem de ligação, função em que rende melhor. Sem invenções.

Baptista deu muito trabalho a Ledesma, que acabou expulso aos 21 minutos do segundo tempo com o segundo cartão amarelo. Com um jogador a menos, a Lazio ainda encontrou forças e criou oportunidades. Doni foi impecável ao salvar a Roma na finalização de Pandev, que poderia ter decretado o empate. Zárate, mesmo sob constante marcação, foi capaz de buscar o jogo e levar perigo – foi o melhor em campo, ainda que jogando do lado derrotado.

As conseqüências psicológicas de uma derrota no dérbi são sempre duras, especialmente em uma cidade onde ele é vivido de forma tão intensa. Mas a Lazio precisa ter em mente que o resultado não apaga o ótimo campeonato que faz até agora, especialmente porque fez um bom jogo contra a rival. Após as mesmas doze rodadas na temporada passada, o time de Delio Rossi tinha nove pontos a menos que os 22 de agora.

Quanto à Roma, o caminho só pode ser para cima (até porque não tinha como ser muito mais para baixo). Será fundamental para isso que Totti se mantenha livre de lesões e adquira ritmo para que possa ser decisivo outras vezes, como foi no dérbi.

Zenga-show: bate-boca e 'strip'

Não é exagero dizer que Walter Zenga é o melhor técnico da temporada até o momento. Considerando o investimento do Catania, seu sétimo lugar com 21 pontos é de se considerar uma façanha. No entanto, em vez de permitir que se exalte o funcionamento do time comandado em campo por um ótimo Mascara, Zenga tem mudado o foco das coisas.

Depois da vitória por 3 a 2 sobre o Torino, Zenga bateu boca com o jornalista Enrico Varriale, da RAI, durante um programa pós-rodada. Varriale havia criticado o ex-goleiro, que vinha trabalhando como comentarista do canal estatal antes de assumir o Catania, por não ter dado entrevista na rodada anterior. Zenga se irritou, pediu que o apresentador não falasse dele pelas costas, e a partir daí o nível só baixou.

Nesta segunda, Zenga e Varriale exibiram seus sorrisos amarelos em um aperto de mão para selar a paz. O técnico foi multado pelo clube, sob o argumento de que deveria zelar pela imagem da instituição que representa. Curiosamente, a iniciativa da multa partiu de Pietro Lo Monaco, o mesmo dirigente que disse, semanas atrás, que José Mourinho merecia “pauladas nos dentes”.

Enquanto se encerrava, por assim dizer, uma polêmica, outra ganhava corpo. A atitude do atacante Gianvito Plasmati no momento da cobrança de falta de Mascara que resultou em um dos gols contra o Torino deu o que falar. Plasmati simplesmente abaixou o calção diante do goleiro Sereni, com o intuito de obstruir sua visão. Tudo sob orientação de Zenga, que sabe bem o que atrapalha um goleiro nestes momentos.

Não há nada que se refira diretamente na regra a este tipo de ato, mas, como bem comentou Pierluigi Collina, responsável por designar os árbitros do campeonato, trata-se de atitude antidesportiva. Deve haver uma orientação para que os juízes observem e punam gestos semelhantes, caso ocorram.

Se o Catania faz um campeonato muito acima das expectativas, não é por causa do calção abaixado de Plasmati ou dos bate-bocas de Zenga na televisão. Portanto, talvez seja o caso de o próprio técnico tomar a iniciativa de direcionar os holofotes para onde eles têm de estar.

Arbitragem, rodada negra

Andrea De Marco não teve dúvidas ao ver a queda de Kaká na área do Chievo após o empurrão de Bentivoglio: pênalti. O contato com o brasileiro foi admitido até pelo jogador dos ‘clivensi’, mas havia um pequeno detalhe: a falta se deu fora da área, com o camisa 22 milanista já se projetando. Enfim, para dizer o mínimo, um pênalti dos mais generosos.

Foi o quarto pênalti na temporada para o Milan, e todos eles marcados com os jogos empatados. Contra Sampdoria e Napoli, foram assinaladas penalidades em toques de mão visivelmente involuntários.

No jogo contra o Chievo, antes do pênalti em Kaká, De Marco havia ignorado um puxão de Malagò na camisa do brasileiro na área. Mas dois errados não fazem um certo – muito pelo contrário.

Desastrosa também foi a atuação de Christian Brighi na vitória por 3 a 1 da Atalanta sobre o Napoli. O pênalti de Manfredini sobre Lavezzi, que permitiu ao Napoli alcançar o momentâneo empate não existiu – o zagueiro atalantino tirou a bola. Pouco depois, a Atalanta voltou a ser prejudicada, com a não marcação de um pênalti claro de Maggio em Valdés.

No fim das contas, Manfredini se redimiu do que não havia feito e marcou o segundo gol da equipe de Bérgamo, antes que Floccari (pronuncia-se Flóccari) selasse o resultado nos acréscimos.

Também houve pênalti mal marcado em Siena 1×1 Bologna, com Calaió se jogando após contato com Lanna na área. O Siena acabou não se aproveitando, já que Calaió desperdiçou a cobrança.

A única nota positiva foi a perfeita atuação de Gianluca Rocchi no dérbi de Roma. Curiosamente, Rocchi atuou duas vezes na mesma rodada: havia apitado os 4 a 1 da Juventus sobre o Genoa na quinta-feira. A escolha de Collina, que poderia ser questionada, mostrou-se certa. Mas pelo conjunto da obra, não houve o que festejar.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo