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No último ato da carreira, Criscito marcou o gol da vitória do Genoa por 4×3 aos 50 do 2° tempo

Criscito voltou ao Genoa para ganhar um salário mínimo e para buscar o acesso de volta à Serie A, o que conseguiu cumprir

Domenico Criscito voltou ao Genoa para o episódio final de sua carreira. Quando o lateral parecia pronto a se aposentar, após deixar o Toronto FC no fim de 2022, resolveu retornar à velha casa por um semestre. O Grifone precisava do auxílio do veterano, diante de uma campanha instável na Serie B, que talvez não rendesse o acesso. A recuperação já tinha se iniciado em dezembro, com a chegada do técnico Alberto Gilardino, companheiro de Criscito nos tempos de seleção. Já a incorporação do ala deu um pouco mais de força aos rossoblù, que pegaram embalo na tabela. A missão seria cumprida há duas semanas, com a volta à Serie A confirmada por antecipação. Nesta sexta-feira, então, o camisa 4 disputou seu último jogo como profissional, diante da torcida no Estádio Luigi Ferraris. Despediu-se com o gol da vitória por 4 a 3 sobre o Bari, anotado nos acréscimos do segundo tempo. A apoteose em meio à gratidão dos torcedores.

Criscito começou a carreira profissional no Genoa e auxiliou o clube a retornar para a Serie A em 2006/07, em sua primeira temporada como titular. O lateral teria uma passagem curta pela Juventus, pela qual também jogou na base, antes de retornar a Gênova e se firmar como um dos melhores de sua posição na Itália – a ponto de disputar a Copa do Mundo de 2010. Depois disso, o defensor vestiria a camisa do Zenit entre 2011 e 2018, mas voltou ao Grifone para auxiliar nas lutas contra o rebaixamento mais recentes. Foram mais quatro temporadas pelos rossoblù, até não escapar da queda em 2021/22. Fez as malas depois disso.

A passagem de Criscito pelo Toronto FC não durou muito. Foram apenas 15 partidas pelo clube, no segundo semestre de 2022. No final do ano, alguns veículos canadenses apontavam inclusive que o defensor de 36 anos estava propenso a se aposentar. Contudo, havia tempo para um último ato e para tirar o Genoa do limbo. Em janeiro, Criscito assinou novamente com o clube de sua vida, para ganhar um salário mínimo. Estaria de volta para tentar o retorno à Serie A, tal qual conseguiu ainda jovem. E não decepcionou.

Criscito disputou 16 das últimas 19 partidas do Genoa na Serie B. Nem sempre foi titular, mas contribuiu da maneira como pôde à equipe de Alberto Gilardino. A subida de produção nestes últimos meses também teve sua participação. O veterano jogou na maioria das vezes como lateral ou ala, mas até de zagueiro apareceu. Contudo, uma lesão impediu que ele estivesse em campo no jogo do acesso contra o Ascoli. Precisou esperar mais duas semanas até fazer sua despedida nesta sexta, no último compromisso dos rossoblù no Luigi Ferraris.

O Genoa recebeu o Bari, já confirmado nos playoffs de acesso por causa da terceira colocação. Mesmo que o duelo não valesse muito, o encontro entre os dois times da parte de cima da tabela foi bastante movimentado. O Grifone esteve três vezes em vantagem no placar, com Stefano Sabelli, Albert Gudmundsson e Caleb Ekuban. Três vezes os Galletti empataram, com Sebastiano Esposito, Leonardo Benedetti e Walid Cheddira – este, com um gol aos 41 do segundo tempo. O destaque também ficava para a beleza dos lances, com cinco tentos de fora da área, sempre em batidas no ângulo. A definição ficaria apenas para os instantes finais.

O gol mais feio da noite seria exatamente o da vitória. Contudo, será também o mais recordado no Marassi, pelo simbolismo. Sem as melhores condições físicas, Criscito só entrou aos 48 minutos, para ser ovacionado pela torcida. E também para converter o pênalti que concluiu o placar, aos 50. Bateu com muita tranquilidade e já correu para comemorar diante das arquibancadas. Depois do apito final, o veterano comandou a festa dos promovidos, em meio às homenagens por sua história com os rossoblù.

Criscito se despede do Genoa como um dos maiores símbolos do clube neste século. Foram 291 partidas disputadas, com 31 gols e 13 assistências. Não participou de períodos gloriosos como outras figuras notáveis dos rossoblù, mas se entregou à camisa como poucos. E essa volta à segunda divisão para buscar o acesso diz muito sobre seu apreço pelo Grifone. A missão se cumpriu de maneira brilhante, com um gol inesquecível e com o descanso merecido para o veterano de 36 anos. Mesmo com tantas histórias, terá um capítulo final para ser recontado por muito tempo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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