Itália

Bacca e Luiz Adriano dão força ao Milan, mas isso precisa ser só o começo

Após uma temporada tenebrosa, era evidente que o Milan sairia com tudo no mercado de transferências para dar uma resposta aos seus torcedores. A crise financeira ficou de lado com a chegada de tailandês Bee Taechaubol, aumentando a capacidade financeira do clube. E as primeiras contratações de peso foram anunciadas nesta semana. O meio-campo ganhou Andrea Bertolacci, jogador pertencente à Roma que teve bom ano com o Genoa. Contudo, os dois nomes para realmente empolgar vieram em uma só tacada nesta quinta: o ataque ganhou muito mais peso com as presenças de Carlos Bacca e Luiz Adriano.

A compra de Bacca junto ao Sevilla já era esperada há alguns dias. O centroavante de ascensão surpreendente viveu duas excelentes temporadas na Andaluzia, estrelando o time bicampeão da Liga Europa. Leva ao San Siro um enorme faro de gol, que só o deixou atrás de Cristiano Ronaldo e Messi em seus tempos na Espanha. E também a capacidade de moldar o jogo do time, com um estilo bastante explosivo, aproveitando lançamentos longos. O que pode auxiliar em um time ainda em formação.

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Luiz Adriano, por sua vez, chega badalado por tudo o que fez na última Liga dos Campeões. A artilharia durante boa parte do torneio o tornou alvo de grandes clubes da Europa, ficando muito próximo da Roma em janeiro. E, após recusar uma oferta do Oriente Médio, deu coro à debandada do Shakhtar Donetsk ao acertar com os milanistas. É mais um homem de área, como Bacca, com menos qualidade técnica, mas com mais presença física. Aliás, dificilmente os dois deverão ser utilizados pelo time ao mesmo tempo.

A contratação de Bacca e Luiz Adriano é um recado do Milan, especialmente após sofrer com Pazzini, Destro e Fernando Torres. O clube não irá poupar muitos esforços para se reforçar e ir muito além da vexatória 10ª colocação na Serie A 2014/15. Só que, por mais que os rossoneri tragam dois artilheiros natos, ainda é pouco para as suas necessidades. Porque não adianta muito ter o homem de área, se a criação foi um problema sensível do time de Filippo Inzaghi nos últimos meses, agora assumido por Sinisa Mihajlovic.

Ainda que os novos centroavantes, sobretudo Bacca, venham para solucionar a falta de eficiência nas finalizações, também é preciso melhorar demais a criação do time. Durante a última temporada, 21 dos 56 gols da equipe saíram de pênalti ou de bolas paradas. Não foi exatamente das equipes mais criativas com a bola nos pés. Jérémy Ménez foi o jogador que mais deu passes para chutes dos companheiros – uma média baixa de 1,4 por jogo, apenas a 48ª de todos os jogadores da Serie A. E os outros candidatos a garçom do time decepcionaram bastante, como Giacomo Bonaventura e Keisuke Honda. Bertolacci vem justamente para a função, mas o fato de mesmo a Roma ter aberto mão do meia não anima.

Por mais que Carlos Bacca e Luiz Adriano sejam reforços para mostrar serviço, o Milan precisa de mais. Dentro de campo, é claro, precisa de um padrão de jogo para ir muito além do futebol burocrático e pouco criativo dos tempos de Inzaghi. Mas Mihajlovic também necessita das peças para conseguir fazer isso. Com o que tem à disposição, não tem tantas perspectivas para a reviravolta que se espera em San Siro. Por mais que os novos artilheiros paguem as transferências em gols, vão precisar de muitos para realmente recolocar os milanistas na Champions – especialmente na defesa, tão desguarnecida. Neste momento, os novatos servem apenas para um começo de trabalho no mercado. E de paliativos para acalmar os ânimos de uma torcida já furiosa.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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