Itália

Mas já?

Apontada nesta coluna como candidata única ao título da Serie A, a Internazionale começou a temporada dando alguns sustos. Em vez de manter a filosofia de jogo de José Mourinho, ao menos no início de seu trabalho, Rafa Benítez procurou impor seu estilo logo de cara, com resultados nada satisfatórios, como a derrota para o Atlético de Madrid na Supercopa europeia e o empate sem gols com o Bologna na primeira rodada do campeonato. No entanto, os nerazzurri venceram Udinese e Palermo e já têm sete pontos, enquanto os principais rivais, como Milan, Juventus e Roma, já tropeçaram pelo menos uma vez e são obrigados a correr atrás.

A vitória sobre a Udinese em San Siro não foi nada brilhante. Pelo contrário, um empate teria sido o resultado mais justo pelo que foi o jogo. Diante do Palermo, em contrapartida, a Inter venceu de forma convincente um adversário que sustentava uma invencibilidade caseira de 29 partidas. Poderia até ter sofrido menos, já que precisou virar o placar, em função das oportunidades desperdiçadas. Mas já foi possível identificar traços de bom jogo, com triangulações rápidas que sempre deixavam alguém na cara do goleiro Sirigu. Parte da diferença de conceitos entre Mourinho e Benítez, que pede a valorização da posse de bola no campo ofensivo.

Desfalcados de Sneijder, os campeões europeus deram a volta no placar com uma mudança tática promovida por Benítez no segundo tempo. A Inter passou a jogar no 4-4-2, com Zanetti na direita, Pandev na esquerda e Stankovic, inspirado, ao lado de Cambiasso no centro. Com isso, Eto’o passou a formar dupla com Milito e atuar mais próximo da área. A má forma do argentino, herói das conquistas da temporada passada, tem chamado a atenção. Seu último gol foi na final da Liga dos Campeões. Eto’o, por sua vez, vive um momento de ouro. Com os dois gols no Renzo Barbera, o camaronês chegou a seis tentos nas seis primeiras partidas oficiais da temporada, marca que não alcançou nem quando jogava na Espanha.

O caso de Milito (que foi substituído pela quarta vez consecutiva e saiu com cara de poucos amigos) parece misturar um atraso na condição física e uma falta de confiança motivada pela dificuldade em reencontrar as redes. Mais delicada parece ser a questão da lateral-esquerda, posição em que fica cada vez mais evidente a carência do elenco. Chivu não é a solução ideal, e neste momento a melhor opção parece ser o retorno de Santon, ausente durante praticamente toda a última temporada por causa das lesões.

Depois de enfrentar o Bari neste meio de semana, a Inter terá uma série de três partidas interessantes para testar sua evolução: Roma, Werder Bremen (pela Liga dos Campeões) e Juventus. Vale lembrar que Mourinho construiu uma Inter gigante na Europa, mas herdou um time que já dominava na Itália com Mancini. A Beneamata tem o melhor elenco do futebol italiano desde 2006, e pode se dar ao luxo de experimentar. Até porque os rivais facilitam.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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