Itália

Mourinho fala sobre motivação, liderança e estratégia: “Se você ama futebol, você não sente que está ficando velho”

O rejuvenescido técnico campeão da Conference League deu uma excelente entrevista à Sky Sports do Reino Unido

Quem não está apaixonado pelo futebol pode se aposentar e aproveitar a vida ao lado das medalhas que conquistou, mas esse não é o caso de José Mourinho. Um dos técnicos mais vitoriosos de todos os tempos continua com a “motivação no DNA” e não consegue vislumbrar uma vida longe do gramado. Em entrevista à Sky Sports, o português campeão da Conference League pela Roma abriu o jogo sobre motivação, confiança, liderança e como o futebol mudou desde que ele chocou o mundo levando o Porto ao título europeu.

A Roma está sendo um novo e diferente capítulo na carreira de Mourinho. Ajustado a ambições menores às das potências que treinou, uma atrás da outra, desde que trocou os Dragões pelo Chelsea em 2004, ele está conseguindo levar o jogo com um pouco mais de leveza, mas sem abandonar a veia vencedora – e as lágrimas ao derrotar o Feyenoord em Tirana não escondem o quanto ser campeão novamente significou para ele.

“Se você não está apaixonado por futebol e conquista tudo que há para conquistar, você simplesmente se aposenta e aproveita suas medalhas. Aproveita a vida fora do futebol. Mas se você ama futebol, você não quer parar. Se você ama futebol, você não sente que está ficando mais velho. Você se sente fresco, novo, e esse sentimento dura até os seus últimos dias. Motivação é parte do DNA”, afirmou.

Uma das críticas feitas a Mourinho durante os seus piores momentos mais recentes é que havia perdido a capacidade de motivar os jogadores, fazê-los deixar tudo em campo por ele. Declarações de jogadores da Roma, como Tammy Abraham, estão mudando essa percepção. Ele não afirmou quando passou a mudar a sua abordagem, mas reconheceu que o papel do líder é diferente hoje em dia.

“O jovem de 2000 é diferente do jovem de 2022. Houve mudanças em termos de liderança. Agora é sobre envolvimento. Liderança significa que as pessoas o seguem. E para segui-lo, elas precisam acreditar em você. Normalmente, elas acreditam em você se sentem empatia, se sentem honestidade. Em meu caso pessoal como líder, o que isso significa para mim, significa exatamente a responsabilidade de não decepcionar as minhas pessoas. Eu tenho que estar com elas e para elas, o tempo inteiro. Elas têm que confiar em você”, disse.

Curiosamente, o homem que praticamente inaugurou a linhagem de técnicos midiáticos, que tem uma coleção incrível de entrevistas coletivas bombásticas e aprendeu a usar a imprensa para manipular os adversários, diz que tudo isso é contra a sua natureza. Ele sempre foi um líder silencioso, mas a sua profissão o obriga a ser comunicativo.

“Todo mundo precisa de uma maneira diferente de se comunicar. Uma maneira diferente de dar feedback, de motivar. O mais importante é conhecer a natureza deles, conhecer tudo sobre eles. Então você pode interagir com eles quase de uma maneira individual. É como quando você vai a um restaurante e come ‘a la carte’. É basicamente o que você tem que fazer com os jogadores. Não olhar para eles como se fossem todos iguais porque todos eles são diferentes”, explicou.

Segundo Mourinho, o futebol mudou nas últimas duas décadas. Em termos de treinos e metodologia, instrumentos para analisar um jogo do banco de reservas. Agora, a comissão técnica é especializada, com técnicos de desempenho, de recuperação, de treinos individuais e de prevenção. Uma “dimensão incrível” ao trabalho do treinador. “Você tem que lidar com tantas pessoas com tantas personalidades diferentes e egos agora. Você também precisa lidar com muito mais informação do que antes. Às vezes, eu seleciono as mais importantes porque simplesmente não podemos lidar com tudo”, disse, comparando o futebol com equipes de Fórmula 1.

“Durante uma corrida, eles têm tantos dados que precisam ser seletivos. Não podem simplesmente passar todas as informações ao piloto”, explicou, acrescentando que no fim das contas a chave do sucesso é a mesma: estratégia. “Você não pode prever tudo, mas quanto mais estiver preparado, mais você pode colocar nos treinos. Você pode reduzir a imprevisibilidade e isso passa a sensação de que tomar decisões é mais fácil. Você sabe que futebol tem riscos, claro, mas tenta reduzir esse risco preparando seu time o melhor que puder”, completou.

E ao longo da história, poucos prepararem times melhor do que José Mourinho.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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